Departamento de Justiça dos EUA dá sinal verde para a compra da Wiz pelo Google, acordo bilionário que reforça o Google Cloud e pode ser concluído apenas em 2026
A compra da Wiz pelo Google avançou uma etapa decisiva. Após meses de análise, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos aprovou a transação de US$ 32 bilhões, tornando o acordo a maior aquisição da história da Alphabet, controladora do Google. O movimento coloca a gigante de tecnologia um passo mais perto de integrar a startup israelense de cibersegurança ao seu portfólio, com foco especial no Google Cloud.
O anúncio da aprovação aconteceu durante um evento do Wall Street Journal, na terça-feira, 04, quando o CEO da Wiz, Assaf Rappaport, confirmou que o negócio havia recebido o aval inicial do governo americano. Para o executivo, o avanço representa um “marco importante” para ambas as empresas.
Ainda assim, a jornada não terminou. De acordo com a Reuters, a aprovação do Departamento de Justiça não encerra o processo regulatório. O próprio Rappaport destacou que ainda há outras revisões antes do fechamento definitivo, com a expectativa de que a transação seja concluída apenas em 2026. Segundo a agência, “O Departamento de Justiça e a Wiz não respondem aos pedidos de comentários da agência.”
Como o acordo chegou até aqui e por que ele é histórico
A compra da Wiz pelo Google é resultado de uma negociação que começou em 2024. Naquele ano, o Google teria oferecido US$ 23 bilhões pelo negócio, proposta recusada porque, segundo a direção da startup, havia espaço para crescer ainda mais. Nos primeiros meses de 2025, as conversas foram retomadas e, em março, o Google anunciou a aquisição por US$ 32 bilhões.
O valor expressivo transforma a operação na maior aquisição já realizada pela Alphabet. A dimensão do acordo reflete a importância estratégica da segurança cibernética em um cenário de ameaças digitais cada vez mais sofisticadas e do avanço acelerado da inteligência artificial generativa, áreas em que o Google busca expandir sua presença.
Fundada em Israel por ex-militares, a Wiz se destacou com uma plataforma de segurança em nuvem que ajuda empresas a identificar, priorizar e mitigar riscos em ambientes complexos de TI. A reputação técnica e o crescimento acelerado da startup a colocaram no centro da disputa por talentos e soluções no setor de cibersegurança corporativa.
O que muda com a Wiz no Google Cloud e no ecossistema de cibersegurança
O plano do Google é integrar a Wiz à unidade Google Cloud, ampliando os recursos de proteção para clientes corporativos e fortalecendo a oferta contra vulnerabilidades em ambientes multicloud. Ao consolidar a compra da Wiz pelo Google, a companhia pretende oferecer uma camada adicional de visibilidade e automação, ponto crítico em tempos de expansão da IA e de ataques mais oportunistas e distribuídos.
Na prática, a tecnologia da Wiz deve complementar os serviços de segurança existentes no Google Cloud, criando sinergias para detecção proativa de riscos, conformidade contínua e resposta rápida a incidentes. Para clientes, a promessa é reduzir complexidade operacional, ganhar transparência sobre superfícies de ataque e acelerar correções sem paralisar aplicações críticas.
O movimento também responde à corrida entre big techs por liderança em segurança em nuvem. Em meio a investimentos recordes em infraestrutura e IA, a Alphabet tem reforçado sua capacidade de execução e caixa. Conforme informações relacionadas ao plano de expansão, A Alphabet vai emitir pelo menos três bilhões de euros (cerca de R$ 18 bilhões) em títulos na Europa para financiar sua expansão em inteligência artificial e infraestrutura de nuvem. A oferta será dividida em seis partes, com prazos que variam de três a 39 anos, e marca a segunda captação da empresa no mercado europeu em 2025.
Próximos passos regulatórios e quando a compra deve ser concluída
Mesmo com o aval do Departamento de Justiça, a compra da Wiz pelo Google ainda precisa superar etapas adicionais, que incluem outras revisões regulatórias e possíveis consultas concorrenciais em diferentes mercados. Esse trâmite explica por que, segundo Assaf Rappaport, o fechamento definitivo é esperado somente em 2026.
Nesse período, Google e Wiz devem continuar atuando de forma independente, mantendo operações, clientes e equipes sob governança separada, até que o closing seja autorizado. Somente após a conclusão formal é que começará a integração operacional completa, especialmente no Google Cloud.
Para o Google, o desfecho positivo da transação permitirá acelerar a entrega de soluções de segurança nativas de nuvem, aumentar a confiança de clientes corporativos e diferenciar sua plataforma frente a concorrentes. Para a Wiz, a combinação com a infraestrutura global do Google tende a ampliar alcance comercial, investimentos em P&D e capacidade de inovação.
Ao classificar a aprovação como um “marco importante”, o CEO da Wiz reforçou a relevância estratégica do acordo para o setor. Se confirmada no cronograma previsto, a compra da Wiz pelo Google terá impacto direto no mercado de cibersegurança, elevando a competição por talentos, consolidando tecnologias complementares e acelerando a oferta de soluções que respondem às ameaças digitais mais complexas da atualidade.

