iPhone Air registra baixa demanda, devoluções e corte de produção de 80%, por que o modelo mais fino da Apple não conquistou o público

iPhone Air é um fracasso de vendas (apesar do marketing promissor)

iPhone Air decepciona parte dos compradores com câmera inferior, som limitado e bateria fraca, enquanto a fila pelos iPhone 17 cresceu e a Apple ajusta a fabricação

O iPhone Air, anunciado como o smartphone mais fino já lançado pela Apple, estreou sob forte interesse público, porém a demanda mostrou-se abaixo do esperado. Relatos de devoluções e de ajustes na linha de produção surgiram poucas semanas após o lançamento, indicando que a aposta no design ultrafino pode ter cobrado seu preço na experiência de uso. As informações foram reportadas pelo Wall Street Journal, que ouviu consumidores, especialistas e fontes da cadeia de suprimentos.

Pesquisas de mercado capturaram rapidamente a frieza do interesse do consumidor. De acordo com os levantamentos citados, “apenas um em cada dez compradores de iPhone nos EUA optou pelo Air nas primeiras semanas de vendas”. Enquanto isso, “enquanto os modelos da linha iPhone 17 enfrentam prazos de entrega de até três semanas, o Air permanece imediatamente disponível no site da Apple”, um sinal de procura abaixo do que a empresa esperava para um lançamento tão midiático.

Em complemento, a Consumer Intelligence Research Partners destacou o apetite concentrado em aparelhos topo de linha. Segundo o grupo, “CIRP relatou que 29% dos compradores de iPhone no último trimestre adquiriram modelos da nova geração, com interesse concentrado nos modelos Pro e Pro Max”. O iPhone Air, nessa fatia inicial do mercado, ficou para trás.

Experiências reais reforçam críticas ao iPhone Air

Entre os relatos que circularam, o caso de Robert Purdy, ex-gerente sênior de produtos da Apple, ganhou destaque ao ilustrar frustrações do dia a dia. Após um mês testando o iPhone Air, ele devolveu o aparelho por enfrentar problemas com chamadas em viva-voz, reprodução de música simultânea e qualidade das fotos. Em seu casamento, as imagens feitas com o Air foram comparadas de forma desfavorável às capturadas com um iPhone 17 Pro.

Purdy reconheceu o apelo visual do aparelho, porém foi direto ao ponto sobre a experiência: “O desempenho não foi dos melhores. Eles estão sacrificando tudo”. Segundo ele, o design chamou atenção, mas o iPhone Air se mostrou inadequado como dispositivo principal para o uso cotidiano. As informações são do Wall Street Journal.

Para ficar ultrafino, houve cortes de hardware

Para alcançar a espessura mínima, comparável à de uma roupa de mergulho, a Apple teria ajustado componentes essenciais do iPhone Air. O sistema de som conta apenas com um alto-falante superior, o que elimina o efeito de áudio com sensação de surround que muitos usuários valorizam em vídeos e jogos.

Na câmera, a aposta foi por uma única lente traseira, sem opções teleobjetiva ou ultra-angular, reduzindo a versatilidade fotográfica em relação a outros modelos da linha. A bateria também integra a lista de concessões, já que o Air tem capacidade menor que o iPhone 17 básico, aparelho que ainda custa US$ 200 a menos. Esse conjunto de escolhas ajuda a explicar por que, na prática, o iPhone Air vem sendo percebido como bonito e leve, porém menos completo para o uso diário.

O contraste com a linha iPhone 17, que manteve procura estável e prazos mais longos de entrega nas primeiras semanas, ampliou a percepção de que o Air não entregou o equilíbrio ideal entre design e desempenho.

Produção em queda, discurso oficial cauteloso e próximos passos

Fontes ligadas à cadeia de suprimentos indicaram que a Apple já iniciou o ajuste da produção do iPhone Air. O analista Ming-Chi Kuo, da TF International Securities, “prevê um corte de 80% na capacidade produtiva até o início de 2026”, um número expressivo que reforça a leitura de demanda mais fraca do que a prevista inicialmente.

Entre os analistas de mercado, a avaliação tende a ser pragmática. Muitos classificam o iPhone Air como uma “vitória de marketing, não de vendas”. Para Nabila Popal, diretora da IDC, o modelo “criou um burburinho em torno do lançamento que não víamos há anos”, mas esse interesse não se traduziu em adesão ampla do público. A leitura é que o aparelho funciona como um passo intermediário da estratégia, possivelmente pavimentando o caminho para inovações maiores, como um iPhone dobrável no futuro.

Oficialmente, a Apple se recusou a comentar os relatos específicos sobre o iPhone Air. Em uma recente teleconferência, no entanto, o CEO Tim Cook sinalizou confiança no desempenho da linha ao afirmar que a empresa está “muito satisfeita com a recepção do iPhone”. Ainda assim, o contexto não é trivial, já que, de acordo com os relatos, as vendas de smartphones da Apple permanecem estagnadas desde 2021.

Nesse cenário, o iPhone Air representa a aposta de design mais ousada desde o iPhone X, entregando um form factor inovador, porém com compromissos técnicos que pesaram para parte dos consumidores. Se o objetivo era testar limites e sondar preferências, a resposta do mercado sugere que a próxima rodada de inovação precisará equilibrar melhor estética, performance e autonomia, especialmente frente ao apelo contínuo dos iPhone 17 Pro e Pro Max.

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