Erupção solar classe X: Sol volta a explodir com flare X4 menos de 72 horas após X5.2, NOAA relata apagões R3 e NASA prevê CME tangencial

Sol registra segunda erupção mais forte do ano em menos de 72 horas

O Sol atravessa uma fase de atividade solar intensa no Ciclo Solar 25. Entre o domingo (9) e esta sexta-feira (14), foram registradas três erupções de classe X, a categoria mais energética. Depois do pico de X5.2 na terça-feira (11), o mais forte de 2025, uma nova erupção solar classe X do tipo X4 voltou a agitar a estrela nesta madrugada, mantendo o alerta para possíveis impactos no ambiente espacial da Terra.

O evento, originado no mesmo grupo de manchas solares AR4274, reforça que a região ativa segue altamente magneticamente complexa e capaz de produzir grandes flares. Segundo monitoramentos dos satélites NOAA/GOES e análises do SWPC, houve apagões de rádio de alta frequência no hemisfério diurno do planeta, poucos minutos após a explosão.

O que aconteceu nesta madrugada

O registro mais recente foi confirmado por centros de monitoramento dos EUA. Em comunicado, consta que a erupção e seus efeitos foram sentidos rapidamente na ionosfera terrestre, com impactos especialmente observados sobre a África.

Como detalhado pelo órgão americano, “Conforme informado pelo Centro de Previsão do Clima Espacial (SWPC) da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), a erupção mais recente ocorreu nesta madrugada, às 4h30 (pelo horário e Brasília), a partir do mesmo grupo de manchas solares que produziu os três eventos extremos anteriores, AR4274.”

Os efeitos imediatos no rádio também foram relatados: “A explosão provocou apagões de rádio R3 (fortes) em todo o lado iluminado da Terra cerca de oito minutos depois, com as interrupções mais severas concentradas sobre a África central e oriental.”

Embora o flare X4 seja um evento extremo, a orientação geométrica da região ativa, já perto da borda solar voltada para longe da Terra, altera o potencial de impacto direto da ejeção de massa coronal associada.

Ciclo Solar 25, raios-X e por que a classe X preocupa

O ciclo de 11 anos do Sol concentra maior número de manchas solares e rearranjos de campo magnético próximo ao máximo, aumentando a chance de erupções. Quando linhas magnéticas se emaranham e rompem, o resultado pode ser um clarão de raios-X, acompanhado ou não por CME.

A classificação por letras A, B, C, M e X reflete a intensidade dos raios-X medidos. Em cada degrau, a energia cresce cerca de dez vezes, e o número após a letra quantifica a força dentro da mesma classe, como X2, X4, X5.2. Em termos simples, quanto mais alto o número, maior a intensidade do clarão.

A própria agência espacial dos EUA explica o fenômeno. Segundo texto técnico, “De acordo com a NASA, essas rajadas são explosões massivas do Sol que disparam jatos de plasma e campos magnéticos (também chamados de “ejeção de massa coronal” – CME) e partículas carregadas de radiação para fora da estrela;” Esses eventos podem perturbar as comunicações de rádio, a navegação por satélite e o ambiente espacial ao redor da Terra.

CME pode atingir a Terra de raspão: quando e o que esperar

Com a AR4274 quase girando para o lado oculto do Sol, a geometria da CME reduz a probabilidade de um acerto frontal. A avaliação operacional descreve esse cenário: “Como a região ativa onde ocorreu o evento está quase virando para o lado de trás do Sol, a CME lançada atingirá a Terra, no máximo, tangencialmente.”

Modelagens indicam o momento mais provável para um possível toque no campo magnético terrestre. De acordo com a simulação, “Segundo um modelo da NASA, ela poderá atingir o campo magnético do nosso planeta de raspão no final no domingo (16).” Caso a borda da ejeção realmente alcance a Terra, o SWPC trabalha com a faixa de tempestade geomagnética G1 a G2 em uma escala que vai até G5, o que representa impactos leves a moderados no clima espacial.

Em um cenário tangencial, os efeitos tendem a ser mais contidos, porém ainda relevantes para operações que dependem do GPS, comunicações em HF e monitoramento de satélites. A confirmação do acerto, o horário e a intensidade dependem da velocidade e do campo magnético carregado na frente da CME quando, e se, ela alcançar a Terra.

AR4274 segue ativa, AR4276 e AR4280 em observação

Entre as regiões solares vigiadas, a AR4274 continua no topo das preocupações. Relatos de monitoramento destacam que, apesar de uma leve redução nas manchas periféricas, a estrutura principal cresceu e mantém potencial para novas erupções moderadas ou fortes. Em avaliação recente, consta: “Mesmo com uma leve redução nas manchas periféricas, a principal cresceu e mantém condições para gerar explosões moderadas ou até fortes.”

Outras áreas também chamam atenção. Em especial, a AR4276 teve uma diminuição de complexidade, mas ainda mostrou atividade: “registrou sete pequenas erupções nas últimas 24 horas”. Já a AR4280 apresenta crescimento discreto, enquanto as demais regiões se mantêm estáveis ou em enfraquecimento gradual.

O interesse científico por ejeções de massa coronal não é exclusivo do nosso Sol. Um estudo divulgado na revista Nature relatou a primeira observação direta de uma estrela próxima lançando um fluxo de plasma semelhante, detectado com a sonda XMM-Newton, da ESA, e o radiotelescópio LOFAR. A confirmação amplia o entendimento sobre a física de erupções estelares e ajuda a calibrar modelos que também se aplicam ao nosso sistema.

Enquanto a expectativa recai sobre um possível toque de CME no domingo (16), os instrumentos do NOAA/SWPC e de parceiros seguem acompanhando a evolução das manchas solares e das emissões de raios-X. Para quem monitora o tema, a recomendação é acompanhar os boletins oficiais de clima espacial e atualizações de NASA e NOAA nas próximas 48 horas, quando deve ficar claro se a erupção solar classe X resultará em efeitos detectáveis no campo magnético da Terra.

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