Iniciativa forma 15 especialistas por ano, com dupla titulação, e acelera a adoção da cirurgia robótica no SUS com foco em qualidade, segurança e pesquisa aplicada
Formação e tecnologia de ponta no INCA
O Instituto Nacional de Câncer abriu o primeiro Centro de Treinamento e Pesquisa em Robótica do Sistema Único de Saúde, um passo estratégico para consolidar a cirurgia robótica no SUS como prática de alta complexidade acessível e qualificada. Segundo o Ministério da Saúde, a expectativa é formar 15 profissionais por ano, com dupla titulação em sua área médica e em cirurgia robótica, integrando ensino, pesquisa e assistência.
Instalado em parceria com a empresa estadunidense Intuitive, o centro passa a operar com o robô Da Vinci XI, que reúne três consoles cirúrgicos e o simulador de realidade virtual SIM Now. O ambiente de treinamento oferece capacitação em skills e cenários clínicos em um ambiente seguro e realista, permitindo que cirurgiões pratiquem e sejam certificados antes de atuar em pacientes.
O INCA é pioneiro em cirurgias robóticas no SUS, com mais de 2.050 procedimentos desde 2012 em Urologia, Ginecologia, Cabeça e Pescoço, Abdômen e Tórax. A instituição acumula ainda 13 anos de experiência em prostatectomia robótica por meio do Centro de Diagnóstico do Câncer de Próstata, que realiza três mil biópsias transretais da próstata sob sedação anestesiológica por ano.
O que muda para o paciente, com precisão e internação mais curta
A cirurgia robótica no SUS amplia o campo visual do cirurgião em até dez vezes e adiciona controle refinado dos instrumentos, o que permite movimentos mais precisos em regiões de difícil acesso. Como se trata de um método minimamente invasivo, os pacientes tendem a sentir menos dor, ter menor risco de complicações e reduzir o tempo de internação, com impacto direto em custos hospitalares e na recuperação.
A aprovação recente do Ministério da Saúde para incorporar a prostatectomia robótica à rede pública é considerada um marco de acesso e qualidade. Para a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, “a inclusão da prostatectomia robótica assistida no SUS não representa apenas um avanço tecnológico, mas, também, um passo essencial para promover equidade no tratamento do câncer de próstata.”
A expansão começa de forma planejada e com foco em certificação. Como destacou o diretor-geral do INCA, Roberto Gil, à Agência Brasil, “Antigamente, você tinha que ir para o exterior e tentar essa capacitação. Isso significa que a gente tem capacidade de capilarizar e disseminar esse procedimento, com médicos certificados por todo o território brasileiro. É um processo gradativo”. Com o novo centro, a cirurgia robótica no SUS ganha escala com treinamento padronizado, o que deve acelerar a adoção segura em hospitais públicos.
Oncologia pública, Novembro Azul e pesquisa genômica
A inauguração ocorreu durante as ações do Novembro Azul, reforçando a prioridade do SUS com a saúde do homem e a prevenção do câncer de próstata. De acordo com dados apresentados no evento, por ano, o país registra 7.153 casos, sendo 60% de alto risco. O INCA projeta que, em 15 anos, o número de cânceres de próstata vai dobrar, o que torna essencial ampliar o diagnóstico precoce, a capacidade cirúrgica e a reabilitação.
Além da formação continuada, o novo centro sustenta uma agenda robusta de pesquisa translacional. Entre os projetos apoiados pelo Pronon, o INCA conduz um estudo de caracterização genética de pacientes brasileiros com câncer de próstata, utilizando sequenciamento genômico completo para identificar mutações somáticas associadas à doença. A iniciativa abrange três grupos: homens com hiperplasia prostática, sem câncer, com câncer de baixo grau e com câncer de alto grau, considerado inédito no país pela abrangência e metodologia.
O uso de plataformas como o Da Vinci XI combinado a protocolos de pesquisa e simulação em realidade virtual fortalece a integração entre ensino e assistência. Na prática clínica, isso significa reduzir variabilidade técnica, padronizar resultados e acelerar a curva de aprendizado das equipes, pilares decisivos para consolidar a cirurgia robótica no SUS com qualidade e escala.
A cerimônia de abertura consolidou a mensagem de que inovação e acesso precisam caminhar juntos na oncologia pública. Como resume Roberto Gil, “Estamos avançando em várias frentes: na prevenção, no diagnóstico e na qualificação do tratamento. O Centro de Treinamento Robótico é parte de um esforço maior para garantir que o SUS esteja na vanguarda tecnológica, sem deixar de lado a nossa principal missão, que é salvar vidas por meio da detecção precoce e do cuidado integral”.
Com a parceria com a Intuitive e a infraestrutura de três consoles e SIM Now, o INCA passa a oferecer um ambiente completo para treinar, certificar e avaliar equipes, fomentando publicações e protocolos que podem orientar a rede. A tendência é que a cirurgia robótica no SUS se expanda de forma sustentada, garantindo que mais pacientes tenham acesso a procedimentos de alta precisão e recuperação mais rápida.

