Mercúrio retrógrado em 2025: o que significa cientificamente o último ciclo do ano, por que acontece e quando termina

Último Mercúrio “retrógrado” de 2025: o que isso significa cientificamente?

Mercúrio retrógrado voltou aos holofotes na reta final de 2025, mas, longe de presságios, o que há é um fenômeno puramente astronômico e perfeitamente previsível. A fase atual começou no domingo, 9, e termina no dia 29, marcando a terceira e última ocorrência do ano. Na prática, o planeta não “anda para trás”, ele apenas parece inverter a direção no céu quando visto da Terra.

Essa percepção enganosa acontece de três a quatro vezes por ano com Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol. Como ele completa uma volta ao redor da estrela em apenas 88 dias terrestres, as circunstâncias geométricas que criam a ilusão se repetem com mais frequência em comparação a outros planetas.

Ao longo de 2025, o aparente recuo de Mercúrio ocorreu primeiro entre 15 de março e 7 de abril, depois de 18 de julho a 11 de agosto, e agora, entre 9 e 29 de novembro. De acordo com o Old Farmer’s Almanac, referência tradicional nos Estados Unidos, o fenômeno voltará a se repetir três vezes em 2026: de 26 de fevereiro a 20 de março, de 29 de junho a 23 de julho e de 24 de outubro a 13 de novembro.

O que a astronomia chama de Mercúrio retrógrado

Para a ciência, Mercúrio retrógrado é um caso de movimento retrógrado aparente, uma ilusão de ótica que surge da combinação de perspectiva e das diferentes velocidades orbitais no Sistema Solar. Todos os planetas orbitam o Sol na mesma direção. Entretanto, como a Terra e Mercúrio percorrem suas órbitas a ritmos distintos, e em posições relativas que mudam continuamente, o traço do planeta no céu pode parecer inverter o sentido por algumas semanas.

Em termos simples, conforme a Terra segue seu caminho, nós observamos os demais planetas se deslocarem contra o fundo das estrelas, cada um em seu próprio ritmo. Em certos momentos, a geometria entre as órbitas faz com que desapareça a sensação de avanço e surja a de recuo, criando a impressão de que o objeto celeste voltou para trás.

É por isso que a astronomia descreve a fase como um efeito de observação e não como uma mudança real na trajetória. Ou seja, Mercúrio nunca inverte a sua órbita, ele apenas é visto assim por causa da perspectiva terrestre.

Por que o efeito é mais frequente em Mercúrio e como se desenha no céu

Mercúrio executa o movimento aparente com maior frequência porque seu ano é curto, de 88 dias, o que acelera as repetições da configuração que gera a ilusão. Em cada ciclo, a trilha aparente no firmamento, quando traçada noite a noite, pode formar padrões diferentes, a depender de o planeta estar “passando” por trás ou pela frente do Sol na visão da Terra.

Segundo o colunista do Olhar Digital Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia, membro da Sociedade Astronômica Brasileira e diretor técnico da BRAMON, quando se fala de planetas externos, de Marte em diante, é mais adequado falar em “laço” retrógrado, já que o desenho tende a formar um laço no céu quando a Terra os ultrapassa.

Para os planetas internos, como Mercúrio e Vênus, é o contrário. Nas palavras de Zurita, “No caso dos planetas internos, são eles que ultrapassam a Terra em sua órbita”. Ele completa: “Daí, nós observamos este movimento aparentemente retrógrado quando eles estão dando a volta por trás ou na frente do Sol. Nesse caso, geralmente se forma uma parábola e não um laço”. Essa descrição ajuda a visualizar por que a trilha de Mercúrio retrógrado frequentemente lembra uma parábola em simulações e mapas celestes.

Datas, como observar e o que mais está retrógrado no céu

Em 2025, os três intervalos de Mercúrio retrógrado ficaram concentrados entre março e novembro. Na prática, quem observa o céu noturno pode perceber o planeta mudando sutilmente de posição em relação às estrelas ao longo dos dias, em especial no horizonte próximo ao crepúsculo, embora a visibilidade dependa de condições de tempo, poluição luminosa e do próprio brilho do planeta em cada elongação.

Para quem gosta de acompanhar efemérides, o Old Farmer’s Almanac lista três novos intervalos para 2026, entre o fim de fevereiro e meados de março, no início do inverno ao início da primavera no Hemisfério Norte, depois de fim de junho a fim de julho, e por fim de fim de outubro a meados de novembro. Esses períodos são estimativas amplamente aceitas e ajudam a planejar observações informais do fenômeno.

Além de Mercúrio retrógrado, outro destaque recente é Júpiter. De acordo com o guia de orientação astronômica In-The-Sky.org, a inversão de direção do maior planeta do Sistema Solar tem início às 13h37, pelo horário de Brasília, nesta terça-feira, 11, e o gigante gasoso retoma o sentido habitual em 11 de março de 2026. Assim como no caso de Mercúrio, trata-se de um movimento retrógrado aparente, fruto da perspectiva da Terra enquanto os planetas executam suas órbitas reais.

No fim das contas, entender a mecânica de Mercúrio retrógrado desmistifica o fenômeno e torna a observação do céu mais interessante. Ao reconhecer que é uma ilusão de ótica perfeitamente explicada pela astronomia, cada ciclo se transforma em uma oportunidade de acompanhar, com olhos atentos, como a dança dos planetas e a nossa posição no espaço se combinam para criar efeitos visuais fascinantes.

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