OpenAI contrata Sachin Katti, ex-líder de IA da Intel, para chefiar pesquisas em IA, enquanto Lip‑Bu Tan assume comando de inteligência artificial

Executivo troca Intel por OpenAI para chefiar pesquisas em IA

OpenAI contratou o executivo Sachin Katti, que deixa a Intel após comandar a estratégia de inteligência artificial na fabricante de chips, para chefiar pesquisas em IA e a infraestrutura de computação da startup. A mudança acontece em meio a uma ampla reorganização da Intel, iniciada no começo do ano, segundo a Reuters, e abre espaço para que o CEO Lip‑Bu Tan assuma diretamente a liderança dos grupos de IA e Tecnologias Avançadas na companhia.

Ao anunciar a chegada de Katti, o presidente da OpenAI, Greg Brockman, afirmou no X que o executivo ficará responsável por “projetar e construir nossa infraestrutura de computação, que impulsionará nossa pesquisa em inteligência artificial geral e ampliará suas aplicações para beneficiar a todos”. A declaração reforça a prioridade da empresa em ampliar a base computacional que sustenta modelos de IA cada vez mais sofisticados.

Em comunicado enviado à imprensa, a Intel agradeceu a contribuição do executivo e confirmou a transição interna da liderança para Lip‑Bu Tan. “Agradecemos a Sachin por suas contribuições e desejamos-lhe tudo de bom. Lip-Bu liderará os Grupos de IA e Tecnologias Avançadas, trabalhando em estreita colaboração com a equipe”, disse a empresa. A fabricante também reiterou que “A IA continua sendo uma das maiores prioridades estratégicas da Intel, e estamos focados em executar nosso roteiro de tecnologia e produtos em cargas de trabalho de IA emergentes”.

O que muda na Intel com Lip‑Bu Tan no comando de IA

A saída de Sachin Katti ocorre poucos meses depois de sua promoção a diretor de IA, quando Lip‑Bu Tan reorganizou a estrutura de liderança para acelerar a presença da Intel em IA. Dentro da empresa, Katti liderava a estratégia geral de inteligência artificial, guiava o roteiro de produtos de IA, supervisionava o Intel Labs e mantinha o relacionamento com ecossistemas de startups e desenvolvedores, além de ter passagem pelo NEX (Network and Edge Group).

Com a mudança, a Intel afirmou que Naga Chandrasekaran, que dirigia a subsidiária de manufatura, ganhará mais atribuições no relacionamento com clientes externos, reforçando a ponte comercial enquanto Lip‑Bu Tan centraliza a pauta de IA. Em setembro, a fabricante contratou Kevork Kechichian, ex-Arm, para administrar a unidade de data center, sinalizando uma tentativa de reorganizar frentes críticas que dialogam com o avanço da OpenAI e de outros players.

O histórico de Katti inclui quatro anos na empresa e a liderança do grupo de redes sob o ex-CEO Pat Gelsinger, que se aposentou após 40 anos na companhia. Antes disso, ele foi professor de engenharia elétrica e ciência da computação em Stanford por quase 15 anos. O executivo tem doutorado em engenharia elétrica e ciência da computação pelo MIT e bacharelado em engenharia elétrica pelo IIT Bombay, formação que se alinha ao tipo de perfil técnico que a OpenAI tem buscado para escalar sua infraestrutura.

O que a OpenAI ganha ao trazer Sachin Katti

Na OpenAI, Katti terá a missão de coordenar a arquitetura e a capacidade de cálculo em larga escala que suportam modelos de IA generativa e pesquisas rumo à inteligência artificial geral. Ao centralizar a infraestrutura, a empresa pretende reduzir gargalos de treinamento, otimizar custos e acelerar a entrega de novos recursos do ecossistema, o que é estratégico para manter a vantagem competitiva frente a concorrentes na corrida por modelos de base e aplicações corporativas.

Esse movimento também reforça a pressão sobre o mercado de chips para data center, já que a demanda por GPUs e aceleradores de IA segue elevada. A experiência de Katti em redes e borda, combinada com seu histórico em pesquisa acadêmica, tende a favorecer decisões de arquitetura que conectem cloud, edge e centros de dados, pilares essenciais para a próxima etapa de expansão da OpenAI.

Para o ecossistema, a contratação sinaliza que a OpenAI seguirá investindo pesado em infraestrutura, enquanto mantém parcerias estratégicas e amplia sua presença em mercados empresariais. Em paralelo, a saída de um nome-chave da Intel evidencia a disputa por talentos altamente especializados em IA.

Mercado de IA: desafios da Intel e a disputa com a Nvidia

A Intel vive um período de instabilidade estrutural e financeira, com atrasos de cronogramas e dificuldades em acompanhar a corrida por chips de IA que catapultou a Nvidia. Segundo as fontes, a fabricante tem tido dificuldades para manter executivos desde o início de sua reformulação, em abril de 2025, cenário que ajuda a explicar a centralização da pauta de inteligência artificial nas mãos de Lip‑Bu Tan.

Um dos maiores obstáculos para a Intel é a competição direta nos data centers. A companhia ainda busca um chip de IA capaz de rivalizar com as soluções da Nvidia, fabricadas pela TSMC em Taiwan, enquanto trabalha para recuperar marcos de performance e eficiência energética em cargas de trabalho de IA. Em paralelo, a empresa vem enfrentando o legado de instabilidade que afetou alguns processadores no último ano, o que ampliou as pressões em sua estratégia de produtos.

Nesse contexto, a busca por fôlego financeiro e industrial também entrou no radar. De acordo com o que foi anunciado recentemente, a Intel recebeu US$ 5,7 bilhões do governo, parte de um acordo que prevê 10% de participação na empresa. A iniciativa, somada à reorganização em curso, indica um esforço para reposicionar a companhia em um mercado que se torna mais competitivo a cada trimestre.

A saída de Sachin Katti para a OpenAI e a chegada de novos executivos mostram que a Intel tenta equilibrar a corrida por IA com a necessidade de estabilizar sua liderança e reengajar parceiros. Enquanto isso, a OpenAI reforça seu plano de escalar a infraestrutura de computação para sustentar pesquisas e produtos que dependem de alto poder de processamento, um passo determinante para manter sua relevância no centro da inovação em inteligência artificial.

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