Cauda iônica do cometa 3I/ATLAS cresce sem parar: novas imagens revelam estrutura, brilho e atividade no Sistema Solar interno

Nova imagem mostra que cauda iônica do cometa 3I/ATLAS não para de crescer 

Registrada pelo Projeto Telescópio Virtual, a cauda iônica do cometa 3I/ATLAS ficou maior e mais definida, mesmo a apenas 14° do horizonte e com a Lua 61% iluminada

A cauda iônica do cometa 3I/ATLAS, o raro visitante interestelar atualmente cruzando o Sistema Solar interno, continua a se expandir e a ganhar detalhes, segundo uma nova imagem do Projeto Telescópio Virtual, na Itália. A captura combina 18 exposições de 120 segundos, feitas remotamente por telescópios robóticos em Manciano, por volta de 00h30 de terça-feira (11). Mesmo em condições desafiadoras, a imagem revelou uma cauda iônica brilhante e bem estruturada, um indício claro de atividade crescente à medida que o objeto se aproxima mais do Sol.

O registro foi realizado quando o cometa estava apenas 14 graus acima do horizonte leste, com a Lua 61% iluminada a aproximadamente 70 graus, o que, em geral, complica a observação de detalhes finos. Ainda assim, a cauda iônica do cometa 3I/ATLAS aparece nítida e estendida, destacando-se sobre o fundo do céu.

Nova imagem evidencia evolução acelerada e atividade em alta

Segundo o astrônomo Gianluca Masi, responsável pelo projeto, as condições de observação foram determinantes para o resultado. Em comunicado, ele afirmou que "o clima excepcional permitiu registrar a cauda iônica de forma muito mais desenvolvida que antes. Ele ressaltou que a nova imagem mostra a evolução do cometa em detalhes impressionantes." O retrato mostra um núcleo brilhante envolto por uma coma compacta e uma cauda iônica que se estende por cerca de 0,7 grau no céu.

Além disso, uma anticauda tênue, formada por poeira que acompanha a órbita, também é perceptível. O conjunto sugere que o cometa está liberando material em maior quantidade, resultado de sua crescente interação com a radiação solar.

Outro registro recente, feito em 9 de novembro de 2025 por Frank Niebling e divulgado pelo Spaceweather.com, reforça a tendência: o 3I/ATLAS foi capturado exibindo estruturas incomuns na cauda, apesar da Lua (82% iluminado) e da baixa altura de cerca de 9 a 12 graus. Para os astrônomos, o padrão consistente entre observações independentes confirma que a cauda iônica do cometa 3I/ATLAS está se tornando mais longa e definida a cada dia.

Como se forma a cauda iônica e por que ela aponta para longe do Sol

A cauda iônica se forma por um processo diretamente ligado à radiação do Sol e ao vento solar. De acordo com a explicação dos pesquisadores, "A cauda iônica se forma quando a radiação ultravioleta do Sol arranca elétrons das moléculas de gás liberadas pelo cometa, criando íons. O vento solar arrasta esses íons, formando uma cauda azulada que aponta sempre para longe do Sol, diferente da cauda de poeira, amarelada e curvada ao longo da órbita."

Um bom exemplo desse fenômeno é o que foi visto no cometa Hale-Bopp, em 1997, onde eram visíveis duas caudas distintas. Naquele caso, a cauda azulada era dominada por moléculas ionizadas, como o monóxido de carbono, que emitem brilho azul ao recuperar elétrons. Já a cauda branca era composta por poeira expulsa pela pressão da luz solar. Esse comportamento, agora observado com clareza no 3I/ATLAS, ajuda a decifrar a composição do cometa e seu nível de atividade neste trecho da viagem.

Os sinais de crescimento indicam que gases voláteis, como dióxido de carbono (CO₂), e poeira estão sublimando com mais intensidade. O Olhar Digital destaca: "O crescimento da cauda indica que gases voláteis, como dióxido de carbono, e poeira estão sublimando com mais intensidade. Isso sugere que o cometa possui grande quantidade de gelo de CO₂, oferecendo pistas sobre seu sistema de origem e sobre a evolução de cometas fora da vizinhança solar."

3I/ATLAS em contexto: um raro visitante interestelar e o que vem a seguir

O 3I/ATLAS é apenas o terceiro objeto interestelar confirmado, após o asteroide 1I/’Oumuamua, em 2017, e o cometa 2I/Borisov, em 2019. Diferentemente dos antecessores, ele é suficientemente brilhante para estudos detalhados a partir da Terra, oferecendo uma oportunidade rara de acompanhar como um corpo formado em outro sistema reage ao nosso Sol.

O Projeto Telescópio Virtual seguirá monitorando o objeto enquanto ele cruza o Sistema Solar interno. A iniciativa marcou um evento público: "Na próxima segunda-feira (17), a plataforma vai fazer uma transmissão ao vivo da observação do cometa interestelar, a partir da 1h15 da manhã, no YouTube." Para quem acompanha a evolução da cauda iônica do cometa 3I/ATLAS, a live é uma chance de ver, praticamente em tempo real, as mudanças na morfologia da cauda e no brilho do núcleo.

O cometa também protagonizou outra novidade recente. Como registrou o Olhar Digital, "Astrônomos registraram pela primeira vez um sinal de rádio vindo do cometa 3I/ATLAS, no momento em que ele ultrapassava a metade de sua rota pelo Sistema Solar." Embora a detecção tenha alimentado especulações, os especialistas deixam claro: "Embora o achado tenha despertado rumores sobre uma possível origem tecnológica alienígena, especialistas garantem que a explicação é totalmente natural."

No ritmo atual de aumento de atividade, novos dados devem refinar estimativas sobre a composição e a dinâmica do objeto. Para a comunidade científica, a cauda iônica do cometa 3I/ATLAS é uma janela para entender como gelo de CO₂ e outros voláteis se comportam longe de seu ambiente natal, e, para o público, um espetáculo raro que vale ser acompanhado nos próximos dias.

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