COP30 em Belém: desinformação, fake news e imagens geradas por IA explodem na primeira semana com pacto global em resposta

Desinformação e polêmicas: os bastidores da COP30 em Belém

Desinformação na COP30 em Belém cresce nas redes, com mais de 1.114 postagens falsas no primeiro dia, e governos lançam o Pacto Global pela Integridade da Informação sobre Mudanças Climáticas

A primeira semana da COP30 em Belém foi tomada por uma onda de desinformação que se espalhou rapidamente pelas redes sociais, com fake news e imagens geradas por IA dominando o debate público. Segundo o jornal O Globo, perfis de oposição ao governo publicaram conteúdos manipulados e descontextualizados, afetando a percepção do público sobre o encontro climático. Em paralelo, a cúpula lançou o Pacto Global pela Integridade da Informação sobre Mudanças Climáticas, iniciativa voltada a fortalecer a confiança em dados confiáveis e a conter boatos que podem distorcer as discussões sobre o clima.

De acordo com levantamento citado por O Globo e antecipado pelo colunista Ancelmo Gois, o volume de postagens falsas explodiu já no início do evento. Em uma amostra ampla das principais plataformas, a dimensão do fenômeno ficou clara, reforçando a necessidade de respostas coordenadas. O cenário, relatado também pelo Olhar Digital, evidencia como a desinformação na COP30 virou assunto central nesta edição realizada no Pará.

O que viralizou nas redes, da boataria sobre desastres a imagens de Lula feitas por IA

Um rastreamento feito pela plataforma de IA Tistto mapeou o comportamento dos conteúdos sobre a COP30 em Belém em diferentes ambientes digitais. Segundo a publicação, “mais de 1.114 postagens foram classificadas como falsas já no primeiro dia do evento”. O mesmo levantamento registrou ainda que “A plataforma de IA Tistto analisou cerca de 10 mil publicações no TikTok, Instagram e X”, indicando uma circulação maciça de materiais enganosos.

Entre os exemplos citados estão vídeos que tentam vincular a chegada da conferência a supostos tornados no Paraná, descritos como “avisos divinos”, um recurso comum para explorar emoções e ampliar o alcance de boatos. Também chamaram atenção imagens de Lula “falando com a parede” durante atividades da cúpula, peças criadas por inteligência artificial para reforçar narrativas detratoras, e posts simulando um brinde de champanhe de Lula e Janja em um iate usado como hospedagem. Houve ainda a circulação de vídeos de um navio pegando fogo no porto de Belém, também produzidos artificialmente, que enganaram parte do público pela aparência verossímil.

Especialistas consultados por veículos de imprensa lembram que o uso de IA generativa facilita a criação de imagens e vídeos falsos com alto grau de realismo, o que exige atenção redobrada do público para checagens de contexto, fonte e metadados. Na prática, a dinâmica das plataformas sociais, que privilegiam engajamento e velocidade, amplia o alcance dessas narrativas antes que esclarecimentos e verificações consigam ganhar tração.

Infraestrutura, energia e segurança, críticas reais e alegadas na organização

Além dos conteúdos manipulados, circularam relatos sobre problemas na infraestrutura do evento, que foram amplificados por influenciadores e políticos nas redes. Entre os pontos levantados, destacaram-se falhas no ar-condicionado em algumas instalações, assunto tratado de forma irônica em publicações virais. O tema energia também foi alvo de polêmica, com críticas ao uso de geradores movidos a diesel no suporte à conferência.

Em resposta, a Petrobras informou que o abastecimento foi feito com “diesel contendo 10% de conteúdo renovável”, uma medida apresentada como esforço parcial de sustentabilidade, ainda que insuficiente para críticos que esperavam uma operação totalmente descarbonizada. A declaração buscou reduzir o desgaste e demonstrar algum grau de compromisso com práticas de menor impacto ambiental.

Questões de segurança também entraram no foco, com invasões a áreas restritas atribuídas a manifestantes aliados do presidente Lula, e reprovações públicas de nomes como Antonio Carlos Nicoletti, do União Brasil de Roraima, Gustavo Gayer, do PL de Goiás, e Marina Helena, do Novo de São Paulo. As manifestações expuseram tensões políticas que, somadas ao ambiente altamente polarizado, ampliaram a repercussão de boatos e de conteúdos sem verificação adequada.

O novo pacto e o esforço para estancar a desinformação climática

Diante do impacto das fake news na percepção pública sobre a conferência e sobre as mudanças climáticas, autoridades e organizações anunciaram o Pacto Global pela Integridade da Informação sobre Mudanças Climáticas. A proposta é consolidar compromissos e protocolos de cooperação para identificar, frear e desmonetizar conteúdos enganosos, além de estimular transparência e rotulagem de materiais feitos com IA.

Segundo o Olhar Digital, a iniciativa foi apresentada como uma resposta institucional ao ambiente de inconsistências e manipulações observado na primeira semana, que, em muitos casos, eclipsou discussões técnicas e negociações relevantes. Ao centralizar o combate à desinformação na COP30, o pacto busca proteger a confiança pública em dados científicos e em decisões que impactam políticas de longo prazo no Brasil e no mundo.

Para o público, a recomendação é simples e cada vez mais crucial, verificar a origem de imagens e vídeos, buscar múltiplas fontes e desconfiar de conteúdos que apelam a emoções intensas, como medo ou indignação instantânea. Na prática, alfabetização midiática, parcerias com plataformas e respostas rápidas de autoridades formam o tripé para reduzir o alcance de narrativas falsas durante a COP30 em Belém e em eventos futuros de grande repercussão global.

O saldo parcial da primeira semana mostra que a desinformação já é um ator central no debate climático. A reação, agora formalizada por meio do pacto, será testada nos próximos dias, quando a agenda diplomática se intensifica e o interesse do público se mantém elevado. A efetividade dessas medidas, aliada à transparência de governos e à responsabilidade das plataformas, tende a definir se a reta final do encontro será guiada por fatos ou por boatos.

Rolar para cima