Os carros elétricos conquistaram de vez o público brasileiro. De acordo com a Global EV Driver Survey 2025, que ouviu mais de 27 mil motoristas em 30 países, o Brasil desponta entre os mercados mais satisfeitos com a mobilidade elétrica, com índices comparáveis aos de referências como Noruega e Alemanha. O estudo indica uma combinação de alta fidelidade de quem já dirige veículos elétricos e amadurecimento na percepção de valor, o que fortalece a adoção dessa tecnologia no país.
Esse avanço aparece tanto no uso urbano quanto em deslocamentos intermunicipais, em que consumidores relatam bom desempenho e conforto, mesmo quando é necessário planejar a viagem devido à infraestrutura de recarga ainda desigual. Para especialistas, o Brasil vive um ponto de inflexão: a satisfação elevada tende a criar um ciclo virtuoso de recomendação, novas compras e maior demanda por modelos, serviços e eletropostos.
Fidelidade dos brasileiros supera a média global
O levantamento evidencia uma lealdade rara no setor automotivo. Em citação direta do estudo, “92% dos brasileiros afirmam que comprariam novamente um carro elétrico, enquanto apenas 1% cogita voltar a um veículo a combustão”. Globalmente, a satisfação registrada é de 87%, o que coloca o Brasil no topo das avaliações. Além disso, 80% dos motoristas no país dizem não sentir falta dos modelos tradicionais, sinal de que a transição não é um modismo, mas um comportamento de consumo consolidado.
Para o mercado, essa fidelidade revela um amadurecimento do público que já experimentou os carros elétricos. A vivência positiva com autonomia urbana, condução silenciosa e manutenção mais simples reforça a intenção de manter-se na tecnologia. Ao mesmo tempo, a satisfação acima da média global ajuda a balizar decisões de montadoras sobre portfólio e produção local, além de orientar políticas públicas voltadas à mobilidade elétrica.
Por que os carros elétricos agradam no Brasil
O estudo mapeia motivos claros para o entusiasmo dos brasileiros com os veículos elétricos. A pesquisa indica que vários fatores influenciam essa fidelidade crescente, incluindo o menor custo operacional, citado por 55% dos donos de EV, e a tecnologia embarcada e o conforto, apontados por 59% dos entrevistados. A preocupação ambiental também pesa, sendo importante para 68% dos participantes. Há ainda a experiência de condução mais silenciosa e suave, e a sensação de participar de um avanço tecnológico, elementos que, somados, elevam a percepção de valor.
Importante destacar que essa visão positiva não fica restrita aos grandes centros. Motoristas que realizam trajetos intermunicipais relatam que desempenho e conforto permanecem como pontos de destaque, ainda que o planejamento de paradas de recarga rápida seja necessário em regiões com oferta limitada de eletropostos. Esse uso real mostra que, mesmo com a infraestrutura em desenvolvimento, a proposta de valor dos carros elétricos se mantém competitiva.
Infraestrutura de recarga ainda é o principal desafio
Apesar do alto nível de satisfação, a pesquisa aponta obstáculos importantes relacionados à infraestrutura de recarga. No Brasil, cerca de 40% dos donos de carros elétricos ainda têm preocupação com viagens longas, proporção maior que a média global de 25% e bem acima da Noruega, onde apenas 15% relatam ansiedade de autonomia. As dificuldades mais frequentes incluem estações de recarga rápida fora de operação ou ocupadas, necessidade de planejamento adicional e desigualdade regional no acesso a pontos de carga.
O estudo destaca que a ampliação da rede, com foco em confiabilidade e cobertura, é essencial para reduzir a chamada ansiedade de autonomia e acelerar a adoção. Iniciativas para levar eletropostos a corredores rodoviários e a regiões menos atendidas, como Centro-Oeste e interior do Nordeste, já mostram avanços, mas exigem expansão contínua e interoperabilidade entre operadores. A comunicação de benefícios ambientais e financeiros também precisa ser intensificada, ajudando novos consumidores a entender o custo total de propriedade dos veículos elétricos.
Para montadoras e gestores públicos, o recado é direto: ampliar a variedade de modelos, de compactos a SUVs, investir em recarga confiável e acelerar incentivos regionais fora do eixo Sudeste–Sul. Com a melhora da infraestrutura e uma oferta mais ampla, a tendência é que a satisfação elevada se traduza em um ciclo de crescimento sustentável do mercado de carros elétricos no Brasil.
No balanço geral, a Global EV Driver Survey 2025 aponta que os brasileiros estão entre os mais satisfeitos do mundo, superando a média global e indicando que a mobilidade elétrica no país já é uma realidade em desenvolvimento. Com mais pontos de recarga, redes integradas e produtos competitivos, o cenário é favorável para que a próxima década consolide os carros elétricos como escolha dominante entre consumidores que buscam economia, tecnologia, conforto e sustentabilidade.

