Google confirma experimento limitado no Modo IA do Google, diz “isso é apenas um teste”, mas falta opção de ocultar links patrocinados e cresce o receio de influência nas respostas
O Modo IA do Google, que usa o Gemini para gerar respostas automáticas, começou a exibir anúncios para parte do público. O movimento, observado inicialmente pelo consultor de SEO Brodie Clark, colocou a gigante de buscas no centro de um debate sobre como financiar modelos de inteligência artificial sem comprometer a qualidade da experiência. De acordo com o Olhar Digital, a própria empresa confirma que se trata de um piloto com alcance reduzido.
Os anúncios aparecem no fim das respostas geradas pelo Modo IA do Google e são sinalizados como “patrocinados”. Fora o selo, o formato se assemelha aos links orgânicos sugeridos pela própria resposta do Gemini, o que levanta dúvidas sobre a percepção do usuário ao navegar pelas recomendações.
Questionado pelo 9to5Google, o Google afirmou que “isso é apenas um teste” e também que “não há planos de transformar o Modo IA em uma vitrine de publicidade.” As frases refletem a tentativa de acalmar a comunidade, que teme ver a experiência dos assistentes de IA se aproximar do modelo clássico da internet, com publicidade em praticamente todos os espaços.
Como aparecem os anúncios no Modo IA do Google
Segundo os primeiros relatos, os anúncios no Modo IA do Google surgem ao final do bloco de resposta, sempre com um selo de “patrocinados”. A proximidade visual com os links orgânicos, porém, pode levar parte das pessoas a não distinguir imediatamente o que é publicidade e o que é recomendação não paga.
O Google indica que, por ora, a distribuição é limitada e o sistema ainda privilegia resultados orgânicos, algo que a própria empresa e o Endgadget apontam como característica do teste inicial. Na prática, isso significa que muitos usuários talvez nem encontrem o novo formato imediatamente, já que a liberação ocorre de forma restrita enquanto a companhia mede engajamento e impacto.
Apesar disso, a presença dos anúncios no ambiente do Gemini altera a dinâmica de consulta. Como as respostas do Modo IA do Google tentam sintetizar a web em um bloco único, mesmo uma inserção publicitária no rodapé da resposta torna-se parte da jornada de leitura, o que intensifica a discussão sobre transparência e rotulagem.
O que diz o Google e por que o teste levanta alertas
Em posicionamento reportado pelo 9to5Google, o Google reforçou que “isso é apenas um teste”, além de afirmar que “não há planos de transformar o Modo IA em uma vitrine de publicidade.” Ainda assim, o Endgadget destaca que somente uma parcela dos usuários vê o novo formato, o que caracteriza um experimento inicial para avaliar desempenho e aceitação.
Um dos pontos mais sensíveis, lembra o Olhar Digital com base no Endgadget, é que não existe uma forma de ocultar os links patrocinados no Modo IA do Google. Na busca tradicional, o usuário consegue rolar a página e, muitas vezes, escapar dos anúncios. Na resposta gerada pelo Gemini, essa manobra não se aplica da mesma maneira, o que aumenta a sensação de que a publicidade invade um espaço de assistência pessoal.
Para quem teme vieses, a preocupação central é que a presença de anúncios acabe, ainda que indiretamente, influenciando o que o Gemini exibe. O próprio contexto aponta nesse sentido, com usuários receosos de que a curadoria do Modo IA do Google possa priorizar conteúdos patrocinados em detrimento de recomendações independentes, mesmo que o Google assegure o contrário durante a fase de testes.
IA e publicidade, tendência que vai além do Google
O debate não se limita ao Modo IA do Google. Segundo o Olhar Digital, há sinais de uma tendência mais ampla, com diferentes empresas avaliando formatos para monetizar assistentes e geradores de conteúdo. O X, antigo Twitter, planeja colocar anúncios nos resultados de busca, e há rumores de que a OpenAI considera transformar o ChatGPT em uma plataforma de anúncios.
Os custos de operação ajudam a explicar o cenário. A ferramenta de criação de vídeos com IA, Sora, por exemplo, estaria gastando cerca de US$ 15 milhões por dia (aprox. R$ 80 milhões/dia) para gerar conteúdo, um número citado para ilustrar a pressão por modelos de negócio capazes de sustentar a infraestrutura. Em um mercado onde a competição avança rápido, a publicidade surge como caminho óbvio, ainda que polêmico.
Para o público, o ponto de equilíbrio será determinar até que ponto a inserção de anúncios compromete a utilidade e a confiança em respostas produzidas por IA. No caso do Modo IA do Google, a companhia afirma que a prioridade continua sendo os links orgânicos, e que o experimento é limitado, mas a percepção dos usuários, especialmente diante da ausência de um botão para ocultar patrocinados, seguirá no centro da discussão.
Enquanto o teste avança, a orientação é observar com atenção os rótulos de “patrocinados” nas respostas do Modo IA do Google, checar as fontes indicadas pelo Gemini e comparar com resultados da busca tradicional sempre que possível. A forma como o Google calibrar essa experiência dirá muito sobre o futuro da integração entre IA generativa e publicidade.

