Remuneração trilionária de Elon Musk é aprovada por 75% dos acionistas, com 12 etapas atreladas à capitalização e a metas como 1 milhão de robotáxis, 20 milhões de carros e 1 milhão de robôs humanoides
A remuneração trilionária de Elon Musk avançou oficialmente na Tesla após a assembleia anual desta quinta-feira, 6. Em um movimento que reforça a estratégia de transformar a montadora em uma potência de inteligência artificial e robótica, os acionistas aprovaram um megapacote de US$ 1 trilhão, cerca de R$ 5,3 trilhões em conversão direta. O plano é o maior já destinado a um líder corporativo e, segundo a empresa, reflete “a escala da visão de Musk”.
O resultado marca uma vitória simbólica para o executivo, que vinha pressionando por uma compensação atrelada a metas extremamente ambiciosas. A Tesla informou que “Segundo a empresa, mais de 70% dos acionistas foram favoráveis ao pacote de remuneração”. Mais tarde, durante a própria reunião, foi registrado que “A remuneração foi aprovada por 75% dos acionistas, segundo Brandon Erhart, conselheiro geral da Tesla, na assembleia;”.
Para a presidente do conselho, Robin Denholm, a presença do CEO é central para a continuidade do plano estratégico: “sem Musk, a empresa pode perder um valor significativo”. A aprovação também mantém o líder motivado a longo prazo, segundo o conselho, ao atrelar cada etapa de pagamento a resultados concretos.
Como funciona o pacote aprovado e as 12 etapas de pagamento
O pacote da remuneração trilionária de Elon Musk é dividido em 12 etapas de compensação, todas vinculadas ao desempenho da companhia e à geração de valor para os acionistas. Pela estrutura aprovada, a primeira parcela só será liberada quando a Tesla alcançar US$ 2 trilhões de capitalização de mercado. Hoje, a empresa está avaliada em cerca de US$ 1,54 trilhão (R$ 8,2 trilhões), o que exige uma escalada consistente.
As nove parcelas seguintes seriam atribuídas a cada novo incremento de US$ 500 bilhões no valor de mercado até o patamar de US$ 6,5 trilhões (R$ 34,7 trilhões). Já as duas últimas dependem de aumentos de US$ 1 trilhão cada, levando a capitalização da montadora a US$ 8,5 trilhões (R$ 45,4 trilhões) para o pagamento integral.
Além da valorização em Bolsa, o plano foi moldado com metas operacionais alinhadas à agenda tecnológica da Tesla. Entre elas, estão colocar 1 milhão de robotáxis em operação, vender 20 milhões de veículos elétricos e entregar 1 milhão de robôs humanoides em dez anos, além de chegar a 10 milhões de assinaturas do sistema de direção autônoma Full Self-Driving (FSD). Essas entregas são apresentadas como pilares de uma Tesla que vai além dos carros, com foco em software, IA e robótica.
Impacto no poder de voto, cláusulas de proteção e ganhos parciais
Com a aprovação da remuneração trilionária de Elon Musk, o executivo pode ampliar sua influência na governança. Caso atinja todas as metas, sua participação acionária subiria de cerca de 13% para 25%, com a adição de mais de 423 milhões de ações. Esse reforço no poder de voto atende a demandas públicas feitas por Musk ao longo de 2024, em um contexto de disputas estratégicas sobre o futuro da empresa.
Mesmo se nem todas as etapas forem alcançadas, o plano prevê remuneração relevante. A Tesla indica que o CEO poderia arrecadar mais de US$ 50 bilhões (R$ 267,5 bilhões) ao cumprir apenas uma parte das metas consideradas mais factíveis. O acordo inclui ainda uma cláusula de “eventos cobertos”, que permite liberar parcelas em situações extraordinárias, como desastres naturais, guerras, pandemias e mudanças em leis e regulações que prejudiquem a capacidade da companhia de projetar, fabricar ou vender seus produtos.
Se o pagamento total for alcançado, Musk se tornaria o primeiro bilionário a atingir os trilhões de dólares de patrimônio, segundo a avaliação citada pela empresa. Hoje, sua fortuna é estimada em US$ 504 bilhões (R$ 2,6 trilhões), de acordo com a Forbes.
Divisão entre investidores, críticas e o debate sobre a governança
A aprovação da remuneração trilionária de Elon Musk não foi unânime e expôs divergências no mercado. O fundo soberano da Noruega, gestor de mais de US$ 2 trilhões em ativos, declarou voto contrário, citando a magnitude do pacote e riscos potenciais. Consultorias de voto como Glass Lewis e ISS Stoxx recomendaram que investidores rejeitassem a proposta, argumentando que a estrutura permite concessões mesmo com possíveis lacunas em metas operacionais, além de levantar dúvidas sobre a independência do conselho, descrito como próximo de amigos e familiares do CEO.
Do lado de fora da fábrica da Tesla em Austin, no Texas, manifestantes planejavam um protesto contra a medida, ecoando o sentimento de parte do público de que “um trilhão de dólares é demais para qualquer pessoa em qualquer circunstância”. Ainda assim, para os defensores, a aprovação representa um endosso a uma visão de longo prazo em IA, robotáxis e robôs humanoides, com potencial de elevar a Tesla acima de gigantes como Meta, Microsoft e Alphabet em valor de mercado.
No curto prazo, a empresa segue pressionada a mostrar tração nas frentes tecnológicas e comerciais que sustentam o pacote. O sinal do mercado após a aprovação será determinante para indicar se a trajetória rumo aos US$ 8,5 trilhões é percebida como plausível. O certo é que, com a remuneração trilionária de Elon Musk, a Tesla aposta alto em um roteiro que combina escala industrial agressiva com avanços de software e inteligência artificial, na tentativa de redefinir o futuro do transporte e da robótica.

