Em entrevista à Vanity Fair, Kim Kardashian contou que usa o ChatGPT para dúvidas jurídicas, diz que “eles sempre erram”, e transformou tropeços em lição sobre limites da inteligência artificial
Kim Kardashian e ChatGPT viraram assunto nas redes depois de a empresária e celebridade, que estuda Direito, admitir que se apoiou na inteligência artificial durante avaliações, o que acabou levando a respostas erradas. Em conversa publicada pela Vanity Fair, ela disse que considera o ChatGPT um “frenemy”, uma mistura de amigo e inimigo, e descreveu situações em que a ferramenta falhou ao interpretar questões jurídicas.
Segundo relatou, o uso do sistema parecia um atalho para conferir dúvidas de última hora, mas o resultado foi o oposto do esperado. A confissão viralizou, reacendendo o debate sobre os limites e os cuidados ao usar chatbots generativos em contextos acadêmicos e profissionais, sobretudo no estudo do Direito.
O que Kim Kardashian disse e como o “frenemy” entrou na rotina de estudos
Ao comentar o episódio, Kim explicou que recorreu ao ChatGPT em provas e tarefas relacionadas ao curso. “Eu uso [ChatGPT] para conselhos legais. Quando preciso saber a resposta para uma pergunta, tiro uma foto e coloco lá. Eles sempre erram. Isso me fez falhar em provas”, afirmou. A prática, segundo ela, incluía enviar imagens de questões para o sistema interpretar, o que nem sempre trazia um retorno confiável.
Com humor, Kim Kardashian contou que tenta “apelar para o emocional” do robô para ver se obtém respostas melhores, ainda que saiba que não é assim que a tecnologia funciona. “Eu digo: ‘Você vai me fazer falhar, como se sente com isso?’”. Ela disse que o ChatGPT chegou a devolver: “Isso está te ensinando a confiar nos seus instintos”. A empresária também revelou que compartilha as conversas mais inusitadas com amigos: “Eu tiro prints e mando no grupo: ‘Vocês acreditam que essa IA está falando assim comigo?’”.
Mesmo com as frustrações, a celebridade mantém o bom humor e segue estudando para se tornar advogada, reforçando que a experiência a ensinou a não confiar cegamente em recomendações de IA, especialmente em temas técnicos e sensíveis como questões legais.
Alucinação de IA: o que é, por que acontece e por que isso importa
O relato de Kim Kardashian e ChatGPT joga luz sobre um problema conhecido dos modelos de linguagem: a “alucinação” de IA. O termo descreve momentos em que o sistema gera respostas falsas ou imprecisas com aparência de verdade, em vez de assumir que não tem certeza. Esses modelos são treinados para prever a próxima palavra mais provável, o que maximiza fluência, mas não garante exatidão factual.
Entre os fatores que alimentam as alucinações estão dados desatualizados ou incompletos, interpretações equivocadas de perguntas complexas, ausência de verificação cruzada e a dependência de probabilidades linguísticas. Em Direito, onde precisão e referência a fontes primárias são cruciais, essas limitações podem induzir a erros, inclusive quando o chatbot interpreta imagens de questões, como relatou Kim.
O risco não é apenas acadêmico. Já houve casos de advogados punidos após apresentarem petições com precedentes inexistentes gerados por ferramentas de IA, um alerta claro de que a tecnologia deve ser usada como apoio, e não como substituto do raciocínio jurídico e da checagem humana. No debate público, a OpenAI, responsável pelo ChatGPT, nega que a ferramenta tenha parado de dar conselhos médicos e jurídicos, mas lembra que o uso responsável exige avaliação crítica das respostas.
Como a história de Kim ajuda a entender o uso responsável da IA nos estudos
A anedota sobre Kim Kardashian e ChatGPT funciona como um estudo de caso de didática tecnológica. Para estudantes e profissionais, a principal lição é que a IA generativa oferece velocidade e amplitude, mas exige contexto, verificação e fonte. Em áreas reguladas, o ideal é sempre confrontar a resposta do chatbot com materiais oficiais, doutrina, jurisprudência e orientações de professores e mentores.
Outro ponto é formular perguntas com clareza e delimitar o escopo das respostas, evitando delegar ao sistema decisões que pedem análise jurídica cuidadosa. Quando houver imagens de questões, a interpretação automática pode perder nuances importantes do enunciado, o que reforça a necessidade de revisão atenta. Em avaliações, o uso de IA deve respeitar regras acadêmicas para evitar infrações e, claro, equívocos que custem pontos e aprendizado.
Por fim, o caso mostra que, embora ferramentas como o ChatGPT possam ser úteis para revisar conceitos, propor esboços de estudo ou sugerir caminhos de pesquisa, a curadoria humana continua indispensável. No equilíbrio entre eficiência e precisão, a experiência de Kim ajuda a lembrar que, diante da alucinação de IA, vale redobrar a checagem, confiar nos próprios instintos, como ironizou o próprio chatbot, e transformar cada “tropaço” em melhoria de método.
Com a discussão em alta, a tendência é que o uso de IA na educação jurídica siga amadurecendo, com políticas mais claras de transparência, atribuição e checagem, para que histórias como a de Kim Kardashian e ChatGPT sirvam menos como alerta e mais como impulso para um uso consciente, informado e realmente benéfico das novas tecnologias.

