Sonda Solar Orbiter revela primeira imagem do campo magnético do Sol em movimento, com fluxos de até 20 m/s rumo aos polos

Sonda revela primeira imagem do campo magnético do Sol em movimento

Imagem inédita da ESA detalha o campo magnético do Sol em movimento no polo sul, mapeando a supergranulação e a rede magnética com apoio da Parker Solar Probe

A Agência Espacial Europeia apresentou uma visualização sem precedentes do campo magnético do Sol em movimento, obtida pela sonda Solar Orbiter em passagem de alta inclinação. Pela primeira vez, os cientistas formaram uma imagem detalhada da dinâmica magnética perto do polo sul, um avanço que ajuda a explicar como a atividade do astro se organiza e se propaga ao longo do ciclo de aproximadamente 11 anos.

As medições, analisadas em artigo na Astrophysical Journal Letters, mostram que o campo magnético do Sol em movimento apresenta um fluxo acelerado rumo aos polos, com velocidades significativamente maiores do que as estimadas anteriormente. Esse comportamento tem impacto direto na maneira como os modelos descrevem o transporte de linhas de campo, a formação da rede magnética e a evolução do ciclo solar.

Segundo os pesquisadores, entender melhor o campo magnético do Sol ajuda a aprimorar previsões de clima espacial, fundamentais para proteger satélites, redes elétricas e comunicações na Terra. A nova visão, alcançada graças à trajetória inclinada da Solar Orbiter, traz peças-chave para esse quebra-cabeça que, até agora, permanecia desfocado nos polos.

Por que os polos do Sol são tão difíceis de observar

Os processos magnéticos nas regiões polares sempre foram um desafio, principalmente porque a maioria das sondas observa o Sol a partir do plano aproximado da eclíptica, com ângulo limitado para olhar os polos. Como consequência, modelos do ciclo e do transporte meridional dependiam de extrapolações e suposições.

O contexto é conhecido, mas incompleto. A fonte explica: “O Sol funciona em ciclos de cerca de 11 anos, período no qual passa por momentos de atividade mais e menos intensa. No entanto, os processos exatos do campo magnético da estrela perto dos polos ainda são pouco compreendidos, já que a maioria das sondas espaciais ainda têm uma perspectiva limitada e distante do astro.”

Essa lacuna importa porque, durante o máximo solar, as condições ficam mais extremas. Como pontua o texto: “No caso do máximo solar, há mais fluxos de plasma na superfície do astro, o que aumenta a chance de erupções e tempestades geomagnéticas.” Entender o campo magnético do Sol em movimento nos polos é, portanto, essencial para ligar os pontos entre o que acontece na superfície e as tempestades que afetam nosso planeta.

Como a Solar Orbiter conseguiu a visão inédita

A Solar Orbiter foi projetada para mudar a perspectiva. “Desde fevereiro de 2020, o equipamento está viajando em elipses alongadas ao redor do Sol.” Em março deste ano, veio a manobra decisiva: “Em março deste ano, ela deixou o plano em que outras sondas orbitam a estrela para se ajustar em uma trajetória inclinada em 17 graus, com uma visão melhor para os polos.”

Nesse período, a missão coordenou observações com a Parker Solar Probe, da NASA, ampliando o alcance científico. Como lembra a fonte, “Sondas Solar Orbiter e Parker, respectivamente da ESA e da NASA, estudaram juntas o vento solar”.

As medições que sustentam o resultado foram realizadas em uma janela específica e cuidadosamente analisada. O registro está no trabalho: “As observações foram relatadas em um estudo publicado na revista Astrophysical Journal Letters este mês. No trabalho, a equipe analisou dados de fluxos de plasma e do campo magnético solar no período de 16 a 24 de março.”

Ao posicionar-se fora do plano orbital típico, a sonda obteve uma linha de visada privilegiada para o polo sul, capturando detalhes finos da supergranulação e da rede magnética que, até então, não eram resolvidos com clareza nessa latitude.

O que os dados revelam e por que isso importa

Os resultados foram claros e surpreendentes. “Os dados revelaram, pela primeira vez, uma imagem em detalhes da supergranulação e da rede magnética do Sol no polo sul.” Essa estrutura, composta por células gigantes de plasma, organiza o transporte das linhas de campo e molda a topologia magnética que alimenta o vento solar.

O Phys.org, citado pela fonte, resume a física por trás do padrão observado: “Conforme explicou o site Phys.org, os supergrânulos são células de plasma quente, de duas a três vezes o tamanho da Terra, que cobrem a superfície do Sol; Os fluxos acontecem na superfície na horizontal e levam as linhas do campo magnético até as bordas; O resultado é uma espécie de teia solar de campo magnético.”

Além do mapa inédito da rede magnética, a equipe identificou um transporte mais rápido do que o esperado: “A equipe ainda descobriu que o campo magnético solar se move em direção aos polos em uma velocidade de cerca de 10 a 20 metros por segundo, bem mais rápido do que o detectado por estudos anteriores perto dos polos.” Esse número é crucial, pois altera a escala de tempo com que os modelos simulam a migração de campo rumo aos polos, influenciando a reconstrução do ciclo magnético global.

Apesar do avanço, permanece uma questão em aberto: “De acordo com os pesquisadores, as descobertas ajudam a compreender melhor a dinâmica do campo magnético do Sol e o que acontece perto dos polos. No entanto, ainda não ficou claro se as velocidades de fato desaceleram nas regiões polares para explicar a diferença nas medições.” Isso significa que novas passagens da Solar Orbiter, possivelmente em ângulos ainda maiores, serão valiosas para confirmar se há desaceleração próximo aos polos e como isso se encaixa nos modelos de dínamo solar.

Em síntese, a visão inédita do campo magnético do Sol em movimento no polo sul, ancorada por dados de alta qualidade e colaboração com a Parker Solar Probe, inaugura uma fase em que a física dos polos solares deixa de ser uma caixa-preta. Com mais observações ao longo do ciclo, os cientistas esperam melhorar a previsão do clima espacial e compreender, com mais precisão, como a supergranulação organiza a energia e a magnetização que se espalham por toda a heliosfera.

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