COP30 em Belém: 53 países apoiam o Fundo Florestas Tropicais para Sempre e Brasil diz ter 50% do orçamento de 2026 garantido

COP30: 53 países aderiram a fundo florestal do Brasil, que garantiu 50% dos recursos de 2026

Na COP30, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, liderado por Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo, busca preservar 80% das florestas tropicais até 2050 com apoio de Banco Mundial e FMI

O governo brasileiro confirmou que 53 países já declararam apoio ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que será apresentado oficialmente durante a COP30, marcada para começar na segunda-feira, dia 10, em Belém (PA). A iniciativa, segundo o Ministério das Relações Exteriores, reúne nações de diferentes continentes e mobiliza recursos de governos, instituições multilaterais e do setor privado para garantir financiamento estável e de longo prazo à conservação das florestas tropicais e ao desenvolvimento sustentável das populações que vivem nesses territórios.

Às vésperas da COP30, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o TFFF já conta com metade do orçamento projetado para 2026. Nas palavras do ministro, “Já temos 50% do previsto para 2026 e o restante virá com os compromissos que estão sendo costurados até a COP30”. A declaração reforça a expectativa do governo de alcançar a meta antes do prazo, consolidando o Brasil como protagonista da agenda climática global na conferência de Belém.

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre é uma proposta conjunta de Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo, países que abrigam as maiores áreas de florestas tropicais do planeta. A iniciativa conta com o apoio de organismos como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), além de prever a participação do setor privado. De acordo com o Itamaraty, a meta do TFFF é garantir a preservação de pelo menos 80% das florestas tropicais até 2050.

Em comunicado divulgado pelo governo, a adesão de dezenas de países foi destacada como um sinal de convergência internacional. A nota ressalta que o apoio de 53 nações “mostra a relevância da proposta e o reconhecimento do papel central das florestas tropicais no combate à mudança do clima”. A mensagem aponta a COP30 como um marco para inaugurar uma etapa de cooperação baseada em parcerias duradouras e corresponsabilidade entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

O que é o TFFF e como vai funcionar

O TFFF foi desenhado para operar como um fundo patrimonial, isto é, um mecanismo de capitalização que gera rendimentos permanentes, evitando a dependência de doações pontuais. A lógica é assegurar previsibilidade e escala ao financiamento climático, condição essencial para proteger florestas, reduzir emissões e apoiar a transição para uma economia de baixo carbono nas regiões tropicais.

Os recursos do TFFF devem ser direcionados a projetos de redução do desmatamento, recuperação de áreas degradadas e promoção de atividades econômicas sustentáveis. A proposta parte do princípio de que preservar florestas tropicais, como Amazônia, Bacia do Congo e Sudeste Asiático, exige investimentos contínuos, mecanismos de governança transparentes e integração com políticas públicas de desenvolvimento, inclusão social e bioeconomia.

Ao priorizar a estabilidade financeira e metas claras, como a preservação de 80% das florestas tropicais até 2050, o TFFF pretende acelerar resultados e dar segurança a governos e investidores. A participação de organismos multilaterais como Banco Mundial e FMI também adiciona credibilidade, governança e capacidade de mobilização internacional.

Quem apoia a iniciativa e por que isso importa na COP30

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, 53 países de diferentes continentes já manifestaram apoio à iniciativa, que articula fontes de recursos de governos, instituições multilaterais e do setor privado. Essa diversidade de atores é vista como determinante para viabilizar projetos em larga escala e para sustentar políticas de longo prazo, sobretudo em regiões onde a proteção florestal depende de alternativas econômicas viáveis para as comunidades locais.

A construção do TFFF vem sendo costurada desde sua apresentação na Assembleia-Geral das Nações Unidas, em setembro, e ganhou tração na rota para a COP30. Para o governo brasileiro, o desenho do fundo inaugura uma fase de cooperação climática centrada na corresponsabilidade, reconhecendo que países com florestas tropicais prestam um serviço ambiental essencial ao planeta e precisam de mecanismos financeiros à altura desse papel.

Na avaliação de diplomatas, o apoio de 53 países, somado à confirmação de que 50% dos recursos de 2026 já estão assegurados, cria um ambiente favorável para novos compromissos em Belém. Com o mundo de olho na COP30, a iniciativa reforça a liderança do Brasil no tema florestas e amplia a pauta de financiamento climático com metas, governança e previsibilidade.

Próximos passos e o que esperar da apresentação em Belém (PA)

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre será apresentado oficialmente durante a COP30, que começa na segunda-feira, dia 10, em Belém (PA). A expectativa, segundo o ministro Fernando Haddad, é que os anúncios de compromissos acelerem a chegada do restante dos recursos. Como disse o ministro, “Já temos 50% do previsto para 2026 e o restante virá com os compromissos que estão sendo costurados até a COP30”.

No curto prazo, a agenda em Belém deve detalhar a governança do TFFF, as prioridades de investimento e os instrumentos para monitorar resultados, com transparência e métricas alinhadas a padrões internacionais. No médio e longo prazo, a meta de preservar 80% das florestas tropicais até 2050 funcionará como norteador de políticas, projetos e parcerias, conectando conservação, redução do desmatamento e desenvolvimento sustentável das populações que dependem da floresta.

A COP30 em Belém, portanto, tem potencial para consolidar o TFFF como referência de financiamento climático para florestas, integrando países detentores de grandes biomas, parceiros multilaterais e o setor privado em torno de um objetivo comum: garantir, com financiamento estável e de longo prazo, que as grandes florestas tropicais permaneçam de pé e gerem prosperidade para quem vive nelas.

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