Bitfarm muda foco e acelera plano para data centers de IA até 2027, 341 MW prontos para Nvidia GB300 e promessa de receita acima da mineração de Bitcoin

Empresa de Bitcoin vai mudar seu foco para data centers de IA

Bitfarm projeta virar referência em data centers de IA, convertendo parte da mineração e explorando HPC com Nvidia GB300

A Bitfarm, uma das maiores empresas de mineração de bitcoin, anunciou que vai direcionar uma parcela relevante de suas operações para data centers de IA até 2027, um movimento que reposiciona a companhia no mercado de computação de alto desempenho. Hoje, a empresa opera 12 unidades dedicadas à mineração e possui 341 megawatts (MW) de capacidade já energizada, estrutura apontada como suficiente para acomodar servidores Nvidia GB300 NVL72 com resfriamento líquido.

Segundo a direção, a guinada para HPC e data centers de IA parte de ativos existentes, reduzindo custo e tempo de implantação quando comparado à construção do zero. A leitura estratégica é clara, a demanda por infraestrutura de computação para IA segue em trajetória de alta, enquanto a receita da mineração de Bitcoin permanece exposta à volatilidade do mercado cripto.

O que muda na operação, de Washington aos servidores Nvidia GB300 com resfriamento líquido

O CEO Ben Gagnon afirmou que a primeira conversão ocorrerá nos Estados Unidos. “Estamos avançando na estratégia de infraestrutura HPC/IA e planejamos converter nossa unidade em Washington para suportar servidores Nvidia GB300 com resfriamento líquido”, afirmou o CEO Ben Gagnon ao Decrypt.

A empresa destaca que, mesmo começando pequeno, a aposta em data centers de IA pode escalar rapidamente. Segundo Gagnon, ainda que represente menos de 1% do portfólio atual, a operação com GPU tem potencial de gerar mais receita operacional do que a mineração de Bitcoin já produziu. Com a base elétrica já disponível, a Bitfarm pretende acelerar a instalação de clusters com Nvidia GB300, priorizando densidade computacional e eficiência térmica com soluções de resfriamento líquido.

Com a infraestrutura de 341 MW já em funcionamento, a companhia ressalta a vantagem competitiva de energia frente a novos entrantes e a necessidade menor de fechar contratos adicionais. Nas palavras da empresa, “Capacidade de 341 MW permitirá conversão de data centers sem novos acordos de energia”.

Pressão financeira, desempenho das T21 e ajustes no hashrate

A mudança de rota ocorre após a Bitfarm registrar prejuízo líquido de US$ 46 milhões no terceiro trimestre, alta de 91% na comparação anual. Embora o Bitcoin tenha voltado a subir recentemente, a oscilação do criptoativo segue afetando a previsibilidade de caixa, o que pressiona o planejamento de investimentos apenas na mineração tradicional.

Outro fator que pesou na revisão estratégica foi o desempenho abaixo do esperado das novas máquinas T21. A empresa informou que reduziu em 14% sua projeção de hashrate para 2025, um corte que adiciona incerteza ao retorno sobre o capital empregado em equipamentos de mineração e reforça o apelo por diversificação para data centers de IA.

Ao combinar a transição gradual com a atualização seletiva do parque minerador, a Bitfarm busca equilibrar fluxo de caixa, custos de energia e capacidade de computação, preservando a opcionalidade de capturar ciclos favoráveis tanto no Bitcoin quanto na IA.

Energia, expansão em Panther Creek e riscos da aposta na IA

Para sustentar a nova fase, a companhia converteu um empréstimo de US$ 300 milhões da Macquarie em financiamento destinado à expansão do data center de Panther Creek, na Pensilvânia, que poderá alcançar 350 MW de capacidade. O reforço amplia a margem para instalar racks de alta densidade voltados a IA generativa e cargas de HPC, uma vez que o consumo energético é o componente crítico para escalar essas operações.

Ao avançar com data centers de IA, a Bitfarm tenta evitar o gargalo energético que atinge hiperescaladores como a Microsoft. A disponibilidade imediata de 341 MW reduz o tempo de ativação de clusters com Nvidia GB300 NVL72, encurta prazos de go-to-market e pode melhorar a rentabilidade por megawatt, sobretudo quando os SLAs de IA exigem baixa latência e alta disponibilidade.

Especialistas, porém, alertam que a forte dependência do mercado de inteligência artificial pode ampliar riscos, caso o ciclo de investimentos desacelere. Embora a procura por capacidade de GPU continue intensa, parte dos analistas enxerga sinais de possível correção adiante. Nesse cenário, a diversificação com data centers de IA amplia o potencial de receita, mas também expõe a companhia à hipótese de retração do setor.

Com cronograma até 2027, a Bitfarm aposta que a combinação de energia disponível, conversão rápida de sites como Washington e expansão em Panther Creek a posicionará entre os provedores mais ágeis de infraestrutura para IA na região. Se a execução acompanhar o plano, a empresa pode transformar um negócio historicamente cíclico, a mineração de bitcoin, em uma plataforma de serviços de alto valor agregado em data centers de IA, com foco em HPC e GPUs de última geração.

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