Jato de plasma solar canibal atinge a Terra, gera show de auroras raras e coloca em alerta redes elétricas, satélites e comunicações, segundo NOAA e Spaceweather.com
Um jato de plasma solar canibal, resultado de duas ejeções de massa coronal, desencadeou um espetáculo de auroras observado em toda a América do Norte, do Canadá ao México, e também em partes da Europa. O fenômeno ocorreu após uma sequência de explosões solares de classe X na região ativa AR4274, que lançaram material solar e campos magnéticos rumo à Terra. A primeira ejeção foi “engolida” pela segunda, mais veloz, formando a chamada CME canibal que atingiu o planeta na noite de terça-feira, 11.
Segundo a plataforma de meteorologia espacial Spaceweather.com, as partículas carregadas interagiram com átomos na atmosfera terrestre e provocaram uma tempestade geomagnética G4. Nas palavras do relatório citado, tratou-se de uma “tempestade geomagnética G4 – considerada severa em uma escala que vai de G1 (fraca) a G5 (extrema)”. Em consequência, o brilho multicolorido das auroras se espalhou bem além das latitudes polares, alcançando estados ao sul dos EUA e até o norte do México.
Como a CME canibal se formou e por que foi tão intensa
O gatilho do jato de plasma solar canibal foram duas erupções poderosas, uma X1.8 no domingo, 9, e outra X1.2 na manhã de segunda-feira, 10, ambas originadas no agrupamento de manchas solares AR4274. Cada explosão arremessou ejeções de massa coronal em direção à Terra. A segunda, mais rápida, alcançou e incorporou a primeira, aumentando a densidade, a velocidade e a energia do pacote de plasma, o que intensificou a tempestade geomagnética quando o material alcançou a magnetosfera terrestre.
Na mesma região ativa, houve ainda um terceiro episódio, ainda mais energético, na terça-feira. De acordo com os registros, “Classificada como X5.1, essa foi a explosão solar mais violenta de 2025.” O evento elevou as preocupações de curto prazo sobre novas perturbações geomagnéticas e ajudou a explicar a amplitude das auroras verificadas durante a madrugada.
Especialistas também indicam que, além de plasma e campo magnético, a erupção recorde liberou uma enxurrada de prótons altamente energéticos, que viajam quase à velocidade da luz. Em casos raros, parte desse fluxo consegue atravessar a atmosfera e chegar ao solo, o que é monitorado por redes de detecção de partículas e por modelos de clima espacial.
Impactos e riscos: de G4 a possível G5, o que dizem NOAA e Met Office
As tempestades geomagnéticas de classe G4 podem provocar efeitos práticos sentidos em terra e em órbita. Entre os impactos esperados estão falhas no controle de tensão e desligamentos indevidos em redes elétricas, acúmulo de carga em superfícies de satélites que atrapalha o rastreamento e a orientação, correntes induzidas em dutos, além de interferências nas comunicações por rádio de alta frequência usadas na aviação e em transmissões de longa distância.
Para as próximas horas, as projeções oficiais indicam que a atividade permanece elevada. As agências de meteorologia dos EUA e do Reino Unido estimam a continuidade do distúrbio. Conforme as previsões citadas, “uma nova rodada de tempestades geomagnéticas, variando de fortes (G3) a severas (G4), é esperada para a próxima madrugada. Há possibilidade de que o fenômeno atinja intensidade extrema (G5)”, segundo a NOAA e o Met Office.
Caso o nível G5 se confirme, os riscos incluem apagões generalizados e danos a transformadores, além de falhas prolongadas em sistemas de navegação por satélite. A aviação e a navegação marítima, que dependem de rádio de baixa frequência, podem enfrentar interrupções temporárias, enquanto satélites podem sofrer perda temporária de comunicação e anomalias de atitude, exigindo manobras de correção.
Auroras do Canadá ao México, e o que observar nas próximas horas
A madrugada foi histórica para observadores do céu. Relatos reunidos por veículos e plataformas especializadas descrevem cortinas de luz em tons de verde, roxo e vermelho cruzando diversos estados dos EUA, do Noroeste ao Meio-Oeste e até o Sudoeste, com registros também na Califórnia e no Colorado. Houve relatos no norte do México, cenário raro que só ocorre em episódios fortes como o desencadeado pelo jato de plasma solar canibal. Na Europa, a atividade também foi percebida em latitudes incomuns, reforçando a escala global do evento.
Para quem pretende procurar auroras na próxima janela de atividade, a recomendação é simples, ainda que o fenômeno dependa da evolução do clima espacial. Vale buscar céus limpos, locais com baixa poluição luminosa e horizonte amplo voltado para o norte, preferencialmente entre o fim da noite e o início da madrugada. Monitorar atualizações de índice Kp, de Spaceweather.com e dos alertas da NOAA, ajuda a decidir se vale sair a campo.
Mesmo para quem está distante das regiões polares, episódios classificados como G4 podem empurrar a oval auroral para latitudes médias, elevando as chances de observação a olho nu, inclusive com cores visíveis em alguns momentos. Em noites como a desta terça-feira, muitos relatórios destacaram tons vermelhos intensos, um indicativo de excitação de oxigênio em altitudes maiores, típico de tempestades mais severas.
Enquanto o Sol atravessa um período de maior atividade, com manchas extensas e erupções de classe X recorrentes no AR4274, especialistas reforçam que episódios de CME canibal podem voltar a ocorrer. A combinação de monitoramento contínuo, previsões da NOAA e do Met Office, e atualizações de centros como o Spaceweather.com, será decisiva para antecipar efeitos na infraestrutura e, claro, para orientar os melhores momentos de contemplação do céu.

