Ozempic oral: The Lancet detalha que orforglipron reduz até 10,5% do peso em 72 semanas e pode baratear o tratamento da obesidade até 2026

Ozempic oral? Pesquisa mostra resultados promissores

Comprimido de GLP-1 desponta como alternativa prática às injeções

Um Ozempic oral começa a ganhar forma na pesquisa clínica. Um estudo internacional liderado por pesquisadores da UTHealth Houston, publicado na revista The Lancet, aponta que o orforglipron, um agonista do receptor GLP-1 em comprimidos, proporcionou maior perda de peso e melhor controle glicêmico em comparação com placebo. A perspectiva de um medicamento por via oral para obesidade e diabetes tipo 2 amplia as opções de tratamento e, segundo os autores, pode facilitar o acesso por dispensar aplicações e refrigeração.

Diferentemente dos GLP-1 injetáveis hoje disponíveis, o orforglipron é uma molécula pequena tomada uma vez ao dia, não requer refrigeração e não impõe restrições relacionadas a refeições. Seu mecanismo inclui estimular a liberação de insulina, reduzir a secreção de glucagon e auxiliar o controle do apetite, efeitos que, combinados, favorecem a queda do peso corporal e a melhora da glicemia.

Para a médica responsável pelo estudo clínico, Deborah Horn, professora e diretora de medicina da obesidade na McGovern Medical School, a chegada de um comprimido dessa classe pode mudar o jogo para muitos pacientes. Em suas palavras, “pode proporcionar maior acesso e melhores oportunidades de saúde para pacientes com obesidade e diabetes”.

Como foi o ensaio clínico publicado no The Lancet

No trabalho, 1.613 adultos de 10 países foram acompanhados por 72 semanas. Os participantes receberam doses progressivas do orforglipron ao longo do acompanhamento, com avaliação periódica de peso e marcadores metabólicos, além de recomendações de alimentação equilibrada e atividade física regular. O desenho multicêntrico, com amostra ampla e acompanhamento prolongado, confere robustez aos achados e ajuda a refletir cenários do mundo real.

Como em outras terapias com GLP-1, o estudo incluiu grupo placebo para comparação rigorosa dos resultados. A segurança do medicamento foi monitorada continuamente, com atenção especial a eventos gastrointestinais, comuns nessa classe de fármacos.

Resultados: perda de peso expressiva e glicemia sob controle

Ao final das 72 semanas, as perdas de peso nos grupos que receberam o Ozempic oral variaram de 5,5% a 10,5%, enquanto o placebo registrou 2,2%. Em termos absolutos, a média chegou a 10,4 kg nos níveis mais altos de dose, número que reforça o potencial da terapia para quem busca redução sustentada do peso. Os pesquisadores também observaram melhor controle glicêmico versus placebo, um benefício decisivo para pessoas com diabetes tipo 2.

Quanto à tolerabilidade, os efeitos colaterais foram em sua maioria gastrointestinais, descritos como leves a moderados, um perfil esperado e semelhante ao visto em outras drogas dessa classe. A conveniência da administração oral, aliada à eliminação das aplicações injetáveis, pode favorecer a adesão ao tratamento no longo prazo.

Hoje, os GLP-1 disponíveis no mercado são majoritariamente injetáveis, exigem refrigeração e podem causar desconforto no local da aplicação. O orforglipron contorna esses obstáculos, o que ajuda a explicar o interesse crescente por um Ozempic oral que simplifique o uso diário e se integre melhor à rotina dos pacientes.

Acesso, custo e próximos passos regulatórios

Os autores destacam que, se aprovado pelo FDA, o orforglipron pode chegar ao mercado em 2026 com custo inferior ao de terapias injetáveis, uma possibilidade que animou os pesquisadores e pode representar um avanço relevante no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. A combinação de preço potencialmente menor, comprimido diário e eficácia tende a ampliar o acesso, especialmente em sistemas de saúde que enfrentam restrições de orçamento.

Para o Brasil, onde a demanda por terapias contra excesso de peso e controle glicêmico segue em alta, um Ozempic oral pode facilitar a prescrição e a continuidade do cuidado, reduzindo barreiras logísticas como armazenamento refrigerado e necessidade de treinamento para injeção. Ao simplificar o regime terapêutico, há expectativa de melhorar a adesão e a satisfação do paciente, fatores decisivos para resultados duradouros.

Apesar do entusiasmo, o orforglipron ainda é um medicamento experimental, sujeito a avaliação regulatória e estudos adicionais de longo prazo. Questões como posologia ideal, critérios de elegibilidade e cobertura por planos de saúde ainda precisarão ser definidas, assim como o posicionamento do fármaco no arsenal terapêutico frente a outras opções da classe.

No horizonte, os dados do The Lancet consolidam a ideia de que um Ozempic oral viável pode transformar o cuidado da obesidade e do diabetes tipo 2, oferecendo conveniência, potencial de redução de custos e resultados clínicos significativos. Até lá, o acompanhamento científico seguirá atento aos próximos desdobramentos e às decisões regulatórias que definirão quando, e como, essa nova opção chegará aos pacientes.

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