Meteoro bola de fogo no RS é flagrado em Santa Maria às 2h37, clarão dura 4 segundos em noite de pico das Leônidas

Meteoro “risca” o céu do RS e chama atenção por longa duração

Observatórios de Santa Maria e Santo Ângelo, da Bramon, registram o meteoro bola de fogo no RS, que se desintegrou na atmosfera e não ofereceu riscos

Um meteoro bola de fogo no RS iluminou o céu da região central do estado na madrugada desta terça-feira, 18 de novembro de 2025. O fenômeno foi visto por volta das 2h37, horário de Brasília, e chamou atenção pela longa duração de quatro segundos, algo pouco comum em registros do tipo.

O clarão foi captado com nitidez pelas câmeras do observatório do Bate-Papo Astronômico, em Santa Maria, e, mesmo sob cobertura de nuvens, também apareceu de forma parcial nas imagens do Clube de Astronomia do Campus Santo Ângelo, do Instituto Federal Farroupilha, nas Missões. As duas estações integram a Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (Bramon), o que ajuda a documentar a passagem do objeto com múltiplas perspectivas.

Segundo Fabricio Colvero, responsável pelo projeto Bate-Papo Astronômico, apesar do brilho intenso, o corpo se desintegrou completamente na atmosfera, sem deixar riscos à população. O pesquisador celebrou a captura, destacando o valor científico e o impacto visual do registro: “Este, sem dúvidas, figura entre os mais belos registros de nosso observatório. Toda manhã, quando revisamos as estações, esperamos ansiosamente por momentos como este”.

Os dados reforçam o papel da Bramon na vigilância colaborativa de meteoros no país, permitindo que eventos como o meteoro bola de fogo no RS sejam confirmados com agilidade e precisão, mesmo em condições meteorológicas menos favoráveis.

Como foi o espetáculo no céu gaúcho

Relatos e vídeos indicam um clarão muito brilhante que percorreu parte do céu, deixando um rastro luminoso visível por cerca de quatro segundos. Para observadores casuais, esse tempo é suficiente para notar a cor e a intensidade do fenômeno, além de sua trajetória aparente no firmamento.

Embora a madrugada apresentasse nuvens sobre trechos do Rio Grande do Sul, o meteoro bola de fogo no RS foi registrado de Santa Maria e também apareceu nas imagens de Santo Ângelo. As duas câmeras, ao atuarem em conjunto, contribuem para o entendimento de aspectos como a velocidade aparente, a direção do movimento e a altitude da desintegração.

Colvero reforçou a emoção do flagrante pelas estações da rede, que diariamente vasculham o céu em busca de eventos raros ou marcantes. Para a comunidade astronômica e para o público, registros assim funcionam como uma janela para a dinâmica do espaço próximo à Terra.

Leônidas no auge, mas radiante indica outra origem

As últimas noites marcaram o pico da chuva de meteoros Leônidas, um evento anual que acontece quando a Terra cruza a trilha de detritos deixada pelo cometa 55P/Tempel-Tuttle. Nesse período, a chance de ver meteoros isolados aumenta, o que costuma atrair observadores para céus mais escuros.

Neste caso específico, porém, a análise inicial de Colvero indica que o meteoro bola de fogo no RS não deve ter relação direta com as Leônidas, já que a trajetória aparente remete a um radiante diferente do esperado para essa chuva. A equipe, no entanto, não conseguiu realizar uma triangulação completa, por limitações técnicas do equipamento principal que registrou o evento.

O próprio astronomia destacou a dificuldade para uma análise mais profunda das imagens disponíveis: “Não foi possível fazer uma análise detalhada porque essa câmera que capturou é destinada ao registro de raios, ela não possui os parâmetros técnicos adequados para meteoros, e a de Santo Ângelo registrou parcialmente”. Mesmo assim, os registros múltiplos ajudam a confirmar o horário, a duração e o brilho, elementos úteis para a catalogação pela Bramon.

O que é uma bola de fogo e por que não há motivo para alarde

Quando meteoroides, pequenas rochas espaciais, penetram a atmosfera terrestre a altíssimas velocidades, o atrito aquece o ar e produz um intenso clarão, fenômeno que os astrônomos chamam de meteoro. Em casos de brilho muito alto, comparável ou superior ao do planeta Vênus, o evento é classificado como bola de fogo. Se houver explosão luminosa e possível estrondo audível, o termo empregado é bólido.

Como explica Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia, membro da Sociedade Astronômica Brasileira, diretor técnico da Bramon e colunista do Olhar Digital, o fenômeno é essencialmente luminoso: “Meteoro não é sólido, não é líquido nem gasoso, é apenas luz”. Na prática, isso significa que, na imensa maioria dos casos, o meteoroide é consumido antes de alcançar o solo.

Foi o que ocorreu com o meteoro bola de fogo no RS, que se desfez na alta atmosfera, sem deixar fragmentos conhecidos e sem oferecer perigo. Em ocasiões raras, pequenos pedaços, os meteoritos, podem escapar da vaporização e atingir a superfície, porém esse não foi o caso relatado no Rio Grande do Sul.

Para quem deseja observar chuvas como as Leônidas, a recomendação é buscar locais escuros e com horizonte amplo, preferindo a alta madrugada, quando o radiante está mais elevado. Mesmo fora de picos de atividade, eventos esporádicos como o meteoro bola de fogo no RS podem surgir, o que torna a vigilância contínua da Bramon e de observatórios parceiros tão valiosa para a ciência e para o público.

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