Rota que conecta Amazonas ao Oceano Pacífico avança com dragagem no Alto Solimões, investimentos de R$ 3,8 bilhões e cronograma que prioriza integração sul-americana
A Rota que conecta Amazonas ao Oceano Pacífico está prestes a ser concluída, segundo a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet. Em entrevista ao g1, ela afirmou que a Rota 2, Amazônica, será entregue ainda em novembro com a finalização das obras de dragagem do Alto Solimões, abrindo um novo corredor logístico do Amazonas aos portos de Peru, Equador e Colômbia.
A entrega marca um passo importante das Rotas de Integração Sul-Americana, iniciativa lançada após a reunião de presidentes em Brasília em 2023, a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para reforçar a conexão física e comercial do Brasil com países vizinhos e com a Ásia, principalmente a China. O projeto foi incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e soma, até agora, R$ 3,8 bilhões em investimentos públicos e privados, incluindo bancos latino-americanos e concessionárias de aeroportos da região.
O que muda com a Rota Amazônica e por que isso importa
Com a Rota que conecta Amazonas ao Oceano Pacífico, produtores e exportadores do Norte e do Centro-Oeste ganham uma alternativa de escoamento aos portos do Pacífico, o que tende a reduzir tempo de trânsito, custos logísticos e volatilidade em cadeias de suprimento. A navegação no Rio Solimões com a dragagem concluída facilita o tráfego de embarcações de maior calado, tornando o corredor mais previsível e competitivo.
O governo ressalta que os resultados já aparecem. Segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento, “A rota já trouxe balança comercial favorável”, e “o programa como um todo tem expectativa de dobrar o comércio na América do Sul”. Esses efeitos são estratégicos para ampliar a presença do Brasil em mercados asiáticos, notadamente o chinês, e para diversificar destinos de exportação de commodities e produtos industrializados.
Os dados históricos reforçam essa tendência. Em 2002, quando a agenda de integração sul-americana entrou em discussão, o Brasil importava US$ 8,7 bilhões dos vizinhos da América do Sul e US$ 8 bilhões dos asiáticos, e exportava US$ 7,4 bilhões para países sul-americanos e US$ 8,8 bilhões para os asiáticos. Desde então, houve salto: as exportações alcançaram US$ 152,4 bilhões em 2023 só para a Ásia e US$ 40 bilhões para os vizinhos sul-americanos, números que evidenciam a relevância de corredores bioceânicos eficientes.
Traçado, obras e estrutura: como será a ligação pelo Alto Solimões
A Rota Amazônica parte de Manaus e segue pelo Rio Solimões em território brasileiro, conectando-se a eixos fluviais e rodoviários que levam a portos no Equador, Peru e Colômbia, até o Oceano Pacífico. O componente crítico era justamente a navegabilidade no Alto Solimões, que motivou as obras de dragagem agora em fase final, além de melhorias em alfândegas, sinalização e postos de fronteira.
De acordo com Simone Tebet, a rota “era absolutamente precária há dez anos”. O diagnóstico incluía gargalos de infraestrutura e vazios institucionais que impediam a passagem de navios, o que limitava o potencial exportador da Amazônia. Com a inclusão no PAC e a mobilização de recursos públicos e privados, o corredor ganhou um programa de obras voltado a garantir profundidade mínima, segurança da navegação e integração de serviços aduaneiros.
Para empresas e operadores logísticos, a conclusão técnica da via abre espaço para novas rotas regulares, contratos de longo prazo e consolidação de cargas, sobretudo de agronegócio, mineração e indústria florestal. A tendência é que a Rota que conecta Amazonas ao Oceano Pacífico se torne um componente adicional do mosaico de infraestrutura, complementando ferrovias, hidrovias e corredores rodoviários já existentes.
Próximas entregas: cronograma das outras Rotas de Integração
O plano contempla cinco ligações estratégicas. Além da Rota Amazônica, cuja conclusão está prevista para este ano, outras três frentes têm marcos importantes até o fim do próximo ano, totalizando quatro dos cinco trechos. Como indicou o governo, “Outras três rotas têm previsão de conclusão até o final do ano que vem, totalizando quatro dos cinco trechos previstos no projeto.”
A Rota Ilha das Guianas liga Manaus a Roraima, Pará e Amapá rumo à Guiana Francesa, Suriname, Guiana e Venezuela, com escoamento para o Oceano Atlântico, e tem previsão de 2026. A Rota Bioceânica de Capricórnio conecta o Oceano Atlântico, passando por São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, ao Oceano Pacífico via Paraguai e Chile, também com 2026 no horizonte. Já a Rota Bioceânica do Sul parte do Atlântico por Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina até o Chile, igualmente com 2026 como meta.
Por fim, o Quadrante Rondon, que cruza Acre, Rondônia, Amazonas, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de Peru e Bolívia, em direção ao Pacífico, tem previsão de conclusão até 2027. Esse escalonamento busca distribuir entregas, ampliar a conectividade regional e consolidar o papel do Brasil como hub logístico entre a América do Sul e a Ásia.
Com a entrega da Rota que conecta Amazonas ao Oceano Pacífico, o governo mira ganhos de competitividade, redução de custos logísticos e maior integração produtiva regional. Para o setor privado, o momento é de planejamento de rotas, análise de custos porta a porta e prospecção de novos mercados que se tornam mais acessíveis a partir da ligação pelo Alto Solimões.

