Entenda a diferença entre lhama e alpaca, com dados de peso e altura, dicas de identificação, origem evolutiva e usos, segundo criadores e veterinários
A diferença entre lhama e alpaca pode passar despercebida em fotos, já que ambas são camelídeos de pescoço longo, pelagem farta e vida em rebanho. Mas, apesar da aparência semelhante, elas não são o mesmo animal. Especialistas explicam que cada espécie foi domesticada com um propósito e desenvolveu traços físicos e comportamentais que ajudam na identificação rápida.
Segundo a fazendeira Rebecca Gill, da Cotton Creek Farms, e o veterinário David Anderson, da Universidade do Tennessee, que falaram ao Live Science, lhamas e alpacas têm origem comum nas Américas, porém trilharam caminhos diferentes ao longo de milhares de anos. Entender a diferença entre lhama e alpaca passa por observar tamanho, formato das orelhas e do focinho, textura da fibra, comportamento no rebanho e uso histórico.
Tamanho e anatomia: como reconhecer à primeira vista
Na prática, a primeira pista é o porte. Dados citados pela Rutgers University indicam que a lhama pesa entre 130 e 200 quilos e mede cerca de 1,15 metro de altura na região da cernelha. Já a alpaca costuma ficar entre 45 e 80 quilos, com cerca de 90 centímetros na cernelha. Como resume Rebecca Gill, “mesmo a maior alpaca não chega perto de uma lhama em tamanho”.
A cabeça também entrega quem é quem. As alpacas têm orelhas menores, em formato de gota, e focinho mais curto, com expressão mais delicada. As lhamas exibem orelhas mais longas, curvadas como bananas, e rosto mais alongado. Para quem busca memorizar a diferença entre lhama e alpaca, observar o conjunto porte, orelha e focinho costuma resolver a identificação em segundos.
Pelagem e uso da fibra: maciez versus robustez
Outra chave para perceber a diferença entre lhama e alpaca é a pelagem. Em geral, a fibra da alpaca é mais fina, sedosa e uniforme, muito valorizada na indústria têxtil por ser macia e muito quente. Por isso, é comum que a lã de alpaca seja escolhida para peças de contato direto com a pele, como mantas, ponchos e roupas térmicas tradicionais dos Andes.
Já a lhama costuma apresentar pelo mais grosso e áspero, embora existam variações individuais nas duas espécies. Criadores apontam que a fibra de lhama é menos usada para vestuário que exige toque suave, mas pode ser indicada para itens em que a resistência seja prioridade. Essa vocação reflete o histórico de seleção de cada animal, algo que ajuda a fixar a diferença entre lhama e alpaca no cotidiano de quem cria ou convive com os dois camelídeos.
Origem, domesticação e comportamento no rebanho
De acordo com David Anderson, lhamas (Lama glama) e alpacas (Lama pacos ou Vicugna pacos) descendem de ancestrais que surgiram no oeste da América do Norte. Durante a última Era do Gelo, quando havia a ponte de terra de Bering, esses animais se espalharam para a Ásia, dando origem aos camelos, e para a América Central e do Sul, onde evoluíram para lhamas, alpacas e parentes selvagens como o guanaco e a vicuña. Anderson lembra ainda que, do ponto de vista evolutivo, ver lhamas e alpacas de volta aos Estados Unidos é quase uma volta às origens do grupo.
Estudos citados por Anderson e pelo Live Science mostram que a domesticação começou há cerca de 6 mil a 7 mil anos na região andina. As evidências sugerem que as lhamas foram domesticadas a partir do guanaco, enquanto as alpacas derivaram da vicuña, distinção aceita pela comunidade científica, ainda que detalhes sigam em debate.
Esse passado se reflete no comportamento e no uso. Por ser mais robusta, a lhama foi amplamente empregada como animal de carga por povos andinos, incluindo os incas, suportando peso em longas distâncias e em terrenos íngremes. Seu esterco também foi utilizado como fertilizante, contribuindo para a agricultura em grandes altitudes. A alpaca, por sua vez, foi selecionada principalmente pela qualidade da fibra, base de boa parte do artesanato têxtil tradicional dos Andes.
No comportamento de rebanho, Rebecca Gill observa que as lhamas tendem a ser mais vigilantes e protetoras, encarando ameaças quando necessário. As alpacas costumam ser mais tímidas e evitar o confronto, recuando quando algo as incomoda. Anderson acrescenta que, diante de risco, a alpaca tende a se afastar, enquanto a lhama pode se colocar entre a ameaça e o grupo, o que reforça na prática a diferença entre lhama e alpaca.
Para quem decide qual espécie criar, a regra costuma ser direta. Se a necessidade é um animal de proteção e apoio ao manejo, capaz de vigiar e atuar como barreira diante de predadores, a lhama se destaca. Se o foco é a produção de fibra têxtil de alto valor, com maciez e excelente poder térmico, a alpaca é a escolha mais frequente. Em ambos os casos, tratam-se de animais inteligentes e treináveis, que surpreendem pela docilidade e pela facilidade em aprender comandos.
Em resumo, a diferença entre lhama e alpaca fica clara ao cruzar três pistas, porte e anatomia, textura da pelagem e comportamento no rebanho. Com essas referências, fica mais simples reconhecer cada espécie à primeira vista e entender por que elas desempenham papéis tão distintos na história, na ciência e no dia a dia das fazendas andinas.

