Com empuxo maior nos BE-4, reforço de 25% nos BE-3U e carenagem reutilizável, o New Glenn 9×4 mira reduzir custos e ampliar a capacidade para 70 toneladas métricas em órbita terrestre baixa
A Blue Origin abriu um novo capítulo na disputa pelos grandes lançamentos ao espaço ao anunciar uma versão superpesada do seu foguete, o New Glenn 9×4. A novidade chega na esteira do êxito da segunda missão do New Glenn, concluída na semana passada, que, segundo a empresa, enviou com sucesso duas sondas da NASA para Marte e ainda recuperou o primeiro estágio no mar. Com o 9×4, a companhia de Jeff Bezos planeja um salto de capacidade, mirando 70 toneladas métricas em órbita terrestre baixa e uma carenagem de 8,7 metros, a maior do mercado.
O plano, descrito como agressivo, inclui também uma atualização progressiva do New Glenn atual, começando já na terceira missão do foguete (NG-3), prevista para o próximo ano. A mensagem é clara: depois de anos de atrasos, a Blue Origin quer acelerar a cadência, reduzir custos e disputar contratos de megaconstelações, exploração lunar e missões no espaço profundo, além de oportunidades de segurança nacional.
Motores mais potentes e salto de desempenho
No coração das mudanças estão os motores. O primeiro estágio do New Glenn, reutilizável e equipado com sete BE-4, terá o empuxo ampliado em mais de 15%. Na prática, a força total vai de 3,9 milhões de libras para 4,5 milhões. Já o segundo estágio, com dois BE-3U, ganhará um reforço de 25% em potência.
Essas melhorias serão introduzidas de forma gradual, com início a partir da missão NG-3. A atualização pavimenta o caminho para a nova configuração New Glenn 9×4, que combina nove BE-4 no primeiro estágio e quatro BE-3U no segundo, destravando um patamar de capacidade pensado para cargas volumosas e trajetórias mais exigentes.
O resultado esperado é um veículo com margem para grandes constelações de satélites e missões interplanetárias, mantendo a filosofia de reutilização do primeiro estágio que a Blue Origin demonstrou na segunda missão, quando efetuou a recuperação no mar.
Carenagem gigante, reutilização e redução de custos
Além do ganho de empuxo, a empresa confirmou uma carenagem de carga útil reutilizável, um novo design de tanques mais barato e um sistema de proteção térmica mais eficiente. O pacote busca elevar a taxa de lançamentos e reduzir o custo por quilo colocado em órbita, algo essencial para viabilizar contratos de alto volume.
O destaque fica para a carenagem: com 8,7 metros de diâmetro, o New Glenn 9×4 passa a oferecer a cobertura mais espaçosa do mercado. Ela supera a já generosa carenagem de 7 metros do New Glenn atual, que por sua vez é maior do que a de concorrentes como o Falcon Heavy, da SpaceX. Ainda assim, em termos de escala, o novo New Glenn continua menor que a Starship, também da SpaceX, que pertence a outra categoria de superpesados.
No que diz respeito à capacidade, a variante 9×4 foi apresentada com 70 toneladas métricas para a órbita terrestre baixa, um aumento de mais de 50% em relação às 45 toneladas do New Glenn original, conhecido internamente como “7×2”. Esse salto posiciona o New Glenn 9×4 como um rival direto na faixa de foguetes pesados e superpesados, um segmento estratégico para constelações comerciais e missões governamentais.
Mercado-alvo, coexistência de versões e o que vem a seguir
A Blue Origin enfatizou que o New Glenn 9×4 não substituirá o modelo atual. As duas variantes serão oferecidas simultaneamente ao mercado, desenhadas para atender necessidades distintas de clientes comerciais e governamentais. O horizonte de demanda mapeado inclui desde o lançamento de megaconstelações e missões de exploração lunar e no espaço profundo, até contratos de segurança nacional, como os do programa “Golden Dome” do Departamento de Defesa dos EUA.
Outro ponto relevante é o cronograma. Embora a atualização incremental do New Glenn comece já na NG-3 do próximo ano, a Blue Origin não divulgou uma janela específica para a entrada em operação do New Glenn 9×4. A opção por revelar a arquitetura, os números de performance e os ganhos de reuso, no entanto, indica uma estratégia de sinalização ao mercado e aos fornecedores de que a empresa está pronta para escalar.
Depois de estrear a recuperação do primeiro estágio no mar e fechar uma missão que “enviou com sucesso duas sondas da NASA para Marte”, a companhia de Jeff Bezos dá um recado direto ao setor: o New Glenn evolui e o New Glenn 9×4 está no radar para ampliar o alcance da Blue Origin. Se a cadência de lançamentos aumentar como planejado, os novos números — 4,5 milhões de libras de empuxo no primeiro estágio, 25% a mais de potência no segundo e 70 toneladas métricas de capacidade — podem redesenhar a disputa por grandes cargas, inclusive em mercados hoje dominados pela SpaceX.
Em um cenário em que capacidade, custo e reutilização definem a competitividade, o pacote anunciado pela Blue Origin posiciona o New Glenn 9×4 como uma alternativa robusta para clientes que precisam de carenagens maiores, janelas de lançamento mais frequentes e integração de cargas complexas. O próximo passo será transformar essas especificações em voos regulares, consolidando o New Glenn como peça-chave no ecossistema de acesso ao espaço.

