Meta vai usar conversas com IA para exibir anúncios personalizados no Instagram e Facebook a partir de 16 de dezembro

Instagram: Meta vai usar suas conversas com IA para direcionar anúncios personalizados

Política de privacidade atualizada permitirá que conversas com a Meta AI alimentem anúncios e recomendações de conteúdo, enquanto o Threads usará dados públicos e diálogos para treinar a IA

A Meta anunciou uma atualização na sua política de privacidade que muda a forma como dados são coletados e usados para anúncios personalizados e para o treinamento de IA em seus aplicativos. A medida envolve a utilização de conversas com IA, especificamente com a Meta AI, dentro do Instagram e do Facebook, para aprimorar a segmentação de publicidade e as recomendações de conteúdo.

Segundo as informações disponibilizadas, “A mudança na política de privacidade está prevista para entrar em vigor em 16 de dezembro.” A empresa detalha que o objetivo é tornar mais relevantes as entregas de anúncios e as sugestões de posts, mantendo, segundo afirma, o processamento restrito às interações com o recurso de inteligência artificial integrado às redes sociais.

Na mesma atualização, o Threads passa a ter dados públicos de usuários, como publicações e interações, além de conversas com IA, utilizados para treinar os modelos da companhia, seguindo uma prática que a Big Tech já havia adotado no Instagram e no Facebook em 2024.

O que muda no Instagram e Facebook

Com a atualização, a Meta explica que poderá considerar o conteúdo das conversas com IA no Instagram e no Facebook quando definir quais anúncios e publicações exibir. Em suas palavras, “Ela estabelece que a empresa pode acessar conversas dos usuários com a Meta Intelligence (IA da Meta que funciona dentro das redes sociais) no Instagram e no Facebook.” A companhia afirma que esses dados ajudarão a mostrar publicidade de acordo com interesses inferidos durante a interação com o chatbot.

A empresa também explicita que o uso vai além da publicidade, abrangendo recomendações algorítmicas dentro do feed e do Reels: “As informações serão usadas para direcionar anúncios personalizados e sugerir conteúdos de interesse, como posts e reels.” Ainda segundo as orientações, há um recorte claro sobre o escopo da coleta, descrito como “Conversas coletadas serão apenas com a Meta AI”, o que significa que não entram conversas privadas entre pessoas na análise destinada a anúncios.

Para o usuário, isso representa uma intensificação da personalização, com mais anúncios e conteúdos ajustados a sinais captados nas conversas com IA. Por outro lado, o movimento reacende discussões sobre transparência e controle de dados, especialmente quando o assunto é a delimitação do que a empresa considera “dados de interação” com seus recursos de inteligência artificial.

Threads e o treinamento da IA, histórico de ANPD e Idec

No Threads, a Meta diz que passará a treinar seus modelos com base em conversas com IA e em dados públicos dos usuários. A empresa resume a diretriz: “No caso do Threads, a Meta vai usar as conversas com IA e os dados públicos dos usuários para treinar sua própria tecnologia.” Segundo o material, essa é uma extensão do que já ocorre em outras plataformas do grupo: “Isso já acontece no Instagram e Facebook deste 2024, quando a empresa começou a usar fotos e posts públicos para treinar a IA.”

O histórico recente no Brasil inclui idas e vindas regulatórias. Como lembrou a cobertura citada, “O g1 lembrou que, na época, o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) criticou a Meta por falta de transparência e por não avisar os usuários com antecedência sobre a mudança.” Na sequência, houve intervenção da autoridade: “A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) chegou a suspender o uso, mas voltou a liberá-lo cerca de dois meses depois.”

Esse contexto reforça que a política de privacidade e a base legal para o uso de dados em treinamento de IA continuarão sob escrutínio. Para os usuários, a principal preocupação é entender claramente o que é coletado, como é aplicado, e quais são as opções de oposição ou desativação disponíveis.

Como desativar o uso dos seus dados no treinamento da IA

A Meta oferece um fluxo para que o usuário se oponha ao uso de informações públicas para treinar a IA, um ponto sensível para quem não deseja contribuir com os modelos generativos. De acordo com as instruções disponibilizadas, o processo pode ser feito diretamente pelo aplicativo do Instagram.

Seguem, ipsis litteris, os passos divulgados para impedir o uso de dados públicos no treinamento, preservando a exatidão das orientações:

“Dentro do aplicativo do Instagram, vá nas configurações e clique em “Sobre”;

Em seguida, acesse a opção “Política de Privacidade”;

Clique no símbolo de lista no canto superior direito da página, ao lado do símbolo de lupa;

Selecione a opção “outras políticas e artigos” e, depois, “como a Meta usa informações para modelos e recursos de IA generativa”;

Vá até o final da página e clique em “direito de se opor”;

Nessa aba, haverá opções de se opor ao treinamento no Facebook e Instagram. Clique na opção desejada e preencha o formulário com suas informações.

Após o preenchimento, a Meta envia um e-mail ao usuário confirmando que não usará as informações para treinar IA.

Isso vale para todas as contas conectadas à Central de Contas.”

É importante destacar que essa oposição se refere ao treinamento de IA com base em dados públicos. A atualização que usa conversas com IA para anúncios personalizados e para recomendações no Instagram e no Facebook faz parte da política de privacidade dos serviços, e a Meta não detalhou um controle específico para impedir que tais interações influenciem a personalização de anúncios, além dos ajustes de preferências de publicidade já existentes nas plataformas.

Em síntese, a mudança consolida a estratégia da empresa de integrar sinais de conversas com IA à sua máquina de publicidade direcionada e de reforçar o treinamento de IA generativa com material público, enquanto oferece ao usuário caminhos de contestação para aspectos específicos dessa coleta. Para quem valoriza personalização, a novidade tende a aumentar a relevância dos anúncios e do feed; para quem prioriza privacidade, é hora de revisar configurações e exercer os direitos disponíveis.

Rolar para cima