Primeiro site de 100 MW na Arábia Saudita, totalmente contratado pela Luma AI, usará chips AMD MI450, rede Cisco e energia 100% renovável com construção prevista para 2026
A AMD, a Cisco e a startup saudita Humain uniram forças em uma joint venture para erguer mega data centers no deserto saudita, com foco em computação para inteligência artificial em larga escala no Oriente Médio. O primeiro projeto, já confirmado, prevê uma instalação de 100 megawatts na Arábia Saudita, e, segundo o CEO da Humain, Tareq Amin, a capacidade está totalmente contratada pela startup de vídeo generativo Luma AI. “As informações são exclusivas da Reuters.”
De acordo com o anunciado, a infraestrutura inicial será equipada com chips de IA MI450 da AMD e conectividade de alto desempenho baseada na rede da Cisco. O cronograma aponta início de operação com construção prevista para 2026, e o complexo utilizará energia 100% renovável, um diferencial que mira clientes globais preocupados com eficiência e sustentabilidade.
O plano de expansão mira um salto significativo, com a joint venture projetando alcançar até 1 gigawatt de capacidade instalada até 2030. A ambição é atender um mercado potencial de 4,5 bilhões de pessoas em regiões como Ásia, Europa, Índia, Oriente Médio e África, reforçando a aposta de transformar a Arábia Saudita em um novo polo mundial de computação em nuvem e IA.
O que está por trás da parceria e por que a Arábia Saudita
A iniciativa surge após uma série de acordos assinados durante a visita do então presidente dos EUA, Donald Trump, a Riad, e ocorre em meio à aproximação entre Washington e o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman. A Humain, financiada pelo fundo soberano saudita, declarou que pretende expandir maciçamente a infraestrutura de computação do país, aproveitando terrenos disponíveis e energia de baixo custo. Em um cenário de crescimento explosivo da IA generativa, a combinação de recursos naturais, capital e incentivos estratégicos torna o ambiente saudita fértil para erguer mega data centers no deserto saudita.
Para o ecossistema global de tecnologia, a movimentação adiciona concorrência e capacidade em uma geografia que se posiciona como ponte entre Europa, Ásia e África. Ao lado de investimentos em conectividade e energia renovável, a nova joint venture pretende oferecer latência competitiva para aplicações de IA, atendendo tanto cargas de treinamento quanto de inferência.
Primeiro mega data center, tecnologia e energia 100% renovável
O primeiro grande projeto confirma uma instalação de 100 MW na Arábia Saudita, com capacidade integralmente reservada pela Luma AI. A infraestrutura combinará chips de IA MI450 da AMD, voltados a cargas intensivas de processamento, com a rede da Cisco, desenhada para oferecer alta largura de banda e baixa latência, elementos críticos para pipelines de dados e treinamento de modelos generativos.
Além da tecnologia, o consórcio destaca o compromisso com energia 100% renovável, um fator que pode reduzir custos operacionais ao longo do ciclo de vida e, ao mesmo tempo, ajudar clientes a cumprirem metas de descarbonização. Em um mercado pressionado por consumo elétrico crescente, este atributo é apresentado como um diferencial para atrair empresas globais, fortalecendo a proposta de valor dos mega data centers no deserto saudita.
Na divisão societária, a AMD e a Cisco serão acionistas minoritárias, enquanto a Humain ficará responsável pela operação. Em declaração de apoio à parceria, a CEO da AMD, Lisa Su, afirmou: “Juntos, teremos a responsabilidade de garantir o sucesso“.
Governança, vendas e metas até 2030
Para acelerar a comercialização, a Cisco vai mobilizar sua força global de vendas a fim de oferecer a capacidade dos novos centros a clientes em diferentes regiões, alavancando décadas de relacionamento com operadoras, provedores de nuvem e grandes empresas. Segundo a companhia, a experiência de 25 anos criando incentivos comerciais será aplicada para destravar demanda desde o início do projeto.
A meta da joint venture é atingir até 1 GW de capacidade até 2030, com portfólio distribuído para atender um mercado estimado em 4,5 bilhões de pessoas em Ásia, Europa, Índia, Oriente Médio e África. A construção do primeiro site ainda não começou, porém a Humain afirma já ter encomendas para futuros projetos, sinal de que a demanda reprimida por infraestrutura de IA permanece elevada.
Com governança compartilhada, energia renovável e hardware de última geração, a parceria se posiciona para disputar contratos de empresas que buscam escalar modelos generativos e sistemas de análise avançada. A decisão de ancorar o primeiro campus em território saudita também reflete a estratégia do país de consolidar hubs de tecnologia no Golfo, apoiados por incentivos, disponibilidade de terras e rotas de conectividade internacional.
No curto prazo, a confirmação do site de 100 MW com Luma AI como cliente âncora reduz riscos de demanda e sustenta o plano de financiamento para etapas subsequentes. No médio prazo, a chegada de chips MI450 e a integração com a rede da Cisco indicarão a capacidade do consórcio de competir com outros provedores de infraestrutura de IA. Se as metas até 2030 forem cumpridas, os mega data centers no deserto saudita podem se tornar um vetor de escala para workloads de IA em múltiplas regiões, reforçando a Arábia Saudita na disputa por liderança em computação de alto desempenho.

