Apogeu da Lua é quando o satélite atinge sua maior distância média da Terra, cerca de 406.700 km, fazendo o disco parecer um pouco menor e menos brilhante
Nesta quarta-feira, 19, véspera do feriado nacional do Dia da Consciência Negra, a Lua chega ao ponto mais distante de sua órbita em relação à Terra às 23h48, no horário de Brasília. É o momento em que ocorre o apogeu da Lua, um evento astronômico que, embora não seja raro, desperta curiosidade por alterar sutilmente o tamanho aparente e o brilho do nosso satélite natural.
Por trás do fenômeno está a órbita elíptica da Lua. Em vez de um círculo perfeito, ela descreve uma elipse, o que faz a distância ao nosso planeta variar ao longo do mês. No apogeu, a Lua está mais longe, e no perigeu, mais perto. Essa mudança de distância, em torno de 14%, ajuda a explicar por que algumas Luas cheias parecem maiores, enquanto outras parecem um pouco menores.
Segundo o astrônomo Marcelo Zurita, presidente da APA, membro da SAB, diretor técnico da Bramon e colunista do Olhar Digital, “Esses valores são médios porque, na prática, variam bastante devido às influências gravitacionais do Sol e dos outros planetas do Sistema Solar”. Em outras palavras, os números de referência, como 356.500 km no perigeu e 406.700 km no apogeu, oscilam levemente de um mês para outro.
O que é o apogeu e por que ele acontece
O apogeu da Lua é o ponto da órbita lunar mais afastado da Terra. Como a trajetória é ligeiramente oval, ou seja, uma elipse, a distância varia ao longo do ciclo. Na prática, essa variação chega a cerca de 14% entre o perigeu, com aproximadamente 356.500 km, e o apogeu, com cerca de 406.700 km. Essa diferença impacta o tamanho angular do disco lunar e também sua luminosidade aparente.
O efeito visual, no entanto, é sutil a olho nu. Mesmo assim, ele existe, e pode ser percebido comparando fotografias da Lua feitas em diferentes datas do mês, preferencialmente com a mesma lente e configuração. No apogeu, a Lua aparece menor e um pouco menos brilhante, enquanto no perigeu, quando temos as chamadas superluas, o disco fica maior e mais luminoso.
A influência gravitacional de outros corpos, especialmente do Sol, altera um pouco as distâncias a cada ciclo. Por isso, como destaca Zurita, “Esses valores são médios porque, na prática, variam bastante devido às influências gravitacionais do Sol e dos outros planetas do Sistema Solar”, o que ajuda a entender por que o apogeu da Lua não é exatamente igual todos os meses.
O que você vai notar no céu nesta noite
No horário previsto, a Lua estará na fase minguante, o que significa que seu brilho já se encontra em declínio por causa da iluminação solar reduzida. Com o apogeu da Lua, o tamanho angular fica menor e o brilho se torna menos intenso, uma combinação que deixa o disco mais discreto no céu. A visibilidade, claro, também depende de condições locais, como nebulosidade, poluição luminosa e posição do astro no horizonte.
Ao contrário de uma superlua, que ocorre quando a Lua cheia coincide com o perigeu, o apogeu tende a tornar as diferenças menos chamativas para observadores casuais. Ainda assim, observar o apogeu da Lua é uma ótima oportunidade para compreender como a geometria da órbita lunar molda nossa experiência do céu noturno.
Vale lembrar que, neste mês, ocorreu a maior Superlua de 2025, que, segundo o guia de observação Starwalk Space, pode ter aparecido quase 8% maior e 16% mais brilhante do que uma Lua cheia típica. Essa comparação ajuda a visualizar o contraste entre perigeu e apogeu, reforçando por que alguns registros fotográficos ficam tão impressionantes quando a Lua está mais próxima da Terra.
Calendário lunar, ciclo entre perigeu e apogeu e quando o fenômeno se repete
De acordo com a plataforma InTheSky.org, o tempo do circuito da Lua entre perigeu, apogeu e perigeu novamente é de 27,55 dias, um período chamado de mês anomalístico. Esse é um pouco maior do que o período orbital sideral do satélite natural, de 27,322 dias. Em termos práticos, isso significa que o próximo apogeu da Lua ocorrerá aproximadamente um mês depois, com pequenas variações conforme a influência gravitacional dos demais corpos do Sistema Solar.
As fases da Lua seguem um ritmo próprio, a chamada lunação, que tem duração média de 29,5 dias. Nesse intervalo, o satélite passa por nova, crescente, cheia e minguante, com cada fase durando em torno de sete dias. Entre elas, há as interfases, como o quarto crescente e as fases gibosas, quando mais da metade do disco está iluminada, primeiro em ascensão e depois em declínio.
Nesta semana de apogeu da Lua, a fase minguante marca o fim do ciclo atual, com a Lua nova iniciando um novo período já na quinta-feira, 20. Para quem gosta de observar o céu, vale acompanhar o calendário lunar e usar aplicativos de astronomia para localizar a Lua, estimar seu brilho e comparar seu tamanho aparente ao longo do mês.
Se o tempo colaborar, uma sessão de observação após as 23h já permite notar a Lua mais alta no céu conforme avança a madrugada. Um binóculo simples ajuda a realçar crateras e mares, e, mesmo com o apogeu da Lua deixando o disco ligeiramente menor, a experiência continua rica, especialmente em regiões com boa transparência atmosférica.

