Em dezembro, a Uber inicia entregas por robôs no Reino Unido em modelo híbrido com humanos e veículos autônomos, enquanto prepara expansão para mais países europeus em 2026 e EUA em 2027
A Uber confirma sua chegada à era das entregas por robôs na Europa com uma parceria com a Starship Technologies, empresa de robótica autônoma com sede em São Francisco, não confundir com o foguete da SpaceX. O serviço começa em dezembro nas cidades de Leeds e Sheffield, no Reino Unido, com pedidos realizados pelo Uber Eats. Segundo a companhia, “A novidade marca a primeira operação desse tipo no continente”, sinalizando uma aposta clara em automação para ganhar eficiência e escala.
Na prática, os pequenos veículos autônomos da Starship realizam entregas por robôs em prazos de até 30 minutos, cobrindo um raio de aproximadamente 3,2 km, 2 milhas, a partir de restaurantes e mercados parceiros. Como se deslocam por calçadas, eles foram projetados para conviver com pedestres e cruzar ruas em intersecções monitoradas, combinando sensores e software de navegação para executar rotas de forma segura e previsível.
A iniciativa integra a estratégia de longo prazo da Uber de operar um modelo híbrido, combinando entregadores humanos com veículos autônomos. A companhia já acumula experiências com automação em diferentes mercados e, agora, leva essa visão para novos territórios europeus, onde a competição entre plataformas de delivery tem se intensificado.
Como será a operação das entregas por robôs no Reino Unido
O piloto de entregas por robôs no Reino Unido começa atendendo Leeds e Sheffield, com a expectativa de ampliação de área ao longo de 2025. Os pedidos serão feitos diretamente no Uber Eats, sem necessidade de apps adicionais, e o algoritmo da plataforma definirá quando um pedido será executado por um entregador humano ou por um robô Starship, de acordo com distância, disponibilidade e condições locais.
De acordo com as informações oficiais, “Os robôs autônomos poderão realizar entregas em até 30 minutos, percorrendo distâncias de até 3,2 km (2 milhas) para pedidos feitos por meio do Uber Eats.” Na prática, eles têm seis rodas, dimensões semelhantes às de um cooler e operam prioritariamente em calçadas, o que reduz riscos, simplifica a logística e favorece a previsibilidade do trajeto em ambientes urbanos.
Essa abordagem, centrada em percursos curtos e previsíveis, busca ampliar a eficiência do último quilômetro e reduzir custos logísticos, ao mesmo tempo em que melhora a experiência do consumidor com janelas de entrega mais consistentes. Para a Uber, reforçar as entregas por robôs em contextos urbanos densos, com múltiplos restaurantes por quarteirão, é um passo natural para escalar o delivery com tecnologia.
Estratégia híbrida, dados do negócio e por que isso importa
A Uber projeta que o delivery seguirá como pilar financeiro da companhia no médio prazo. Como destaca o material de referência, “Segundo estimativas compiladas pela Bloomberg, o segmento de entregas deve representar cerca de 47% das reservas brutas da empresa em 2025”. Em outras palavras, quase metade do volume transacionado na plataforma tende a vir de pedidos de comida e mercado, o que explica o foco em automação para ganho de margem e qualidade de serviço.
Hoje, a empresa afirma manter mais de uma dezena de parcerias com companhias de tecnologia que oferecem soluções robóticas, em nove cidades dos EUA e do Japão. A aliança com a Starship expande essa visão, permitindo que a Uber teste, em novos mercados, diferentes combinações entre entregas por robôs e a capilaridade dos entregadores humanos, de modo a acomodar picos de demanda, regiões com restrições de trânsito e horários de maior fluxo.
Além da eficiência operacional, a aposta em veículos autônomos atende a uma tendência de longo prazo de cidades mais sustentáveis, com redução de emissões e menor pressão sobre o trânsito. Em rotas curtas e repetitivas, os robôs apresentam custo competitivo e alto nível de confiabilidade, especialmente quando conectados a uma plataforma que já orquestra milhões de pedidos todos os dias.
Expansão pela Europa, cenário competitivo e a força da Starship
O cronograma é claro: a Uber pretende ampliar o serviço no Reino Unido ao longo de 2025, levar as entregas por robôs para outros países europeus em 2026 e iniciar a operação nos Estados Unidos em 2027. O movimento ocorre em um ambiente competitivo no qual rivais também testam automatização do último quilômetro, reforçando a corrida por produtividade e melhor experiência de entrega.
Do lado tecnológico, a Starship traz escala e tração para a parceria. Segundo os dados públicos, “A Starship, sediada em São Francisco, opera mais de 2.700 robôs em mais de 270 localidades. A empresa já registra mais de 9 milhões de entregas concluídas e possui acordos com concorrentes da Uber, como a Bolt na Europa e a Grubhub em campus universitários dos EUA.” Em outubro, a companhia também “levantou US$ 50 milhões em rodada Série C”, reforçando o caixa para acelerar a expansão de frotas e infraestrutura.
No front competitivo, há sinais de aceleração global. A DoorDash, por exemplo, iniciou testes com robôs da Coco Robotics em Helsinque e depois expandiu a tecnologia para Los Angeles e Chicago, evidenciando que as grandes plataformas veem nas entregas por robôs uma alavanca concreta para eficiência de última milha e diferenciação de serviço.
Para consumidores, a chegada dos robôs promete entregas mais previsíveis, com janelas menores e rastreamento em tempo real. Para restaurantes e mercados, a automação pode reduzir o impacto de sazonalidade e picos, adicionando uma camada extra de capacidade. E, para as cidades, a circulação em calçadas tende a reduzir externalidades do tráfego, desde que acompanhada por regras claras de convivência urbana.
Com o início em Leeds e Sheffield, a Uber transforma a Europa em laboratório de uma nova fase do delivery. Se o plano avançar como previsto, o continente verá, já a partir de 2026, uma rede mais ampla de entregas por robôs, integrada ao ecossistema do Uber Eats, que combina escala global, dados e logística para acelerar a adoção de soluções autônomas no último quilômetro.

