Big techs lucram com IA enquanto OpenAI e Anthropic acumulam rombo bilionário, segundo o WSJ: chips, nuvem e data centers explicam a disparada

Big techs lucram com IA enquanto OpenAI e Anthropic enfrentam rombo financeiro

Por que big techs lucram com IA e startups de IA generativa, como OpenAI e Anthropic, encaram custos explosivos e prejuízos recordes apesar do boom

O avanço da inteligência artificial multiplicou os lucros de Microsoft, Nvidia, Alphabet e Amazon, impulsionados pela venda de chips, serviços de nuvem e infraestrutura de dados. Em paralelo, as estrelas da IA generativa, como OpenAI e Anthropic, enfrentam um rombo financeiro crescente, resultado de investimentos pesados em pesquisa, modelos cada vez maiores e poder computacional. Como resumem as reportagens do Olhar Digital, “As informações são do The Wall Street Journal.”

Esse choque de resultados ilustra uma dinâmica central desta fase da tecnologia. De um lado, as big techs lucram com IA, maximizando receitas com contratos de longo prazo em nuvem, compra de aceleradores e aluguel de capacidade em grandes data centers. De outro, as startups que puxaram a revolução generativa ainda procuram um caminho para transformar escala em rentabilidade.

Lucros recordes com chips, nuvem e dados, enquanto a conta das startups explode

A cadeia de valor da IA concentra o ganho na base, onde estão chips de alto desempenho, capacidade em nuvem e infraestrutura. A Nvidia é beneficiada pela demanda por GPUs para treino e inferência. Microsoft e Amazon Web Services colhem margens com contratos bilionários de computação sob demanda, além de serviços gerenciados. A Alphabet capitaliza com armazenamento, orquestração e plataformas de dados.

Nesse cenário, as startups de IA generativa assumem os custos mais caros. O treinamento de modelos de última geração exige milhares de GPUs, consumo energético crescente e equipes de engenharia de elite. O resultado, por ora, é que as big techs lucram com IA vendendo a base que sustenta toda a cadeia, enquanto as criadoras dos modelos mais avançados arcam com a fase mais intensiva de capital.

Rombo bilionário, contratos gigantes e a expansão dos data centers

Segundo as estimativas destacadas pelo Olhar Digital, a OpenAI, criadora do ChatGPT, registrou prejuízo superior a US$ 12 bilhões no trimestre encerrado em 30 de setembro, um dos maiores do mundo corporativo. Embora a companhia não publique balanços, os números atribuídos à sua estrutura de custos e aos acordos com provedores dão a medida do desafio, apontando para perdas reais, não meros ajustes contábeis.

A Anthropic, do chatbot Claude, apoiada pela Amazon, aparece no mesmo roteiro. Ambas gastam bilhões para treinar modelos, contratar engenheiros especializados e escalar serviços globais. Entre os compromissos da OpenAI com as big techs, destacam-se valores citados pelas reportagens: US$ 250 bilhões em serviços de nuvem com a Microsoft, US$ 300 bilhões em contratos com a Oracle, US$ 38 bilhões em infraestrutura da Amazon, e US$ 22 bilhões em acordos com a CoreWeave. Esses montantes ajudam a explicar a aceleração do setor de data centers, e por que as gigantes, ao mesmo tempo em que investem, seguem colhendo lucros sólidos.

O movimento se reflete em novos modelos de financiamento e projetos colossais de infraestrutura. A Meta, por exemplo, participa do projeto Hyperion, um data center de US$ 30 bilhões, em parceria com o fundo Blue Owl Capital, combinando instrumentos de private equity, financiamento de projeto e dívida, uma engenharia financeira que ilustra a corrida por capacidade.

Receitas sobem, custos sobem ainda mais, e a dependência cria riscos sistêmicos

As projeções citadas pelo Olhar Digital apontam que a OpenAI deve atingir US$ 13 bilhões em receita neste ano, com expectativa de dobrar em 2026 e novamente em 2027. Apesar do salto no faturamento, a tendência é de custos escalando mais rápido. As estimativas indicam que as perdas podem triplicar e superar US$ 40 bilhões até 2027, com equilíbrio financeiro apenas em 2030. No curto prazo, a equação fecha porque há apetite de investidores e uma crença de que a monetização de produtos vai alcançar a frente de custos.

O risco, alertam analistas, é um eventual esfriamento do mercado, por recessão ou saturação, reduzir o fluxo de capital. Se isso ocorrer, a relação simbiótica pode virar um problema. As big techs lucram com IA porque vendem infraestrutura e componentes que as startups precisam, mas, se a demanda desacelerar, a engrenagem pode perder tração e pressionar o ciclo de investimentos em toda a cadeia.

Nesse contexto, vale a máxima, citada pelos especialistas, que resume a disciplina necessária para atravessar a fase de crescimento acelerado: “receita é vaidade, lucro é sanidade e caixa é realidade”. Em outras palavras, é preciso que os produtos de IA se tornem altamente rentáveis, em escala, para sustentar a competição por chips, nuvem e data centers.

Por ora, os balanços das gigantes seguem robustos, com chips e nuvem no centro da expansão. Mas também é fato que o motor por trás dessa engrenagem é o capital que financia as startups de IA generativa, e os seus prejuízos bilionários no caminho até a maturidade. Se a próxima etapa entregar margens sustentáveis, a relação continuará virtuosa. Caso contrário, o setor pode encarar uma revisão de expectativas, com pressão simultânea em valuation, contratos de infraestrutura e ritmo de inovação.

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