COP30 em Belém: Lula pede união global, defende Fundo de Florestas Tropicais e reforça metas de emissões até 2035

COP30: "É o momento de levar a sério os alertas da ciência. É hora de encarar a realidade", diz Lula

Na abertura da Cúpula dos Líderes da COP30, em Belém, presidente diz “É o momento de levar a sério os alertas da ciência. É hora de encarar a realidade” e detalha propostas como o TFFF de US$ 125 bilhões por ano

A COP30 começou a tomar forma política em Belém com a abertura da Cúpula dos Líderes, que funciona como o primeiro grande termômetro da conferência e antecede as negociações formais, previstas entre 10 e 21 de novembro. No pronunciamento desta quinta-feira, 6, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que a crise climática exige convergência internacional e decisões concretas, ancoradas no que indica a ciência.

Lula afirmou que o mundo precisa ganhar ritmo e foco, ligando a diplomacia à vida real e integrando o combate à mudança do clima em todas as esferas. “Para avançar, será preciso superar dois descompassos. O primeiro é a desconexão entre os salões diplomáticos e o mundo real”. Em seguida, cravou a centralidade do tema: “O combate à mudança do clima deve estar no centro das decisões de cada governo, de cada empresa, de cada pessoa”.

O presidente também alertou que tensões geopolíticas têm desviado a atenção da agenda climática. “Rivalidades estratégicas e conflitos armados desviam atenção de recursos que deviam ser destinados para o enfrentamento do aquecimento global. Enquanto isso, a janela de oportunidades está se fechando”.

Ao convocar os governos a agir, Lula reforçou o consenso científico e cobrou realismo na COP30. “A humanidade está ciente do impacto da mudança do clima há mais de 35 anos”. Para ele, é hora de transformar alertas em políticas públicas, investimento e resultados mensuráveis: “É o momento de levar a sério os alertas da ciência. É hora de encarar a realidade”.

O que é a Cúpula dos Líderes da COP30 e por que ela importa

A Cúpula dos Líderes marca a abertura política da COP30 e reúne chefes de Estado, vice-presidentes e ministros de cerca de 140 países. Em Belém, o encontro tem reuniões gerais e sessões temáticas, com condução do presidente brasileiro. É o momento em que se medem as prioridades e o apetite dos governos para avançar em financiamento climático, adaptação e redução de emissões.

Segundo o Itamaraty, a Cúpula busca dar “direção política” às negociações, sem caráter deliberativo. Na prática, isso significa que nenhuma decisão global é tomada nesta etapa, mas o ambiente político definido aqui tende a influenciar diretamente os resultados das conversas técnicas que ocorrem entre 10 e 21 de novembro.

Esta é a primeira vez que a Conferência das Partes acontece no Brasil, no coração da Amazônia, o que fortalece a visibilidade de pautas sobre florestas tropicais, conservação, bioeconomia e transição justa. A escolha de Belém também amplia o simbolismo da COP30, aproximando as negociações das populações e dos biomas mais impactados.

Financiamento climático em foco: o TFFF de US$ 125 bilhões por ano

O Brasil levou à COP30 a proposta de criação do Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), instrumento pensado para financiar, de forma contínua, projetos de conservação e desenvolvimento sustentável em florestas tropicais presentes em cerca de 70 países. De acordo com o governo, o desenho do fundo busca atender à demanda histórica por recursos previsíveis e em escala para preservar a biodiversidade e reduzir emissões por desmatamento.

Segundo o Itamaraty, o TFFF tem potencial para arrecadar cerca de US$ 125 bilhões por ano — aproximadamente R$ 680 bilhões — combinando verbas públicas e privadas. A governança será conduzida por um comitê ainda em formação, com representantes dos países envolvidos. A agenda de financiamento é vista como peça-chave para destravar metas e garantir que as promessas anunciadas na COP30 se convertam em resultados mensuráveis em campo.

Ao colocar o TFFF no centro do debate, o Brasil tenta responder à pergunta que costuma travar as negociações climáticas: quem paga a conta da transição? A proposta dialoga com o apelo de Lula por decisões que unam ciência, ambição e pragmatismo, conectando a COP30 a instrumentos financeiros capazes de acelerar a redução de emissões e a adaptação em larga escala.

Metas do Brasil: desmatamento zero até 2030 e cortes de 59% a 67% até 2035

O governo brasileiro reiterou compromissos que balizam sua atuação na COP30 e nas próximas conferências. Entre eles, o objetivo de zerar o desmatamento até 2030, condição essencial para conter emissões e preservar serviços ecossistêmicos na Amazônia e em outros biomas.

No eixo de mitigação, o Brasil anunciou metas de redução das emissões líquidas de gases de efeito estufa em 59% a 67% até 2035, em comparação com os níveis de 2005. Em termos absolutos, isso equivale a alcançar entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente. A atualização foi apresentada na COP29, em Baku, e agora entra no radar de implementação e transparência, com monitoramento de curto e médio prazo.

Com a COP30 sediada no país pela primeira vez, o Brasil busca influenciar a convergência em temas como financiamento climático, adaptação climática, preservação de florestas, e iniciativas setoriais, como a descarbonização de cadeias produtivas. O recado de Lula, ao defender que a “janela de oportunidades está se fechando”, coloca pressão por resultados e por um calendário de ação que reflita o que a ciência já vem alertando.

À medida que as negociações formais avançarem ao longo de novembro, a expectativa é que a COP30 traduza o tom político da Cúpula dos Líderes em compromissos palpáveis, com metas claras de redução de emissões, novos mecanismos de financiamento e regras para fortalecer a adaptação. Em Belém, o mundo volta os olhos para a Amazônia e mede até onde vai a disposição dos governos em transformar discurso em implementação.

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