BC aposta em mais controle do usuário para conter fraudes no Pix
O Banco Central prepara uma ferramenta que permitirá ao cidadão ativar o bloqueio de novas chaves Pix vinculadas ao seu CPF. A funcionalidade será integrada ao Registrato, ambiente oficial que reúne dados financeiros do cliente, como contas, empréstimos e chaves cadastradas, e tem como objetivo reduzir cadastros indevidos feitos por criminosos em contas de terceiros.
Segundo o BC, o bloqueio de novas chaves Pix funcionará como um travamento proativo. Com a opção ativada, nenhuma nova chave poderá ser criada sem a autorização expressa do titular, o que dificulta tentativas de fraude e garante mais controle sobre a identidade financeira. A proposta é semelhante a um outro serviço que, a partir de dezembro, permitirá também impedir a abertura de contas sem o consentimento do cliente.
De acordo com Breno Lobo (via G1), chefe-adjunto do Departamento de Competição e Estrutura do Mercado Financeiro do BC, o modelo seguirá o mesmo padrão desse mecanismo contra a abertura indevida de contas, oferecendo uma camada adicional de segurança e transparência para quem usa o Pix diariamente.
Como vai funcionar no Registrato
Ao acessar o Registrato, o usuário encontrará a opção para acionar o bloqueio de novas chaves Pix em seu nome. Uma vez ativado, somente o próprio titular poderá liberar um novo cadastro quando desejar, o que impede que terceiros criem chaves atreladas ao seu CPF sem permissão. O recurso segue a linha de dar ao cidadão mais autonomia sobre seus dados, reduzindo riscos especialmente em contas conjuntas ou empresariais.
O mecanismo complementa rotinas já existentes de segurança no ecossistema do Pix, como a verificação entre instituições e a rastreabilidade das chaves. A implementação no Registrato concentra o controle em um hub oficial do BC, simplificando o monitoramento e evitando múltiplos passos em diferentes bancos ou carteiras digitais.
A orientação do BC é que os clientes mantenham seus dados atualizados no sistema e adotem práticas de segurança no dia a dia, como autenticação em dois fatores nos aplicativos, verificação do nome do recebedor antes de confirmar transferências e cuidado redobrado com mensagens suspeitas em apps como WhatsApp, Instagram e Facebook.
BC endurece combate a golpes no Pix
O bloqueio de novas chaves Pix se soma a medidas recentes do regulador para reduzir fraudes. Em outubro, a autoridade passou a bloquear automaticamente chaves marcadas como suspeitas, e implementou um botão de contestação nos aplicativos bancários, que facilita a devolução de valores em casos de transações fraudulentas. Esses movimentos miram tanto a prevenção, com travas na origem do golpe, quanto a resposta rápida após a ocorrência.
De acordo com o Banco Central, “Só nos últimos meses, mais de 245 milhões de chaves foram excluídas, segundo o BC – muitas delas por erro de digitação, morte do titular ou cancelamento a pedido do cliente.” O volume ajuda a dimensionar o dinamismo do cadastro de chaves e reforça a importância de controles de criação e exclusão, especialmente quando criminosos tentam vincular dados de terceiros a contas fraudadas.
Perdas crescem e golpes ficam mais profissionais, diz estudo
O prejuízo médio com golpes no Pix aumentou 21% em 2025, segundo a empresa de inteligência financeira Silverguard. No primeiro semestre de 2025, cada vítima perdeu em média R$ 2,54 mil por caso, contra R$ 2,1 mil no mesmo período do ano anterior. O estudo, que analisou mais de 12 mil denúncias, mostra que quanto maior a renda e a idade da vítima, maior o valor perdido. Pessoas acima de 60 anos tiveram prejuízos médios acima de R$ 4,8 mil, enquanto as classes A e B registraram perdas de até R$ 10,5 mil por ocorrência.
A pesquisa também indica mudança de padrão nas operações criminosas. Mais de 65% das transferências fraudulentas agora têm como destino contas de pessoas jurídicas, sinalizando uma estrutura mais organizada para escoar os recursos. Para Marcia Netto, CEO da Silverguard e coordenadora da pesquisa, isso mostra que “golpes digitais deixaram de ser práticas amadoras” e se tornaram uma “indústria criminosa altamente estruturada”.
O levantamento aponta ainda que o WhatsApp segue como principal canal de origem dos golpes, seguido por Instagram e Facebook. No campo da mitigação, o Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central para reverter transações fraudulentas, foi acionado 7,7 milhões de vezes apenas no primeiro semestre. Ao combinar o bloqueio de novas chaves Pix com o MED e as travas de contestação em aplicativos, o sistema de pagamentos instantâneos reforça a prevenção e a capacidade de resposta, reduzindo o tempo de exposição das vítimas e encarecendo a atuação dos golpistas.
Para quem usa o Pix no dia a dia, o recado é claro, vale ativar controles como o bloqueio de novas chaves Pix no Registrato, revisar permissões nos aplicativos bancários e desconfiar de solicitações de transferência feitas por mensagens. Com o avanço de quadrilhas cada vez mais profissionais, centralizar o controle das chaves e agir rápido em caso de suspeita são passos essenciais para proteger o seu dinheiro.

