Com expansão acelerada e novos modelos, as vendas internacionais da BYD devem superar projeções anteriores e consolidar a marca fora da China
A BYD, uma das maiores fabricantes de carros elétricos do mundo e a maior da China, está pronta para dar um salto na sua presença global. Em relatório recente, a Citi projetou que as vendas internacionais da BYD podem alcançar um patamar inédito em 2026, em linha com a estratégia de aceleração da expansão fora do mercado doméstico e com a chegada de novos modelos ao portfólio.
Segundo a análise, a companhia deve intensificar a sua atuação em mercados-chave ao longo de 2025, movimento que abre caminho para um crescimento mais robusto no ano seguinte. Para os investidores e consumidores, o recado é direto, a marca quer ampliar a sua base em regiões estratégicas e transformar escala em competitividade, reforçando sua liderança no segmento de veículos elétricos.
Citi eleva projeções e mira 2026
De acordo com o levantamento, a Citi agora trabalha com a possibilidade de serem vendidos entre 1,5 e 1,6 milhão de carros da BYD no exterior em 2026. O número mostra um avanço expressivo frente às estimativas anteriores e é sustentado por uma política de expansão que inclui novos produtos e maior capilaridade de distribuição.
O banco também comparou a nova visão com a referência do ciclo atual, ao lembrar que a projeção para 2025 fora da China era inferior. Como destacou o relatório, o potencial de 2026 “supera a expectativa anterior de 900 mil a 1 milhão de automóveis comercializados fora da China em 2025”. Em outras palavras, o ganho de tração esperado para o próximo ano pode servir de base para uma escalada mais firme no ano seguinte.
Outro ponto de destaque é a geografia das vendas internacionais da BYD. Ainda segundo a avaliação, “as vendas internacionais da BYD se concentram principalmente em regiões da Europa, América do Norte e ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático), o que representa um terço do total das comercializações previstas para 2025 no exterior”. A leitura é que a marca já consolidou presença em praças maduras e de alto potencial, e tende a ampliar sua relevância com o lançamento de novas linhas, já que, segundo a Citi, “o crescimento deve ser alavancado por conta do lançamento de novos modelos”.
Capex em queda e capacidade suficiente
Enquanto aposta no crescimento fora da China, a BYD ajusta o ritmo de investimentos. De acordo com a administração, há previsão de recuo no capital comprometido no quarto trimestre, em comparação com o período imediatamente anterior. Na sequência, também haverá uma redução significativa em 2026, em linha com a avaliação de que a capacidade de fabricar automóveis e baterias provavelmente será suficiente para atender a demanda projetada.
Em paralelo, a companhia segue fortalecendo sua base produtiva. Nos últimos cinco anos, foram construídas pelo menos oito megafábricas na China. Fora do país, a BYD acelera projetos de montagem local, com unidades em desenvolvimento no Brasil e na Hungria. Há ainda planos para uma terceira planta na Europa e, segundo a Reuters, a principal candidata a receber a nova fábrica é a Espanha, o que ampliaria a integração da cadeia e reduziria custos logísticos no bloco europeu.
Mesmo com a expansão, a empresa adota cautela na comunicação de metas consolidadas. Até o momento, não foi divulgada uma meta geral de vendas para 2026. O foco tem sido calibrar a produção, reforçar o pipeline de lançamentos e manter a curva de custos sob controle, fatores considerados essenciais para sustentar margem e crescimento das vendas internacionais da BYD.
Pressão competitiva na China e efeitos nos resultados
O avanço global acontece em meio a um ambiente doméstico mais desafiador. A BYD enfrenta concorrência intensa de fabricantes chinesas focadas em veículos de entrada, como Leapmotor e Geely, num cenário de disputas de preço e ritmo acelerado de lançamentos. Esse contexto já aparece nos números mais recentes da companhia.
Conforme registrado nas fontes, “no terceiro trimestre o lucro caiu 32,6% em relação ao ano anterior, sendo a segunda queda sequencial e a maior no período de quatro anos”. O dado ajuda a explicar por que a empresa quer diversificar ainda mais as receitas e acelerar as vendas internacionais da BYD, reduzindo a exposição às oscilações do mercado local.
Ao aprofundar sua presença na Europa, na América do Norte e na região da ASEAN, e ao combinar essa estratégia com um pipeline consistente de modelos, a companhia busca transformar escala global em competitividade estrutural. Para 2026, a meta implícita de 1,5 a 1,6 milhão de unidades fora da China indica que a BYD enxerga espaço para capturar demanda reprimida, consolidar participação em segmentos-chave e se posicionar de forma mais resiliente diante da concorrência doméstica.
No curto prazo, o recuo de capex sugere disciplina financeira, enquanto a expansão industrial no Brasil, na Hungria e a potencial fábrica na Espanha podem acelerar a logística e a adequação às regras locais. Com isso, as vendas internacionais da BYD tendem a ganhar previsibilidade, e a presença da marca nos principais mercados globais pode se consolidar, em especial com a chegada de novos modelos que dialogam com diferentes faixas de preço e preferências regionais.

