Nvidia 3º trimestre fiscal supera expectativas da LSEG e da CNBC, data centers somam US$ 51,2 bi e Jensen Huang afirma que “as GPUs para nuvem estão esgotadas”
A Nvidia 3º trimestre fiscal entregou números muito acima do consenso de Wall Street, com receita e lucro superando as projeções de analistas e uma guidance robusta para o período seguinte, mantendo o apetite do mercado por ações ligadas à inteligência artificial. Divulgados nesta quarta-feira (19), os resultados fizeram as ações subirem até 3% no pós-pregão, refletindo o entusiasmo com a demanda por GPUs e a força do negócio de data centers.
Segundo dados comparados às estimativas de analistas consultados pela LSEG e divulgados pela CNBC, a empresa registrou lucro por ação ajustado de US$ 1,30, ante US$ 1,25 esperados, e receita de US$ 57,01 bilhões, acima dos US$ 54,92 bilhões projetados. A companhia, hoje a empresa de capital aberto mais valiosa do mundo, segue impulsionada pela demanda por chips de IA usados por gigantes como Microsoft, Amazon, Google, Oracle e Meta.
Receita, lucro e projeção batem consenso de Wall Street
O Nvidia 3º trimestre fiscal mostrou desempenho amplo. Além de superar o consenso em lucro por ação e receita, a companhia divulgou uma projeção para o trimestre atual que também ficou acima das estimativas do mercado. A Nvidia afirmou que espera cerca de US$ 65 bilhões em vendas no trimestre em curso, frente a projeções de analistas de US$ 61,66 bilhões e lucro por ação de US$ 1,43. No pós-resultado, investidores responderam positivamente, reforçando a leitura de que a companhia mantém tracionamento sólido em seus principais segmentos.
Nos números consolidados, a Nvidia registrou lucro líquido de US$ 1,30 por ação diluída, ou US$ 31,91 bilhões, uma alta de 65% na comparação anual, em relação aos US$ 19,31 bilhões, ou US$ 0,78 por ação diluída, do mesmo período do ano anterior. Em termos de receita, os US$ 57,01 bilhões reportados superaram os US$ 54,92 bilhões esperados, mantendo a curva de crescimento acelerada da companhia no ecossistema de IA generativa e infraestrutura de computação avançada.
O CEO Jensen Huang destacou a força da nova geração de chips ao afirmar que as vendas do GPU de última geração da empresa, o Blackwell, foram “excepcionais”. Esse comentário reforça a leitura de que a transição tecnológica para arquiteturas mais eficientes e poderosas continua a sustentar a demanda nos clientes corporativos, além de consolidar a liderança da Nvidia em aceleração por GPU.
Data centers voam com Blackwell e redes, e “as GPUs para nuvem estão esgotadas”
O motor do Nvidia 3º trimestre fiscal foi, novamente, o segmento de data centers. A companhia reportou US$ 51,2 bilhões em vendas no período, superando com folga as expectativas de US$ 49,09 bilhões, um crescimento de 66% na comparação anual. Desse total, US$ 43 bilhões vieram de computação, isto é, das GPUs, enquanto US$ 8,2 bilhões correspondem ao segmento de soluções de rede, que reúne componentes que permitem que milhares de GPUs funcionem como um único computador.
Em comunicado, a diretora financeira Colette Kress destacou que a família de chips mais vendida atualmente é a Blackwell Ultra, segunda geração da linha Blackwell. Já Huang declarou que “as GPUs para nuvem estão esgotadas”, respondendo a preocupações do mercado sobre possível concentração de vendas em hyperscalers, as grandes provedoras de nuvem que precisam encontrar usuários finais para os chips. O recado sinaliza uma demanda estruturalmente elevada por capacidade de IA, sustentada por projetos de larga escala em empresas de tecnologia e setores intensivos em dados.
Esse movimento mantém a Nvidia como termômetro do momento da infraestrutura de IA, condição que ajuda a explicar por que o mercado acompanha tão de perto cada guidance da companhia. A combinação de computação acelerada, redes de alta velocidade e software proprietário se traduz em vantagem competitiva de difícil replicação, o que sustenta a tese de crescimento no curto e no longo prazo.
Gaming, visualização, robótica e retornos ao acionista também ganham tração
Antes da explosão da IA, a Nvidia se destacava nos chips para jogos. No Nvidia 3º trimestre fiscal, o segmento de gaming registrou US$ 4,3 bilhões em receita, uma alta de 30% sobre o ano anterior. Em visualização profissional, as vendas somaram US$ 760 milhões, um avanço de 56% na base anual, incluindo receitas do DGX Spark, o desktop de IA anunciado no início do ano. Já as vendas de automotivo e robótica totalizaram US$ 592 milhões, um aumento de 32% na comparação anual.
Além do crescimento operacional, a companhia reforçou o retorno de capital aos acionistas com recompras de ações no valor de R$ 12,5 bilhões (R$ 66,6 bilhões) e pagamento de US$ 243 milhões em dividendos (R$ 1,2 bilhão). Em teleconferência, Colette Kress sintetizou a visão de longo prazo da empresa ao afirmar: “Acreditamos que a Nvidia será a melhor escolha para a construção de infraestrutura de IA, que movimenta de US$ 3 a US$ 4 trilhões [R$ 15,9 trilhões/R$ 21324394147306,79] anualmente”.
Com clientes como Microsoft, Amazon, Google, Oracle e Meta ancorando a demanda e uma pipeline de produtos liderada por Blackwell, a Nvidia sustenta a tese de crescimento acelerado em IA. Ao superar as expectativas e projetar mais um trimestre forte, a empresa reforça seu protagonismo no ciclo de investimentos em computação de alto desempenho, enquanto o mercado segue atento à capacidade de entrega em meio à escassez de GPUs na nuvem.

