Astrofotógrafos na Áustria e na Espanha registram o cometa 3I/ATLAS com jatos e quatro a cinco caudas, especialistas reforçam que o visitante interestelar segue sua efeméride e pode ser acompanhado em tempo real
O cometa 3I/ATLAS, segundo visitante interestelar registrado em nosso Sistema Solar, voltou ao campo de visão após semanas ofuscado pelo brilho solar e surpreendeu observadores com uma cauda cometária incomum. Novas imagens mostram múltiplas estruturas apontando em direções diferentes e um aspecto que lembra “fumaça”, algo que rapidamente inflou especulações nas redes. Astrônomos e astrofotógrafos, no entanto, reforçam que não há qualquer indício de comportamento artificial, e que o objeto continua se comportando como um cometa interestelar.
No momento, o cometa 3I/ATLAS surge baixo no horizonte leste, cerca de uma hora antes do amanhecer, na constelação de Virgem. Por estar muito fraco e próximo à luz do dia, não é visível a olho nu nem com binóculos. Para observá-lo, são recomendados telescópios de médio porte, em locais com céu escuro e baixa poluição luminosa.
O que as novas imagens do cometa 3I/ATLAS revelam
O astrofotógrafo austríaco Michael Jäger, que monitora o cometa 3I/ATLAS, registrou a estrutura mais complexa logo no reaparecimento do objeto no céu. “Temos algo incomum para relatar”, disse ele ao Spaceweather.com. “O cometa mostrou uma estrutura de cauda complexa no início desta manhã.” Segundo Jäger, o registro foi feito quando o 3I/ATLAS estava entre 7 e 10 graus acima do horizonte. “O crepúsculo e a luz intensa da Lua dificultaram a observação. Fizemos as imagens de um ponto elevado nas montanhas”.
Na captura austríaca, é possível identificar quatro ou cinco caudas distintas, incluindo um jato fino direcionado para o Sol. Em outro registro, feito por Frank Niebling a partir do norte da província de Granada, na Andalucía, Espanha, nota-se também um aspecto “fumegante” no final da cauda maior, mesmo sob interferência lunar. A tomada, realizada com um telescópio RASA de 11 polegadas, resulta da soma de 24 exposições de 35 segundos no verde, duas exposições de 35 segundos no vermelho e duas exposições de 35 segundos no azul, evidenciando uma coma acompanhada de múltiplas caudas. As imagens foram publicadas com crédito a Michael Jäger & Gerald Rhemann/Observatório Aéreo de Martinsberg e a Frank Niebling, via Spaceweather.com.
Esses registros contrastam com fotografias dos dias anteriores, quando o cometa 3I/ATLAS aparecia apenas como uma mancha difusa, sem cauda definida. Em 9 de novembro de 2025, por exemplo, a estrutura foi capturada mesmo com a Lua 82% iluminada e com o cometa a apenas 9 a 12 graus de altura, condições desafiadoras para astrofotografia.
Não é nave alienígena, o que dizem as medições e a astrometria
Apesar do visual intrigante e do burburinho nas redes, especialistas destacam que o cometa 3I/ATLAS não apresenta sinais de tecnologia ou propulsão artificial. “A astrometria mostrou que ele continua seguindo a efeméride”, afirmou Jäger, referindo-se à posição prevista do corpo no espaço. “Os desvios foram inferiores a um segundo de arco. Ele não desacelerou nem liberou nenhuma pequena espaçonave.”
Esse comportamento é consistente com fenômenos naturais em cometas, especialmente os interestelares, que podem exibir jatos assimétricos, múltiplas caudas e mudanças de brilho conforme rotação, aquecimento solar e liberação de voláteis. A combinação de geométrica de iluminação, ângulo de visão e atividade do núcleo ajuda a explicar por que a cauda pode parecer se dividir em várias direções ou “soltar fumaça”. Até o momento, as medições de posição e velocidade mantêm o 3I/ATLAS dentro do padrão previsto por sua efeméride, confirmando sua natureza de cometa em trajetória hiperbólica que cruzará o Sistema Solar e seguirá viagem para o espaço interestelar.
Para o público, a mensagem central é clara, o cometa 3I/ATLAS oferece um espetáculo raro, porém natural, e a comunidade científica monitora sua evolução com observações e astrometria de alta precisão.
Como observar e acompanhar o cometa 3I/ATLAS em tempo real
Quem deseja tentar observar o cometa 3I/ATLAS deve procurar janelas logo antes do amanhecer, mirando baixo no leste, na constelação de Virgem. Devido ao brilho reduzido e à proximidade da luz do dia, a recomendação é usar ao menos um telescópio de médio porte, preferencialmente em locais com céu escuro e pouca interferência luminosa. A presença da Lua pode atrapalhar, por isso é útil checar a fase lunar e as condições atmosféricas.
Para acompanhar a trajetória do 3I/ATLAS sem sair de casa, há várias plataformas de confiança. O The Sky Live apresenta posição atual, distância em relação à Terra e constelação do momento, além de prever coordenadas futuras, recurso valioso para planejar observações. O 3Iatlaslive agrega dados da NASA para exibir mapas bidimensionais que simulam o movimento do cometa pelo Sistema Solar. No YouTube, transmissões ao vivo costumam utilizar o Eyes on the Solar System, simulador interativo da própria NASA, que permite visualizar a órbita do cometa 3I/ATLAS em tempo real. Mesmo durante a paralisação parcial do governo dos EUA, que afeta algumas operações da agência, o simulador segue funcionando normalmente, oferecendo uma experiência gratuita, educativa e envolvente.
Com novas imagens surgindo a cada dia e a comunidade de astrofotógrafos atenta, o cometa 3I/ATLAS continuará sob os holofotes. Para quem se interessa por astronomia e fenômenos raros, vale acompanhar as atualizações e, sempre que possível, planejar observações, lembrando que a melhor janela ocorre na madrugada, próximo ao nascente, e que a aparência da cauda pode mudar conforme as condições de observação e a atividade cometária.

