Agentes de IA em 2025: ‘funcionários digitais’ elevam produtividade no BNY e no Walmart, enquanto big techs correm para bancar data centers bilionários

De assistentes a ‘funcionários digitais’: a era dos agentes de IA já começou

Empresas relatam retorno real com agentes de IA, do BNY com cerca de 100 “funcionários digitais” ao Walmart que encurtou em até 18 semanas o ciclo de design

Depois de meses de expectativa e investimentos gigantes, os agentes de IA começaram a entregar resultados mensuráveis no mundo corporativo. Segundo o Wall Street Journal, companhias como BNY e Walmart já registram ganhos de produtividade e redução de custos com esses “funcionários digitais”, sinalizando que a tecnologia saiu do laboratório e entrou, de fato, na operação diária.

Ao mesmo tempo, o avanço dessa nova geração de inteligência artificial intensifica uma disputa em paralelo, a de financiar a infraestrutura necessária para sustentar o boom de uso. Big techs correm para erguer data centers e garantir poder computacional, movimento que já soma bilhões de dólares em acordos e que, segundo analistas, exige cautela para não repetir excessos do passado.

O que são agentes de IA e por que agora dão retorno

Os agentes de IA são programas autônomos que aprendem com dados, executam tarefas complexas, se comunicam com outros sistemas e tomam decisões sem depender de comandos a todo momento. Diferente de chatbots tradicionais, eles conseguem priorizar ações e até supervisionar outros agentes, sempre dentro de regras definidas por humanos. Como resume o WSJ, “Sistemas que operam sozinhos, dentro de regras definidas por humanos, é a próxima fronteira da IA em empresas, segundo o WSJ”.

Até recentemente, muitas iniciativas estavam em fase piloto e, por isso, pesquisas iniciais, como uma do MIT, apontavam baixo retorno sobre investimento. Em 2025, o cenário começou a virar, à medida que empresas conseguiram levar os agentes de IA para tarefas do dia a dia em engenharia, finanças e varejo, acumulando evidências de eficiência e confiabilidade sob supervisão humana.

Esse amadurecimento aparece também no ecossistema de fornecedores. Segundo as fontes, plataformas como a Agentforce, da Salesforce, vêm “registrando crescimento de cinco vezes em um ano”, um sinal de tração que reforça a adoção dos agentes de IA como peça central da automação corporativa.

BNY e Walmart: produtividade com ‘funcionários digitais’, sem substituir equipes

No setor financeiro, o BNY opera com cerca de 100 “funcionários digitais”, cada um com login próprio, que se comunica por e-mail ou Microsoft Teams e responde a um gestor humano. Esses agentes de IA analisam códigos, identificam vulnerabilidades e, em problemas simples, aplicam correções automáticas. A solução foi desenvolvida sobre modelos de OpenAI, Google e Anthropic, com reforços internos de segurança e precisão dentro da plataforma do banco, chamada Eliza.

O impacto prático aparece na rotina de engenharia, onde os agentes de IA ajudam a reduzir retrabalho e acelerar revisões, sem substituir especialistas. Em vez disso, funcionam como um multiplicador de produtividade, liberando tempo para tarefas de maior valor agregado e melhorando a qualidade do ciclo de desenvolvimento.

No varejo, o Walmart adota o agente Trend-to-Product, que conecta dados de consumo e tendências, como o que adolescentes têm comprado, ao processo de criação de roupas. O resultado é a capacidade de encurtar em até 18 semanas o caminho entre o desenho e a chegada das peças às lojas. Um exemplo citado é o No Boundaries Off-Shoulder Mini Dress, cuja especificação e modelagem foram feitas com ajuda do sistema.

Segundo o CTO do Walmart, Vinod Bidarkoppa, a tecnologia atua como um “multiplicador de força”, aumentando a produtividade sem eliminar funções humanas. A experiência reforça a leitura de que os agentes de IA, quando bem integrados e com governança, elevam o desempenho das equipes e aceleram a inovação de ponta a ponta.

Infraestrutura bilionária e riscos de ritmo acelerado

Enquanto os primeiros resultados operacionais se acumulam, o outro lado da equação é o custo da infraestrutura. Para sustentar a crescente demanda por agentes de IA e modelos generativos, big techs como Meta, OpenAI e xAI têm recorrido a arranjos financeiros robustos com bancos e fundos.

A Meta lançou o projeto Hyperion, avaliado em US$ 30 bilhões (cerca de R$ 168 bilhões), em parceria com o fundo Blue Owl Capital, uma operação que combina private equity, financiamento de projeto e títulos de dívida numa mesma estrutura. O mesmo tipo de “engenharia financeira” aparece no Stargate, que envolve OpenAI e Oracle, e no Colossus 2, da xAI de Elon Musk.

Todos apostam em modelos híbridos de investimento e dívida para expandir data centers e responder à explosão de demanda por IA generativa. O ritmo acelerado, porém, desperta alertas no mercado, que vê na combinação de endividamento elevado e euforia tecnológica um possível déjà-vu de ciclos anteriores. A sustentabilidade, portanto, passa por provar retorno consistente e manter governança e supervisão humana na operação dos agentes de IA.

Por ora, casos como os de BNY e Walmart já mudam a percepção sobre a IA corporativa. Com resultados práticos, como “crescimento de cinco vezes em um ano” em plataformas do ecossistema e ciclos de criação 18 semanas mais curtos, os agentes de IA consolidam seu papel como a primeira grande prova de valor da nova onda de automação inteligente, em uma corrida que, ao mesmo tempo, exige capital, cautela e foco no impacto real nos negócios.

Rolar para cima