OpenAI recebe negativa de aliado de Trump para apoio federal, entenda o impacto no acesso a chips e infraestrutura de IA

Aliado de Trump nega ajudinha para OpenAI

OpenAI buscava colaboração do governo dos EUA para garantir fornecimento de chips e energia, mas David Sacks diz que não haverá resgate federal para IA

A OpenAI tentou abrir um canal de colaboração com o governo dos Estados Unidos para garantir o acesso a chips e a infraestrutura necessária à expansão de seus serviços de inteligência artificial, mas encontrou resistência. Em publicação no X, David Sacks, investidor, empresário e atual Presidente do Conselho Consultivo para a Ciência e Tecnologia de Donald Trump, sinalizou que a prioridade não será um apoio financeiro direto à indústria.

O movimento ocorre após a diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar, afirmar no Tech Live, conferência do The Wall Street Journal, que a companhia não pretende abrir capital tão cedo, e que contaria com investimentos privados e com colaboração do governo federal para sustentar seus compromissos. Segundo a executiva, a parceria com o setor público poderia ajudar a garantir o fornecimento de semicondutores que embasam contratos com empresas clientes, em um cenário de oferta incerta.

O que a OpenAI pediu e por quê

No palco do evento, Sarah Friar indicou que a OpenAI está em busca de mecanismos alternativos ao IPO, como aportes de bancos e de capital privado, e também de uma colaboração público-privada que destrave gargalos críticos da cadeia de IA. Na prática, isso significaria facilitar o acesso a chips e a energia elétrica, insumos vitais para treinar e operar modelos de linguagem de grande porte.

A leitura na indústria é que, com a demanda por semicondutores no limite e a competição global acirrada, apoio institucional ao lado da infraestrutura pode ser decisivo. A própria OpenAI reconhece que, sem estrear na bolsa de valores no curto prazo, precisa de fontes robustas de capital e de previsibilidade logística para manter seus contratos e sua rota de crescimento.

A resposta de David Sacks e o recuo parcial

Logo após a fala de Friar, David Sacks respondeu publicamente no X. Em tradução para o português, ele escreveu: “Não haverá resgate federal para IA. Os EUA têm pelo menos 5 grandes empresas de modelos de fronteira. Se uma falhar, outras tomarão seu lugar.”. A mensagem reforça a visão de que o mercado americano de IA é competitivo o suficiente para não depender de um resgate federal a uma empresa específica.

Em uma segunda publicação, Sacks suavizou o tom e sinalizou que o governo Trump está disposto a facilitar o acesso a infraestrutura, citando a oferta de eletricidade sem aumento de tarifas como um exemplo. A distinção, portanto, estaria entre evitar uma intervenção financeira direta, e, ao mesmo tempo, remover obstáculos práticos que sustentem a competição e a capacidade produtiva do ecossistema de IA nos Estados Unidos.

Reação da OpenAI e próximos passos

Após a repercussão, Sarah Friar voltou ao tema em publicação no LinkedIn. A executiva reforçou que a OpenAI não está buscando garantias governamentais para cumprir com seus compromissos, e que sua fala no evento defendeu a união entre o setor privado e o governo para garantir o sucesso da tecnologia no país. A empresa mantém a estratégia de captar com o mercado privado, enquanto busca ambientes regulatórios e de infraestrutura mais favoráveis.

O episódio expõe a tensão entre a necessidade crescente de chips e de energia para treinos de modelos, e os limites do apoio estatal direto em uma indústria vista como estratégica e altamente competitiva. Ao cravar que “não haverá resgate federal para IA”, Sacks indica que Washington pretende apostar em competição, multiplicidade de players e remoção de barreiras de infraestrutura, em vez de escolher vencedores.

A CNBC informou que procurou a Casa Branca e a OpenAI para comentar. Segundo o canal, o governo não respondeu, enquanto a desenvolvedora encaminhou a publicação de Sarah Friar no LinkedIn.

Para a OpenAI, o caminho adiante passa por garantir acesso estável a semicondutores, fortalecer a rede de parceiros financeiros, e consolidar uma agenda de infraestrutura que contemple eletricidade abundante e previsível. Para o governo, a mensagem é que a IA seguirá sendo prioridade, mas sob o prisma da competição e da eficiência, com ênfase em remover gargalos como energia e chips sem recorrer a um resgate federal.

Em um mercado com “pelo menos 5 grandes empresas de modelos de fronteira”, como destacou Sacks, a disputa por recursos e por infraestrutura confiável deve se intensificar. A forma como a OpenAI e seus concorrentes costurarem as próximas parcerias, inclusive com o setor público, pode definir quem liderará a próxima fase da corrida da inteligência artificial nos Estados Unidos.

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