Usina solar-hidrelétrica em Andong, Coreia do Sul, estreia painel solar flutuante de 47 MW para 22 mil casas e paga lucros a moradores

Usina solar-hidrelétrica: painel solar flutuante entra em operação em barragem na Coreia do Sul

Projeto de usina solar-hidrelétrica na barragem de Andong combina sol de dia e água à noite, prevê 61 GWh/ano, US$ 50 milhões em investimento e remuneração a 4.500 pessoas no entorno

A Coreia do Sul colocou em operação uma usina solar-hidrelétrica em Andong, a leste da cidade homônima, que integra um painel solar flutuante a uma hidrelétrica já existente na barragem local. A proposta alia geração solar durante o dia e produção hídrica à noite, ampliando a oferta de energia limpa na região, com previsões de abastecimento para cerca de 22 mil casas todos os anos.

Instalado em uma barragem de múltiplos usos, o sistema solar flutuante tem capacidade de 47 MW, enquanto a hidrelétrica adjacente soma 50 MW. Quando o conjunto operar plenamente, a usina solar-hidrelétrica deverá entregar 61 GWh de eletricidade renovável por ano, fortalecendo a segurança energética local e reduzindo emissões.

Como funciona a usina solar-hidrelétrica de Andong

No desenho híbrido, a geração é dividida por períodos do dia, com a energia solar suprindo a demanda nas horas de maior incidência de luz e a hidrelétrica assumindo o fornecimento no período noturno. Essa complementaridade permite alternar as fontes com fluidez, usando o potencial solar para poupar água no reservatório e direcioná-la às horas de pico fora do sol.

Com 47 MW na parte fotovoltaica e 50 MW na componente hídrica, o arranjo atende a critérios de eficiência e estabilidade. Segundo estimativas divulgadas, a entrega anual de 61 GWh de eletricidade renovável representa uma potência suficiente para o consumo de cerca de 22 mil residências em Andong, o que equivale a 27% das casas da cidade. Em barragens de múltiplos usos, este projeto é citado como “a maior instalação fotovoltaica flutuante em uma barragem de múltiplos usos no país”.

Além do ganho técnico, a usina solar-hidrelétrica agrega resiliência ao sistema por evitar flutuações bruscas no fornecimento. A utilização do lago como plataforma para os módulos ajuda a reduzir o uso de terras e pode diminuir a evaporação, um benefício adicional observado em usinas de floating PV no mundo.

Engenharia e design do painel solar flutuante

O projeto foi desenvolvido em conjunto por Korea Hydro & Nuclear Power (KHNP) e Korea Water Resources Corporation, com apoio da Província de Gyeongsangbuk-do e da cidade de Andong. Apresentado no fim de setembro, o investimento total é estimado em US$ 50 milhões, sinalizando a aposta do país em soluções de energia renovável de alta visibilidade e impacto.

A arquitetura do painel solar flutuante foge do convencional. Em vez de uma única balsa, são 16 plataformas interligadas que formam padrões inspirados em símbolos nacionais, como o Taegeukgi, a bandeira da Coreia do Sul, e a Mugunghwa, a flor nacional. Os módulos solares foram fornecidos pela fabricante coreana Shinsung E&G, ressaltando uma cadeia produtiva doméstica e tecnicamente robusta.

Essa combinação de engenharia e identidade cultural torna a usina solar-hidrelétrica de Andong um cartão de visitas da transição energética sul-coreana. A integração com a hidrelétrica existente simplifica conexões, reduz prazos de obras e potencializa a infraestrutura já presente na barragem.

Impacto social e metas de energia limpa na Coreia do Sul

Um diferencial do projeto está no desenho de benefícios locais. Cerca de 4.500 pessoas que vivem em um raio de 1 km da instalação terão direito a receber uma parte dos lucros gerados pela produção. Ao compartilhar resultados econômicos, a iniciativa busca elevar a aceitação social de grandes obras de energia, geralmente percebidas como intrusivas no cotidiano das comunidades vizinhas.

Do ponto de vista do sistema elétrico, a entrega esperada de 61 GWh/ano se soma a um movimento mais amplo. Só no último ano, a Coreia do Sul adicionou aproximadamente 2,5 GW de capacidade solar, elevando o nível total da fonte para 29,5 GW, de acordo com a Agência de Energia da Coreia. A usina solar-hidrelétrica de Andong reforça essa trajetória, diversificando o portfólio de geração e acelerando metas de descarbonização.

Ao instalar um painel solar flutuante em uma barragem já equipada com turbinas, o país avança em um modelo de expansão com menor uso de solo, estética valorizada e integração com a comunidade. Se cumprir as metas anunciadas, a usina solar-hidrelétrica de Andong vai servir como referência regional para outros reservatórios sul-coreanos, contribuindo para garantir fornecimento contínuo, reduzir custos operacionais e ampliar o acesso a energia limpa com participação social.

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