COP30: Alemanha confirma aporte de R$ 6,1 bilhões no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), diz Marina Silva

COP30: Alemanha vai investir R$ 6,1 bi em fundo florestal do Brasil, diz Marina Silva

Na COP30 em Belém, anúncio de € 1 bilhão reforça o TFFF, mecanismo apoiado por Banco Mundial e FMI que mira preservar 80% das florestas tropicais até 2050

A COP30 ganhou um impulso financeiro de peso nesta quarta-feira, 19, com o anúncio de que a Alemanha fará um aporte de € 1 bilhão, o equivalente a R$ 6,1 bilhões, ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). A confirmação foi feita pela ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva, em Belém, sede da conferência. O gesto alemão chega em um momento decisivo para a arquitetura financeira da agenda climática e amplia a relevância do Brasil como articulador do financiamento à conservação de florestas na COP30.

Segundo Marina, o aporte alemão coroa uma sequência de negociações que vêm sendo conduzidas pelo governo brasileiro com parceiros multilaterais e países doadores. “tivemos a alegria de ver a Alemanha anunciar o seu aporte”, disse a ministra, ressaltando também “a todo o esforço que vem sendo feito e em demonstração de que, de fato, esse instrumento de financiamento global é muito bem desenhado, muito bem estruturado e começa a dar as respostas esperadas”.

O ministro do Meio Ambiente da Alemanha e representante do país na COP30, Carsten Schneider, reforçou a confiança no mecanismo. Aos presentes, declarou: “Nós estamos convencidos que o TFFF é uma excelente ideia”. A sinalização consolida um apoio que já havia sido antecipado na “pré-COP30”, quando Berlim indicou que buscava oferecer uma contribuição “considerável”. Na ocasião, o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, afirmou: “Se a Alemanha diz que é considerável, será considerável”, enfatizando a frase três vezes em coletiva.

O que é o TFFF e por que a COP30 abraçou a ideia

Proposto conjuntamente por Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo, países que concentram as maiores florestas tropicais do planeta, o TFFF nasceu para dar escala e previsibilidade à proteção da natureza. A iniciativa, apresentada inicialmente na Assembleia-Geral das Nações Unidas, em setembro, conta com o apoio de organismos internacionais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

De acordo com o Itamaraty, a meta central do TFFF é garantir a preservação de pelo menos 80% das florestas tropicais até 2050. Para isso, o desenho prevê um fundo patrimonial que gere rendimentos permanentes, reduzindo a dependência de doações pontuais. Esses recursos serão direcionados a projetos de redução do desmatamento, recuperação de áreas degradadas e promoção de atividades econômicas sustentáveis, combinando conservação com desenvolvimento de médio e longo prazos.

Na COP30, onde financiamento climático e descarbonização dominam as discussões, a proposta é vista como uma nova etapa da cooperação internacional, fundada em parcerias duradouras e na corresponsabilidade entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. O anúncio do aporte alemão reforça a percepção de que o TFFF pode se tornar um pilar financeiro estável para a proteção das florestas tropicais.

Quem já colocou dinheiro no TFFF e quanto falta

Além da Alemanha, o TFFF soma compromissos de Brasil (US$ 1 bilhão, R$ 5,3 bilhões), Noruega (US$ 3 bilhões, R$ 15,9 bilhões), Indonésia (US$ 1 bilhão, R$ 5,3 bilhões) e França (US$ 500 milhões, R$ 2,6 bilhões). O governo brasileiro informou que, na “Cúpula dos Líderes”, a chamada pré-COP30, ao menos 53 países já demonstraram apoio ao fundo. Ainda segundo o Planalto, a iniciativa já garantiu 50% dos recursos de 2026, sinalizando tração financeira e compromisso político crescentes.

O movimento confirma a estratégia de criar um mecanismo com renda recorrente, capaz de sustentar ações contínuas e mensuráveis nos territórios, desde o combate ao desmatamento ilegal até a geração de renda em cadeias produtivas sustentáveis. Para o Brasil, anfitrião da COP30 e detentor da maior floresta tropical do mundo, o TFFF também consolida a posição de liderança do país na diplomacia climática.

Ao vincular aportes robustos a metas claras de conservação, o TFFF responde a uma cobrança recorrente da comunidade científica e de movimentos sociais: transformar promessas em execução efetiva. A chegada de € 1 bilhão da Alemanha, anunciada em plena COP30, funciona como sinal para outros doadores públicos e privados, além de bancos de desenvolvimento.

Diplomacia, polêmica e o recado de Belém

O anúncio ocorre dois dias após uma polêmica envolvendo o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, que, segundo relatos, comparou Brasil e Alemanha e disse que a delegação de seu país ficou contente em deixar Belém (PA). Um porta-voz do governo local já indicou que o chanceler não vai se desculpar. Apesar do atrito, o aporte sinaliza a disposição de Berlim em separar divergências pontuais do compromisso com a agenda climática.

Para Marina Silva, o foco permanece nos resultados. Além de afirmar que “tivemos a alegria de ver a Alemanha anunciar o seu aporte”, a ministra destacou “a todo o esforço que vem sendo feito e em demonstração de que, de fato, esse instrumento de financiamento global é muito bem desenhado, muito bem estruturado e começa a dar as respostas esperadas”. Na leitura do governo, o recado emitido na COP30 é que a proteção das florestas tropicais, sobretudo da Amazônia, exige financiamento previsível e cooperação multilateral consistente.

Com apoio explícito do Banco Mundial e do FMI, a adesão de países doadores e a mobilização diplomática liderada por Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo, o TFFF entra na reta final da COP30 como uma das iniciativas mais observadas pelos negociadores. A meta de preservar 80% das florestas tropicais até 2050 ganha, com o aporte alemão, um passo concreto para sair do papel e influenciar a geopolítica do clima na próxima década.

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