Crise dos chips de memória: como a demanda de IA pode encarecer celulares e notebooks no Brasil em 2026

Seu próximo celular vai custar mais? Entenda a crise dos chips de memória

Especialistas alertam que a crise dos chips de memória, puxada por DRAM e NAND para IA, deve elevar preços de varejo e alongar prazos até 2026

A crise dos chips de memória ganhou força com a expansão da inteligência artificial e já ameaça o bolso do consumidor brasileiro. A corrida por DRAM e NAND, essenciais para treinar e operar modelos de IA generativa e para equipar smartphones, notebooks e servidores, apertou a cadeia de suprimentos e deve pressionar os preços em 2026, segundo analistas do setor e relatórios de mercado. Plataformas como o TechXplore já apontam um cenário de custos maiores nas prateleiras a partir do próximo ano, com impacto direto em eletrônicos de uso diário.

Fabricantes como Samsung, SK hynix e Micron ampliam investimentos para atender à demanda, mas a oferta continua limitada no curto prazo. A avaliação de executivos e gestores é que a fila por memória para data centers e servidores de IA seguirá longa, competindo com a indústria de consumo e encarecendo componentes. Como resume o presidente da Xiaomi, Lu Weibing, à AFP: “É provável que todos observem um aumento significativo nos preços de varejo dos produtos.”

Por que a IA disparou a procura por DRAM e NAND

A onda de IA generativa, impulsionada por modelos como o ChatGPT, exige grandes volumes de chips de memória para treinar algoritmos e manter serviços em operação 24 horas por dia. Esses mesmos chips são a base de desempenho e eficiência de smartphones e laptops, o que cria uma disputa direta entre os segmentos corporativo e de consumo. Na prática, a prioridade tem ido para servidores de IA, onde a disposição a pagar é maior, deixando menos oferta para o varejo.

Segundo a Samsung, a tendência é clara e persistente. Como destaca o executivo Kim Jae-june: “A demanda por servidores relacionados à IA continua crescendo, e essa demanda excede significativamente a oferta do setor”. Essa pressão constante ajuda a explicar por que a crise dos chips de memória não deve arrefecer imediatamente, mesmo com novas fábricas no horizonte.

Samsung, SK hynix e Micron correm, mas a oferta segue apertada

Para aliviar o gargalo, a Samsung anunciou a construção de uma nova fábrica de semicondutores na Coreia do Sul, parte de um pacote de investimentos significativo para ampliar capacidade em DRAM e NAND. A SK hynix reportou seu melhor trimestre da história, resultado de preços mais altos de memória e da demanda firme por chips voltados a IA. Ainda assim, a indústria trabalha no limite, e novas linhas levam tempo para entrar em operação plena.

Os efeitos se espalham por toda a cadeia. A consultoria TrendForce já reduziu as projeções de produção global de smartphones e notebooks para 2026, um indicativo de que o mercado ajusta a oferta diante da escassez e de custos crescentes. O quadro é reforçado por uma estratégia vista nos últimos anos: fabricantes limitaram investimentos para evitar excesso de estoque e quedas bruscas de preços, protegendo margens em ciclos mais voláteis. Nesse contexto, há relatos de fornecedores exigindo contratos de fornecimento obrigatórios, o que tende a engessar prazos e repassar custo adiante.

Outro ponto de pressão vem do ecossistema de servidores. Em meio à corrida por desempenho, a Nvidia, por exemplo, está prometendo dobrar o preço de seus chips para servidores até o final de 2026, o que mantém a competição por memória acirrada e reforça o desvio de componentes para aplicações de alto valor agregado.

O que muda para o consumidor até 2026

Para quem planeja trocar de celular ou notebook em 2026, o aviso é direto: os preços podem subir. Essa leitura é compartilhada por gestores de mercado e por executivos do setor, que enxergam uma disputa intensa por insumos e uma oferta que não cresce na mesma velocidade da demanda. A projeção de varejo mais caro inclui também linhas corporativas e, em menor escala, segmentos como carros com tecnologia embarcada, que dependem de memória para sistemas de bordo e conectividade.

O investidor Stephen Wu, do fundo Carthage Capital, sintetiza a tendência ao afirmar que “consumidores e empresas devem esperar preços de memória mais altos, prazos de entrega mais longos e mais contratos de fornecimento obrigatório pelo menos até o início de 2026.” Para o público final, isso significa que o impacto da crise dos chips de memória pode aparecer tanto em reajustes de preços quanto em estoques mais apertados em determinados modelos, especialmente os mais avançados em memória e armazenamento.

Há, por outro lado, movimentos em curso para ampliar a capacidade global, com novas fábricas e linhas de produção entrando no mapa de 2025 em diante. Se essas iniciativas ganharem tração, a pressão pode começar a ceder gradualmente após 2026. Até lá, porém, a combinação de demanda explosiva de IA, produção limitada e priorização de servidores deve manter a crise dos chips de memória no centro da discussão sobre o preço final de smartphones, notebooks e outros eletrônicos no Brasil.

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