Entenda o caso envolvendo a Figure AI e os riscos dos robôs humanoides
A Figure AI, startup de robótica focada em robôs humanoides com inteligência artificial, entrou no centro de uma polêmica de segurança após o ex-engenheiro-chefe de segurança robótica, Robert Gruendel, ajuizar uma ação em um tribunal federal no Distrito Norte da Califórnia. No processo, protocolado na sexta-feira, 21, ele afirma ter sido demitido de forma ilegal depois de alertar a companhia sobre riscos significativos, inclusive a possibilidade de seus robôs “fraturar crânios”.
Segundo as informações relatadas por Gruendel e reunidas em reportagens como a da CNBC, a preocupação com a segurança robótica teria sido levada diretamente à liderança, incluindo o CEO Brett Adcock e o engenheiro-chefe Kyle Edelberg. O caso reaquece o debate sobre a corrida por robôs humanoides, a priorização de metas comerciais e a implantação de IA em ambientes próximos a pessoas, tema que ganha tração à medida que empresas como a Figure AI atraem grandes investimentos e atenção pública.
O que diz o processo e os alertas de segurança
No processo, Gruendel sustenta que alertou a Figure AI sobre comportamentos potencialmente perigosos dos humanoides em cenários de falha. Ele afirma que os robôs demonstraram força suficiente para causar danos em materiais robustos, citando um episódio em que, “durante um mau funcionamento”, a máquina teria realizado “um corte de 1/4 polegadas na porta de aço de uma geladeira”. Para o engenheiro, eventos assim ilustram o risco de lesões graves a pessoas, incluindo a capacidade de “fraturar crânios”.
De acordo com a CNBC, Gruendel declarou que, enquanto a empresa buscava novos aportes, existia um plano de segurança estruturado para os robôs humanoides. Contudo, após o fechamento dos investimentos, ele acredita que tais medidas teriam sido “descartados“. O ex-funcionário afirma ter documentado e comunicado essas preocupações internamente, defendendo protocolos mais rígidos de validação e contenção.
O engenheiro alega ainda que sua demissão ocorreu pouco tempo depois de reforçar os alertas à alta gestão, o que, segundo ele, confirma uma retaliação por denúncias de práticas inseguras. Na ação, Gruendel pede compensações financeiras e solicita um julgamento com júri, com a intenção de expor publicamente os riscos e a conduta da empresa.
Resposta da Figure AI e o que a lei prevê
Procurada pela CNBC, a Figure AI negou as acusações e atribuiu a saída do ex-colaborador a desempenho insatisfatório. Em comunicado por e-mail, a companhia afirmou que as “alegações são falsidades que a Figure desacreditará completamente no tribunal”. A empresa também reforçou que segue padrões de segurança em seus processos de desenvolvimento e teste, ainda que os detalhes não tenham sido divulgados.
Já a defesa de Gruendel, conduzida pelo advogado Robert Ottinger, disse à CNBC que a Califórnia possui leis que protegem funcionários que denunciam práticas inseguras. Segundo Ottinger, o autor aguarda o julgamento para demonstrar o ‘real perigo’ que a corrida de robôs pode representar ao público. A ação, apresentada no Distrito Norte da Califórnia, busca responsabilização e compensação, além de um escrutínio formal dos processos de segurança da empresa.
É importante ressaltar que as alegações de ambas as partes serão analisadas em tribunal, e que não há, até o momento, decisão judicial sobre o mérito. O caso segue em tramitação.
Contexto: investimentos, tecnologia e a corrida por robôs humanoides
A Figure AI desenvolve robôs humanoides alimentados por IA e vem ganhando destaque no setor, com apoio de Nvidia, Microsoft e do empresário Jeff Bezos. A companhia trabalha em modelos como o Figure 03, sinalizando metas ambiciosas de levar capacidades avançadas de IA para tarefas do mundo real. Esse avanço, porém, traz o desafio de equilibrar velocidade de inovação com segurança, especialmente quando os sistemas operam próximos a pessoas em ambientes não controlados.
Especialistas em segurança robótica alertam que humanoides, por combinarem força, autonomia e decisão assistida por IA, exigem testes rigorosos, redundâncias, limites físicos e políticas claras de desligamento em falhas. A controvérsia envolvendo a Figure AI torna esse debate mais visível, ao colocar no centro a pergunta sobre como o setor valida riscos operacionais e responde a alertas internos.
Independentemente do desfecho judicial, o episódio evidencia uma tensão recorrente em empresas de tecnologia: alinhar metas de produto, captação de recursos e protocolos de segurança. Para a Figure AI, o processo pode se transformar em um marco público de revisão de práticas, caso o tribunal decida aprofundar a análise. Para o público, o caso oferece um retrato do que está em jogo na corrida por robôs humanoides, onde benefícios produtivos precisam caminhar, de forma inequívoca, com padrões de segurança robustos.

