Fechamentos no Centro Goddard da NASA: Congresso dos EUA pede auditoria ao OIG após mudanças aceleradas em laboratórios e riscos a Dragonfly e ao telescópio Nancy Grace Roman

Fechamentos em centro da NASA levantam alerta nos EUA

Parlamentares afirmam que os fechamentos no Centro Goddard da NASA causam danos a projetos e protocolos, enquanto a direção aponta economia de US$ 10 milhões por ano e evita US$ 64 milhões em manutenção

O Centro de Voos Espaciais Goddard, em Greenbelt, Maryland, entrou no foco do debate em Washington após uma série de fechamentos no Centro Goddard da NASA e realocações de laboratórios, implementados rapidamente durante a paralisação do governo. Um grupo bipartidário de 16 parlamentares, liderado pela deputada Zoe Lofgren, pediu que o Escritório do Inspetor-Geral (OIG) da agência abra uma auditoria formal sobre as decisões que estão afetando equipes, instalações e cronogramas de missões estratégicas, segundo matéria da Space e informações reunidas pelo Olhar Digital.

Responsável por parte central das ciências espaciais e da Terra da agência, o Goddard Space Flight Center concentra laboratórios sensíveis e equipamentos únicos. A preocupação do Congresso é que as mudanças aceleradas, associadas aos fechamentos no Centro Goddard da NASA, impactem diretamente programas de alto perfil, como o telescópio Nancy Grace Roman e a missão Dragonfly, planejada para explorar Titã em 2028.

Em carta, Lofgren questionou a condução do processo e o risco sistêmico para a capacidade da agência de cumprir sua missão científica. A deputada escreveu: “Se é assim que a agência lida com uma de suas missões mais importantes, quantas outras missões correm risco iminente de serem irremediavelmente perdidas?”

O que motivou o pedido de auditoria

De acordo com os legisladores, a auditoria do OIG deve esclarecer quem tomou as decisões de fechamento e realocação de laboratórios, quais foram as motivações, se as ações estão em linha com o Plano Diretor 2017-2037 e se houve conformidade com as diretrizes da NASA para gestão de instalações e bens governamentais. A avaliação, segundo a carta, precisa considerar os riscos de danos irreparáveis a projetos e o efeito de mudanças executadas em ritmo acelerado.

Os pedidos de esclarecimento ganharam força após relatos de que as medidas foram implementadas durante a paralisação do governo, o que, na avaliação dos congressistas, pode ter agravado a desorganização e reduzido a supervisão. A preocupação central é entender se a pressa comprometeu protocolos, segurança e cronogramas críticos para as missões, em especial as que envolvem equipamentos altamente sensíveis.

Laboratórios, equipamentos e cronograma sob pressão

Segundo funcionários e documentos citados pelas reportagens, desde setembro de 2025 diversos prédios do campus passaram por mudanças aceleradas. Milhões de dólares em equipamentos, incluindo impressoras 3D, câmaras de teste e laboratórios inteiros, teriam sido marcados para doação ou descarte, gerando incerteza entre equipes e ameaçando prazos de projetos como o telescópio Nancy Grace Roman e a sonda Dragonfly.

Relatos internos apontam que algumas equipes receberam apenas quatro dias úteis para embalar e organizar seus espaços, enquanto determinadas trocas teriam ocorrido sem a devida supervisão do Escritório de Segurança e Garantia da Missão (OSMA). Para os parlamentares, esse cenário amplia o risco de danos a instrumentos, cria custos e atrasos desnecessários, e pode configurar violações de protocolos de segurança.

Apesar das críticas, a liderança do centro afirma que trata-se de um processo planejado de consolidação, necessário para garantir sustentabilidade operacional e para priorizar as frentes de maior impacto científico. A direção sustenta que os fechamentos no Centro Goddard da NASA e as realocações foram definidos com foco na continuidade das missões e na modernização das instalações.

Pressão orçamentária e resposta oficial da NASA

As mudanças também acontecem em meio a uma conjuntura fiscal mais dura. A proposta orçamentária de 2026 mencionada pelos parlamentares prevê cortes de até 25% na NASA e de 47% nos programas científicos, o que teria motivado ajustes na ocupação de prédios e no uso de ativos no campus de Greenbelt. Nesse contexto, gestores do centro defendem que a consolidação é uma resposta necessária ao cenário de restrição de recursos.

A direção da NASA afirma que a estratégia de consolidar instalações reduzirá aproximadamente US$ 10 milhões por ano em custos operacionais e evitará cerca de US$ 64 milhões em manutenção futura. Em comunicado, a agência declarou: “Todos esses esforços visam posicionar Goddard para o futuro e proteger as missões em andamento, muitas das quais seguem prioridades decenais importantes e diretrizes do Congresso”. Para os líderes do centro, a reorganização protege prioridades científicas e aumenta a eficiência a longo prazo.

Os parlamentares, no entanto, insistem que a execução precisa ser reavaliada, com ênfase em segurança, integridade técnica, governança e transparência. A eventual auditoria do OIG deve mapear decisões, verificar a compatibilidade com o Plano Diretor 2017-2037 e revisar a conformidade com normas de gestão de ativos. Enquanto isso, comunidades científicas ligadas a projetos como Dragonfly e o telescópio Nancy Grace Roman acompanham o caso de perto, temendo que a sequência de fechamentos no Centro Goddard da NASA e transferências de laboratórios, sem cronograma claro e supervisão robusta, acabe por comprometer prazos e escopos científicos.

Se a auditoria avançar, a expectativa é que o relatório do OIG estabeleça recomendações para reduzir riscos, melhorar a coordenação com o OSMA e balizar futuras realocações. A pressão política tende a manter o tema no radar, enquanto a NASA reforça que está alinhada a prioridades decenais e às diretrizes do Congresso, buscando equilibrar custos, segurança e a entrega de resultados científicos de alto impacto.

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