Soberania digital: Alemanha inicia megacentro de dados de € 11 bilhões em Lübbenau para turbinar IA com até 100 mil GPUs e reforçar a proteção de dados europeus

Alemanha aposta em novo centro de dados para alcançar a “soberania digital”

Projeto do Grupo Schwarz mira a “espinha dorsal da soberania digital da Alemanha”, com seis módulos do tamanho de quatro campos de futebol, energia verde e reaproveitamento de calor para aquecer milhares de casas

A Alemanha deu partida, em Lübbenau, na região de Spreewald, cerca de 100 quilômetros a sudeste de Berlim, às obras de um novo centro de dados avaliado em 11 bilhões de euros, aproximadamente R$ 67 bilhões, segundo a AFP. O empreendimento, liderado pelo Grupo Schwarz, foi apresentado como peça central para impulsionar a soberania digital europeia, dando às empresas e ao poder público infraestrutura de inteligência artificial de escala global, com foco em proteção de dados e competitividade.

Durante a cerimônia de início das obras, o ministro alemão da Digitalização e Modernização Governamental, Karsten Wilderger, afirmou que o local deve se transformar na “espinha dorsal da soberania digital da Alemanha”. A visão sintetiza a ambição do projeto: reduzir a dependência de serviços estrangeiros e criar uma base robusta para o desenvolvimento de IA no continente, fortalecendo a soberania tecnológica e a autonomia sobre dados sensíveis.

Segundo o Olhar Digital, a expectativa é que o centro funcione como ponto de partida para um ecossistema europeu de IA capaz de competir com Estados Unidos e China. Ao permitir que empresas trabalhem com seus próprios dados e com os de clientes alemães e europeus, sem a necessidade de armazenamento nos EUA, onde as regulamentações são consideradas menos protetivas, o projeto reforça padrões europeus de privacidade e compliance.

Quanto investimento, qual o plano e por que isso importa para a soberania digital

Descrito como um projeto “muito ambicioso”, o centro de dados em Lübbenau pretende oferecer escala, segurança e soberania para a economia digital europeia. A Alemanha sediou, na terça-feira, 18, uma cúpula conjunta em Berlim, liderada pelo chanceler Friedrich Merz e pelo presidente francês Emmanuel Macron, para tratar de “soberania” tecnológica, uma resposta à prevalência das big techs americanas no mercado e à necessidade de consolidar infraestrutura crítica na Europa.

Nesse contexto, o investimento do Grupo Schwarz sinaliza um movimento estratégico: infraestrutura própria, em território europeu, sob regras e garantias locais, com capacidade para sustentar serviços em nuvem, treinamento de modelos de IA e aplicações avançadas para empresas e governos. Trata-se de um passo concreto para transformar a soberania digital em realidade, catalisando inovação com governança de dados.

Capacidade de IA, módulos gigantes e cronograma até 2027

O complexo será formado por seis módulos de dados, cada um com o tamanho de quatro campos de futebol. A previsão é que pelo menos três módulos estejam operacionais até o fim de 2027, criando uma base de computação de alto desempenho já nos próximos anos. Em entrevista à Agence France-Presse, Rolf Schumann, codiretor da Schwarz Digits, subsidiária que lidera o projeto, afirmou que o local terá capacidade para acomodar até 100 mil dos principais processadores de computador, como GPUs, o que faria do local uma “gigafábrica” de IA.

Essa potência computacional será dedicada ao treinamento de modelos de IA do Grupo Schwarz, de outras empresas e também do setor público. Com isso, a infraestrutura busca reduzir gargalos de acesso a GPUs e acelerar projetos em áreas como indústria 4.0, serviços financeiros, varejo, saúde e administração pública, todos sob a égide da soberania digital e da residência de dados na Europa.

Além de competir por desempenho, o centro se posiciona como alternativa de confiabilidade regulatória, alinhada a marcos como o GDPR, favorecendo empresas que priorizam privacidade e segurança em seus fluxos de informação.

Energia verde, materiais reciclados e aquecimento para milhares de residências

Outro pilar do projeto é a sustentabilidade. De acordo com os projetistas, o centro de dados será alimentado por energia verde e sua construção utilizará concreto e aço reciclados provenientes de uma antiga usina elétrica, reduzindo a pegada de carbono desde a obra.

Considerando o alto consumo energético típico de data centers, o Grupo Schwarz prevê ainda o reaproveitamento do calor residual gerado pelos servidores para aquecimento distrital. A meta é usar esse calor para aquecer milhares de residências na região a partir de 2028, convertendo um subproduto da operação em benefício direto para a comunidade local, com ganhos de eficiência energética e redução de emissões.

Ao combinar capacidade massiva de IA, governança de dados e soluções verdes, o empreendimento reforça a estratégia de soberania digital europeia. A expectativa, segundo a AFP e o Olhar Digital, é que Lübbenau se torne um hub de referência em data centers na Europa, atraindo investimentos e consolidando uma cadeia de valor de inteligência artificial em linha com os valores e a regulação do bloco.

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