Nubank demitiu funcionários um dia após reunião sobre retorno ao escritório, entenda o que muda no trabalho híbrido, o motivo alegado pela fintech e as cobranças do sindicato
Nubank demitiu funcionários após um encontro interno que anunciou o fim do trabalho 100% remoto e a adoção de um cronograma de trabalho híbrido a partir do próximo ano. O caso levantou dúvidas entre colaboradores e consumidores, e colocou em lados opostos a fintech, o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região e ex-funcionários.
Segundo relatos, a reunião ocorreu na quinta-feira, 6, foi apresentada como um “coffee break” e teve a participação do CEO David Vélez. Um dia depois, 12 trabalhadores foram demitidos, o que gerou questionamentos sobre o motivo real dos desligamentos.
De um lado, o sindicato afirma que recebeu denúncias de que os cortes ocorreram por conta de manifestações contrárias às mudanças. Do outro, o Nubank sustenta que as demissões estão relacionadas à conduta de alguns ex-colaboradores, não à discordância em si.
O que muda no trabalho híbrido do Nubank a partir de 2026
Na reunião, a empresa comunicou o fim do modelo 100% remoto a partir do próximo ano e definiu um cronograma de retorno presencial gradual. A fintech prevê dois dias por semana no escritório até 1º de julho de 2026 e, em seguida, três dias por semana até 1º de janeiro de 2027.
O anúncio busca padronizar a política de retorno ao escritório, que vem sendo adotada por diversas companhias de tecnologia e serviços financeiros. Para o Nubank, a mudança pretende fortalecer colaboração e cultura interna, preservando canais de debate, mas com regras de convivência claras.
A decisão, no entanto, provocou discordância de parte dos empregados, que até então operavam em home office. O debate sobre flexibilidade, produtividade e engajamento voltou ao centro da discussão, com impactos diretos no cotidiano de milhares de profissionais.
Como foi a reunião “coffee break” e por que 12 pessoas foram desligadas
De acordo com o sindicato, a reunião reuniu cerca de 7 mil dos 9,5 mil empregados da fintech e ocorreu sem aviso prévio ao órgão. A entidade diz ter sido procurada por trabalhadores que relataram demissões no dia seguinte, após manifestações contrárias às mudanças. A presidenta, Neiva Ribeiro, cobrou explicações e transparência sobre os critérios de desligamento.
Em nota, a dirigente afirmou, “Os trabalhadores foram convidados a se manifestar em uma reunião e depois são punidos com demissão? Queremos esclarecimentos”. O sindicato afirma que entrou em contato com os desligados e que as versões de empresa e funcionários divergem. A entidade também planeja uma reunião virtual para esclarecer os fatos.
No LinkedIn, um ex-funcionário, Rafael Calsaverini, que trabalhou cinco anos na companhia, disse que o Nubank “cultivou por anos a ideia de que confrontar a gestão da empresa é perfeitamente válido”, questionando por que “agora essa regra, que se manteve por mais de uma década, se tornou inválida sem justificativa. É absurdo cultivar essa expectativa e depois puxar o tapete debaixo do pé das pessoas”.
Ele argumentou que as mensagens que motivaram as demissões foram “meros comentários irônicos pontuais que não são justificativa para justa causa. Garanto que, em 5 anos, vi mensagens bem mais agressivas e injuriosas que não resultaram em demissões”. Essas declarações alimentaram o debate sobre liberdade de expressão em canais corporativos e limites de convivência.
O que dizem o Nubank e David Vélez sobre as demissões
Questionado, o Nubank afirma que “trabalha para preservar canais e rituais abertos para o livre debate entre seus funcionários, mas não tolera desrespeito e violações de conduta”, e que “não comenta casos individuais de desligamento”. A empresa nega que as demissões tenham ocorrido por mera discordância sobre o trabalho híbrido, atribuindo os desligamentos a violações de conduta no ambiente interno.
Em resposta pública no LinkedIn a Calsaverini, o CEO David Vélez afirmou, “Você não faz ideia do tipo de linguagem e comportamento dessas pessoas. Confundiram um canal corporativo com rede social ou arquibancada de estádio. Você não aceitaria esse comportamento na sua própria casa”. A fala indica que, para a liderança, a linha foi ultrapassada em termos de linguagem e comportamento, ainda que os detalhes específicos não tenham sido divulgados.
Na prática, o debate central é se o Nubank demitiu funcionários por divergirem do retorno presencial ou por condutas consideradas inadequadas nos canais internos. Enquanto o sindicato pede que não haja retaliação contra quem se manifestou e cobra transparência nos critérios, a fintech reforça que mantém espaços para o diálogo, porém com regras de respeito.
Para os trabalhadores, a mudança de política impacta rotina, custos e conciliação de vida pessoal e profissional. Para a empresa, o modelo híbrido busca recompor a colaboração presencial e a cultura de time. Até que novos fatos venham à tona, o caso se mantém como um dos exemplos mais emblemáticos da transição do home office para o retorno ao escritório no setor de tecnologia e serviços financeiros no Brasil.
Em síntese, Nubank demitiu funcionários, 12 ao todo, após a reunião sobre o novo modelo de trabalho. A fintech atribui a decisão a violações de conduta, o sindicato levanta suspeitas de retaliação e pede diálogo. O desfecho dependerá de novas conversas, de mais transparência e do acompanhamento das próximas medidas internas.

