Golpistas ampliam ataques digitais com a proximidade da Black Friday no Brasil
A Black Friday, que acontece oficialmente em 28 de novembro, última sexta-feira do mês, virou um terreno fértil para fraudes online. Pesquisadores da ESET identificaram lojas falsas da Havan e Shopee criadas por golpistas para enganar consumidores em busca de ofertas. Esses sites imitam com precisão o visual das páginas oficiais, exibem produtos com supostos abatimentos agressivos e, em muitos casos, aceitam somente Pix como forma de pagamento.
Segundo a investigação, as falsas vitrines oferecem itens com até 70% de desconto, usam linguagem promocional apelativa e tentam acelerar a decisão de compra com mensagens de urgência. A combinação de aparência profissional, preço baixo e pressão por rapidez é desenhada para driblar a desconfiança do usuário, sobretudo durante o pico de buscas por ofertas na Black Friday.
Como agem as lojas falsas da Havan e Shopee na Black Friday
De acordo com os pesquisadores, as lojas falsas da Havan e Shopee replicam logotipos, cores, tipografias e a estrutura de navegação das plataformas oficiais. O objetivo é induzir o consumidor a acreditar que está em um ambiente confiável, quando, na prática, o carrinho e o checkout direcionam para chaves de Pix controladas por golpistas.
Outro ponto recorrente é a presença de promoções “imperdíveis”, com até 70% de desconto em itens populares. A página geralmente traz contadores regressivos, banners chamativos e avisos de “estoque acabando”, recursos que criam um senso de urgência artificial. Ao final, a exigência de pagamento exclusivo por Pix serve para acelerar o repasse e reduzir a chance de contestação do valor, já que a modalidade é instantânea.
Para aumentar a verossimilhança, os domínios fraudulentos costumam ter endereços muito semelhantes aos das marcas, às vezes com pequenas variações de grafia, letras trocadas ou sufixos incomuns. É essencial inspecionar a URL com atenção antes de inserir dados pessoais ou iniciar um pagamento.
Escalada de domínios falsos: dados que acendem o alerta
Os sinais de alerta vão além dos casos de lojas falsas da Havan e Shopee. Um levantamento da Check Point Software apontou uma onda mais ampla de domínios maliciosos em outubro, mês que antecede a Black Friday. Nas palavras do estudo: “Pesquisadores identificaram 1.519 novos domínios que faziam referência a sites de marketplaces de comércio eletrônico renomados, como Amazon, AliExpress ou Alibaba. Isso representa um aumento de 24% em relação a setembro de 2025 e de 12% em comparação com outubro de 2024. Desses sites, 1 em cada 25 foi identificado como representando uma ameaça ativa”.
Os dados reforçam que golpistas se aproveitam do pico de consumo e do volume de buscas por ofertas para espalhar páginas com visual semelhante ao de grandes empresas, amplificando tentativas de phishing e fraudes financeiras. Em cenários de alta demanda, é comum que o consumidor, movido pela emoção diante de um suposto “achado”, relaxe etapas básicas de verificação e caia em golpes sofisticados.
Com o crescimento de URLs enganosas, a recomendação é redobrar a cautela ao acessar links recebidos por redes sociais, mensageiros e e-mails. Sempre que possível, digite manualmente o endereço oficial da loja no navegador, evite atalhos compartilhados e confira certificados de segurança e selos de confiabilidade reconhecidos.
Como se proteger de golpes na Black Friday sem perder boas ofertas
A prevenção passa por atitudes simples, porém decisivas. Desconfie de ofertas agressivas, especialmente quando somadas a tempo limitado e pagamento apenas via Pix. Em páginas que se dizem da Havan ou da Shopee, confirme o endereço digitando o domínio oficial no navegador, e compare o layout com o site verdadeiro, observando diferenças sutis de design, linguagem ou navegação.
Antes de concluir a compra, revise a URL e procure sinais de falsificação, como erros de ortografia no nome da marca e domínios incomuns. Evite inserir dados pessoais ou financeiros em links que chegaram por mensagens ou publicações suspeitas, mesmo que tragam logotipos e cores “perfeitas”. Se algo estiver “bom demais para ser verdade”, trate como suspeito.
Em caso de dúvidas, consulte os canais oficiais das marcas, como aplicativos e perfis verificados, e busque as ofertas diretamente neles. Ao seguir essas medidas, você reduz o risco de ser vítima de lojas falsas da Havan e Shopee e de outras páginas fraudulentas que florescem durante a Black Friday.
O recado central dos especialistas é claro: o período concentra oportunidades reais de economia, mas também eleva a exposição a golpes. Ao combinar verificação da URL, desconfiança de descontos irreais e cautela com pagamentos por Pix, o consumidor aumenta suas chances de aproveitar as ofertas com segurança.

