Erupção extrema no Ciclo Solar 25 coloca o planeta em alerta, com prótons ultraenergéticos e perturbações significativas na magnetosfera
A explosão solar recorde registrada nesta terça-feira, 11, foi classificada como X5.2 e já influencia o campo magnético da Terra. Segundo os dados iniciais, o evento deve desencadear tempestades geomagnéticas entre G3, forte, e G4, severa, com potencial de provocar auroras em regiões incomuns. O grupo de manchas solares AR4274 segue muito ativo, acumulando sua terceira erupção do tipo X em três dias e consolidando este episódio como o mais intenso de 2025. Crédito: NOAA/GOES.
Em termos de escala, as erupções solares são classificadas por letras, A, B, C, M e X, de acordo com a intensidade de raios X que liberam. Cada nível é dez vezes mais intenso do que o anterior, enquanto o número que acompanha a letra diferencia a força dentro da mesma classe. Assim, um X2 é duas vezes mais forte que um X1, um X3 é três vezes mais forte, e assim por diante. Na ponta desse espectro estão os eventos da classe X, os mais energéticos.
O Sol atravessa ciclos de cerca de 11 anos, e estamos no Ciclo Solar 25. No auge do ciclo, surgem mais manchas solares, que concentram energia e tornam o ambiente ideal para reconexões magnéticas capazes de liberar rajadas e ejeções de massa coronal, as CMEs. Como o astro gira em aproximadamente 27 dias, regiões ativas podem sair de vista por algumas semanas e depois retornar ao campo de visão da Terra.
CME canibal pode intensificar o impacto na Terra
De acordo com a plataforma de climatologia e meteorologia espacial Spaceweather.com, a ejeção de massa coronal resultante desta explosão solar recorde está viajando em altíssima velocidade e deve se fundir com outras duas CMEs lançadas antes pela mesma mancha, configurando uma “CME canibal”. Quando esse tipo de fusão ocorre, o choque com a magnetosfera pode ser mais eficiente, elevando o risco de interferências em sistemas de comunicação, redes de energia e satélites.
Esse cenário reforça o alerta para distúrbios geomagnéticos nas próximas horas, compatíveis com os níveis G3 a G4, e aumenta a chance de auroras visíveis em latitudes mais baixas do que o habitual. Para observadores e operadores de infraestrutura crítica, a recomendação é acompanhar os boletins de monitoramento de clima espacial e possíveis avisos de tempestade.
Prótons ultraenergéticos e o raro Evento ao Nível do Solo
Além de plasma e campos magnéticos, a erupção liberou uma enxurrada de prótons altamente energéticos rumo à Terra. Essas partículas podem viajar quase à velocidade da luz e, em casos raros, ultrapassar as camadas atmosféricas até atingir o solo, caracterizando o chamado “Evento ao Nível do Solo”, ou GLE. Segundo o professor Clive Dyer, do Centro Espacial de Surrey, no Reino Unido, “Este é um evento muito significativo”.
O GLE ocorre apenas uma ou duas vezes por ciclo solar. Para Dyer, o episódio atual é comparável ao evento de 13 de dezembro de 2006, um dos mais fortes do século, e fenômenos desse porte tendem a acontecer, em média, a cada 20 anos. Durante o GLE de 2006, passageiros em voos próximos aos polos receberam doses de radiação cerca de 20% acima do normal. Algo semelhante pode estar ocorrendo agora, sobretudo em rotas de alta altitude.
Estudar episódios como este ajuda a preparar protocolos para extremos ainda mais raros, como o de 1956, quando a radiação a 12 mil metros de altitude foi mil vezes maior. Em paralelo, a explosão solar recorde atual serve como laboratório natural para pesquisadores avaliarem os impactos de prótons energéticos sobre aeronaves, eletrônica embarcada e rotas polares que atravessam regiões de maior exposição.
Auroras, satélites e o que as sondas já mostram
No espaço, satélites estão sendo atingidos por partículas solares, criando um efeito de “neve” nas câmeras. A interferência, visível nas imagens do Observatório Solar e Heliosférico, SOHO, mantido pela NASA e pela Agência Espacial Europeia, ESA, é um dos sinais mais claros da tempestade de radiação, um lembrete da força do Sol sobre o ambiente próximo à Terra. Crédito: SOHO.
Enquanto isso, a sonda Solar Orbiter, da ESA, vem mapeando a dinâmica do astro. Desde fevereiro de 2020, a espaçonave percorre órbitas elípticas e, em março deste ano, deixou o plano em que outras sondas observam o Sol para seguir em uma trajetória inclinada em 17 graus, oferecendo uma visão mais favorável dos polos solares. Essa configuração tem permitido a análise de fluxos de plasma e do campo magnético solar com maior detalhe.
Nas próximas horas, a expectativa é de tempestades geomagnéticas de G3 a G4, com auroras em latitudes incomuns e possíveis perturbações em sistemas que dependem do espaço. Com a explosão solar recorde X5.2 e a possibilidade de CME canibal, o episódio reforça a importância do monitoramento contínuo por redes como NOAA/GOES, além do acompanhamento de plataformas especializadas, como a Spaceweather.com.
Para quem acompanha o tema, este é um retrato do Ciclo Solar 25 em seu auge, com manchas solares ativas, ejeções de massa coronal e prótons energéticos testando os limites da nossa infraestrutura e a capacidade de previsão do clima espacial. Em terra, no ar e no espaço, a atual janela de instabilidade deve ser observada com atenção, ciência e dados.

