Lula na COP30 pede derrota dos negacionistas e prioriza clima sobre guerra, com proposta de Fundo de Florestas Tropicais de US$ 125 bilhões

Lula na COP30: "É momento de derrotar os negacionistas" e "investir no clima, não em guerra"

Na abertura da conferência no Brasil, Lula na COP30 reforça Acordo de Paris, critica desinformação e detalha plano para zerar desmatamento até 2030

Lula na COP30 abriu a conferência desta segunda-feira, 10, com um discurso centrado no combate à desinformação, na defesa do Acordo de Paris e na necessidade de ampliar o financiamento climático. O presidente afirmou que o encontro deste ano será marcado por transparência e compromisso com a ciência, ao mesmo tempo em que cobrou mais ambição global para reduzir emissões e proteger florestas tropicais.

Ao falar dos riscos de narrativas falsas que enfraquecem a ação climática, o presidente declarou: "A COP 30 será a COP da verdade. Na era da desinformação, os obscurantistas rejeitam não só as evidências da ciência, mas também os progressos do multilateralismo. Eles controlam algoritmos, semeiam o ódio e espalham o medo. Atacam as instituições, a ciência e as universidades. É momento de impor uma nova derrota aos negacionistas".

Ele também alertou para a urgência de manter a trajetória do clima dentro do limite seguro de aquecimento. Nas palavras do presidente, "Sem o Acordo de Paris, o mundo estaria fadado a um aquecimento catastrófico de quase cinco graus até o fim do século. Estamos andando na direção certa, mas na velocidade errada. No ritmo atual, ainda avançamos rumo a um aumento superior a um grau e meio na temperatura global. Romper essa barreira é um risco que não podemos correr".

Em tom crítico aos gastos militares, Lula na COP30 defendeu redirecionar recursos para o planeta. "Se os homens que fazem guerra estivessem aqui nesta COP, eles iriam perceber que é muito mais barato colocar 1,3 trilhão de dólares para a gente acabar com o problema que mata do que colocar 2,7 trilhões de dólares para fazer guerra como fizeram no ano passado", disse, reforçando a mensagem de investir no clima, não em guerra.

Esta é a primeira vez que a COP acontece no Brasil, com foco na Amazônia e no protagonismo de países com grandes áreas de florestas tropicais. O governo brasileiro levou à mesa uma proposta de financiamento permanente para conservação e desenvolvimento sustentável, com metas domésticas de desmatamento zero e redução vigorosa de emissões de gases de efeito estufa.

O recado contra negacionismo e desinformação

Ao tratar do avanço da desinformação, Lula na COP30 associou a erosão do debate público ao enfraquecimento do multilateralismo. O presidente afirmou que grupos que negam a ciência tentam dominar o ambiente digital, promovendo medo e ataques às instituições que produzem conhecimento. Para ele, reconhecer evidências, valorizar a pesquisa e fortalecer organismos internacionais é essencial para recuperar a confiança e acelerar a implementação do Acordo de Paris.

O chefe do Executivo vinculou a luta contra o negacionismo à escalada da crise climática. Ao reiterar que "romper a barreira" de 1,5°C seria um risco que o mundo não pode correr, o presidente reforçou que a cooperação internacional precisa ganhar técnica, transparência e capacidade de execução, elevando a ambição de metas, cronogramas e financiamento.

Investimento climático e o custo da guerra

No centro de seu pronunciamento, Lula na COP30 comparou os custos de conflitos armados aos investimentos necessários para proteger vidas e ecossistemas. A mensagem, sustentada por números citados no discurso, busca pressionar países e instituições financeiras a redirecionar recursos e a tratar a adaptação e a mitigação como prioridades absolutas no curto prazo.

Segundo o presidente, ampliar o fluxo de capital para energia limpa, proteção de florestas e resiliência climática é mais eficaz e barato do que arcar com os custos humanos e econômicos de tragédias intensificadas pelo aquecimento global. O apelo, ao propor "colocar 1,3 trilhão de dólares" no combate à crise climática em vez de "2,7 trilhões de dólares" em guerras, mira em decisões orçamentárias que podem mudar o ritmo da transição.

Fundo de Florestas Tropicais e metas do Brasil

Para sustentar a ambição, o governo apresentou o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forests Forever Fund, TFFF), pensado para garantir financiamento contínuo a projetos de conservação em 70 países com biomas tropicais. Segundo o Itamaraty, o TFFF tem potencial para arrecadar cerca de US$ 125 bilhões por ano, somando recursos públicos e privados, a serem geridos por um comitê multilateral ainda em formação, com representantes dos países envolvidos.

No plano doméstico, Lula na COP30 reiterou o compromisso de zerar o desmatamento até 2030 e de reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa em 59% a 67% até 2035, na comparação com os níveis de 2005. Esse intervalo equivale a alcançar entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas de CO2 equivalente. A meta foi apresentada na COP29, em Baku, e volta ao centro da agenda com a conferência ocorrendo no Brasil.

A estratégia combina conservação da Amazônia e de outros biomas, combate às atividades ilegais que impulsionam o desmatamento, reestruturação de cadeias produtivas e aceleração da transição energética. O governo aponta que financiamento previsível e em escala, como o proposto pelo TFFF, é chave para viabilizar projetos de longo prazo e garantir resultados mensuráveis na proteção de florestas, no desenvolvimento local e na redução das emissões.

Com a visibilidade de um evento global pela primeira vez sediado no país, Lula na COP30 busca alinhar discurso e metas, convidando a comunidade internacional a transformar compromissos em políticas e investimentos concretos. A mensagem central é direta: ampliar a cooperação, blindar a ciência contra a desinformação e investir no clima são os passos que podem decidir o futuro do planeta.

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